Movimento estudantil condena adiamento do Enem em escolas ocupadas

 
Jornal GGN – Em nota conjunta, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) condenaram o adiamento da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para os alunos que fariam a prova nas escolas ocupadas.
 
Para as associações estudantis, a realização da prova pode ser garantida através do diálogo. Eles também criticam o Ministério da Educação, afirmando que a pasta ameaçou os estudantes através do cancelamento da prova e da “responsabilização das entidades e ocupantes”.

 
O movimento estudantil argumenta que, no último final de semana, as eleições municipais foram realizadas em “coexistência com as escolas ocupadas”, graças ao diálogo entre a Justiça Eleitoral e os alunos. Eles também afirmam que irão continuar procurando dialogar para reverter a “decisão precipitada” do Ministério da Educação. 
 
Na última terça-feira (1), o MEC anunciou que 191.494 estudantes terão de fazer a prova nos dias 3 e 4 de dezembro.  Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), são 304 locais de aplicação de prova ocupados no país.
 
Ontem (2), Oscar Costa Filho,  procurador da República no Ceará, pediu a suspensão da prova alegando falta de isonomia na seleção com a prova em datas diferentes.
 
Leia abaixo a nota das entidades estudantis: 
 
 
O movimento de ocupações de escolas e universidades tomou o Brasil contra a Medida Provisória 746 da Reforma do Ensino Médio e contra a PEC 241, agora PEC 55 em tramitação no Senado Federal. Este movimento é claramente legítimo ao sair em defesa intransigente da educação pública, gratuita, de qualidade e inclusiva, e já é vitorioso pela dimensão da sua mobilização – já são mais de 1.200 escolas e institutos federais ocupados, além de 139 universidades em todo o país.
 
A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), entidades nacionais representativas dos estudantes, vêm a público condenar o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016 para os estudantes que fariam provas nas escolas ocupadas. O ato do Ministério da Educação causará transtornos a mais de 190 mil estudantes em 304 locais de prova.
 
O diálogo poderia ter garantido a realização do ENEM em todo o Brasil, mas esse não foi o caminho escolhido pelo MEC, que desde o princípio ameaçou os estudantes por meio do cancelamento do ENEM e da responsabilização das entidades e ocupantes. Vivemos nas eleições municipais no último final de semana a realização da votação em coexistência com as escolas ocupadas, propiciado pelo diálogo entre a Justiça Eleitoral e os ocupantes. Hoje mesmo aconteceu uma reunião entre o Inep, a Secretaria de Educação de Minas Gerais e os estudantes que chegaram à conclusão que é possível garantir o ENEM no Estado. Seguiremos nos empenhando nesse diálogo torcendo para que a decisão precipitada do MEC possa ser revertida.
 
É necessário ressaltar que a existência do ENEM é uma conquista do movimento estudantil que lutou em toda a sua história pela democratização da universidade. Por esse motivo, nunca seria o movimento estudantil a impedir a realização das provas, porque sabemos que isso significa a oportunidade de milhares de nós – estudantes de escolas públicas – a ingressarem na universidade. É bom lembrar que vários estudantes ocupantes farão a prova do ENEM.
 
Reafirmamos com a presente nota a luta contra a MP 746 porque achamos que a Reforma do Ensino Médio não cabe numa medida provisória, queremos ser ouvidos para a necessária reforma, queremos o envolvimento de toda a comunidade acadêmica nesse processo. Queremos que pare a PEC 241 (agora PEC 55 no senado), pois ela congela os investimentos em educação e junto inviabilizam o Plano Nacional de Educação.
 
Ao adiar a realização do ENEM nas instituições ocupadas para o mês de dezembro, o ministério tenta lamentavelmente colocar os estudantes uns contra os outros, buscando enfraquecer o movimento legítimo das ocupações. No entanto, não terá sucesso. A juventude se ergueu contra o congelamento do seu futuro, vamos ocupar tudo, vamos barrar essa PEC e a MP do ensino médio com toda a nossa força. Nossa luta não acabou, segue e se fortalece por meio de novas instituições ocupadas e mobilizadas.
 
Reivindicamos:
 
* Pela retirada imediata da MP 746 de reforma do Ensino Médio;
* Pela retomada da discussão do PL 6840/2013 sobre a Reformulação do Ensino Médio, em sua Comissão Especial no Congresso;
* Por um calendário de audiências públicas para discutir e debater a Reformulação do Ensino Médio com a sociedade civil, intelectuais, entidades educacionais;
* Pela não aprovação da PEC 55 (antiga PEC 241);
* Contra a Lei da mordaça (escola sem partido)
 
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES
União Nacional dos Estudantes – UNE
Associação Nacional dos Pós-graduandos – ANPG
 

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2 comentários

  1. Não há decisão precipitada do MEC

    Eles querem claramente usar o pretexo da prova do ENEM para por a sociedade e os alunos candidatos contra o movimento. O que os alunos da ocupação devem apregoar aos quatros ventos e em todas as mídias é que eles querem sim permitir que as provas sejam realizadas. Escancarem com a canalhice deste governo!

  2. Por essa proposta apresentada

    Por essa proposta apresentada pelos estudantes – de fazer as provas do enem em coexistência com os “ocupantes” já dá pra ter uma idéia bastante clara do nível de percepção que esse pessoal tem da realidade. Votar, coisa que vc gasta em média 1 minuto, tem total paralelismo com responder provas, coisa que cada um gasta umas 4 horas…

    E falando em diálogo e democracia, se uma escola tem cerca de 1000 alunos e menos de 50 a ocupam, em que isso é democrático? Em quê isso promove diálogo? Existem ou não espaços mais adequados aos protestos?

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