Movimentos ocupam ferrovia da Vale por justiça a Brumadinho e Marielle; PM reprime

Ação do MST e do MAM bloqueou trem de minérios em Sarzedo, cidade vizinha à Brumadinho (MG)

Mulheres fecham ferrovia denunciando ameaças do modelo predatório de mineração e em memória de Marielle - Foto Agatha Azevedo/MST

do Brasil de Fato

Movimentos ocupam ferrovia da Vale por justiça a Brumadinho e Marielle; PM reprime

Pela memória de Marielle Franco e por justiça às vítimas da Vale pelo rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, cerca de 400 mulheres do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam na manhã desta quinta-feira (14) a ferrovia que transporta minério de ferro extraído da região do quadrilátero ferrífero em Sarzedo (MG), cidade vizinha à Brumadinho. A polícia reprimiu a manifestação e feriu ao menos 10 militantes com bombas e balas de borracha e um membro da imprensa, Nacho Lemus, repórter da Telesur, que acompanhava a manifestação.

“Só houve violência porque a PM queria que o trem passasse para escoar a produção. Para conseguir isso, eles violentaram o corpo de todas as mulheres aqui presentes”, disse Maria Júlia Andrade, da coordenação do MAM.

Entre as pautas, estão a violência da mineração predatória contra as mulheres; a ameaça ao abastecimento de água à população gerada pelas mineradoras e sua irresponsabilidade ambiental, a sonegação da previdência e o não pagamento dos impostos sobre a extração mineral.

“Desde o primeiro momento em que ocupamos a ferrovia, que atravessa a cidade, a polícia agiu com muita violência, tirou nossas cruzes simbólicas pequenas de madeira que seriam para a cerimônia de memória dos mortos e disseram que se a gente não saísse eles fariam à força. As mulheres decidiram continuar nos trilhos para terminar a cerimônia de memória e dez minutos depois a polícia começou a tacar bomba. Temos dez pessoas [machucadas], nove mulheres e um homem”, relata Maria Julia.

Pela vida das mulheres

O ato visava denunciar também os efeitos devastadores causados pelo atual modelo de mineração para as mulheres que vivem em territórios afetados: violência, prostituição, exploração do trabalho, expulsão de territórios, contaminação de rios, problemas de saúde física e psicológica própria e dos filhos, jornadas extensas de trabalho, roubo da água e precarização da vida.

“A jornada deste ano denuncia toda a teia de relações que ameaçam a vida das mulheres. Por isso nosso tema é “Pela Vida das mulheres, somos todas Marielle”. Desde a execução de Marielle por um estado miliciano paralelo, que agora está relacionado à família que assumiu a presidência, até as atividades mais criminosas da mineração, tudo isso faz parte do mesmo sistema capitalista. Quem manda no sistema não se importa com a vida ou com as pessoas, querem mais e mais lucro a qualquer custo. As primeiras a sofrer as consequências disso somos nós, mulheres”, explica Ester Hoffmann, da coordenação nacional do MST, em nota divulgada nesta manhã.

O documento também aponta que Sarzedo é um dos muitos municípios de Minas Gerais ameaçados por barragens. Uma delas, da Itaminas Comércio de Minérios S.A, “poderia acabar com quase metade da cidade”. Movimentos e moradores alertam para problemas nas instalações, paralisadas por liminar da justiça desde 7 de fevereiro deste ano, e se preocupam com a falta de sirenes de alerta em caso de rompimento.

Em Sarzedo também está localizada a mina Jangada, responsável por 7% da produção da Vale, e de onde saíram os rejeitos que soterraram Brumadinho e o rio Paraopeba, matando 308 pessoas e deixando 136 crianças órfãs.

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira

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