Quem está por trás da violência na caravana de Lula no Rio Grande do Sul

 
Jornal GGN – As visitas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em caravana a cidades do interior do Rio Grande do Sul foram marcadas por brigas e violência de um grupo de manifestantes contrários a Lula, incluindo um ruralista que chicoteou apoiadores do ex-presidente e outro que tirou pedras em um professor, que teve que ser levado ao hospital, em Santa Maria.
 
A violência foi duramente criticada na sequência da caravana pelo líder petista. Em São Vicente do Sul, nesta quarta-feira (21), Lula disse que era caso não só de preconceito, mas de ódio. “Vão mandar para nós um pedido de desculpas por tanta grosseria e tanta falta de respeito”, disse no Instituto Federal Farroupilha, acrescentando: “Já comi o pão que o diabo amassou. Não estou disposto a levar desaforo para casa”.
 
E o desaforo tem motivo: por trás das manifestações de integrantes do MBL nas cidades interioranas do Rio Grande do Sul, também estão envolvidos na organização dos atos de violência representantes ruralistas e do agronegócio. Um deles, Sérgio Malgarin, produtor rural, possui ampla influência na região.
 
O líder ruralista foi mencionado em um áudio enviado a um grupo de whatsapp que planejava a tentativa de impedir a entrada do ex-presidente em São Borja, parada realizada nesta quarta (21), quando Lula visitou os museus de Jango, de Getúlio e o túmulo de Getúlio Vargas.
 
A transcrição do áudio foi trazida pelo Diário do Centro do Mundo, e detalha a estratégia: “Eu sugiro que hoje (terça-feira) a gente se reúna no Sindicato Rural, na medida em que as máquinas vão chegando e de lá a gente saia com uma posição firme sobre a questão amanhã, que é para onde nós vamos nos dirigir, nunca esquecendo que, para a gente trancar trevo e achar que vai trancar a entrada do Lula, nós temos que monitorar lá de Santa Maria a saída dele de lá, e seguir para ver”.
 
Produtor rural e de vinhos, Sérgio Malgarin foi secretário da Agricultura de São Borja e mantém grande influência na região. De acordo com Joaquim de Carvalho, do DCM, a pessoa que narra os planos de barrar a entrada de Lula e que menciona Malgarin como um dos organizadores dos atos contrários à caravana é o presidente do Sindicato Rural de São Borja, Viriato Vargas.
 
“Porque senão botam ele para dentro do carro e o carro entra, e nós estamos em todos os trevos, não tem ninguém aqui, e ele faz e acontece. Muita atenção para isso. E a ideia é, no centro da cidade, nós locarmos um carro de som, um trio elétrico da Cosmos Sonorizações, altamente potente, pedir para o Alemão fazer uma coisa forte, e fazer como fizemos em Bagé, não deixar ele falar”, teria continuado, no áudio.
 
A “SEGURANÇA” DA PM EM SANTA MARIA
 
As críticas durante a Caravana Lula pelo Brasil na cidade interiorana começaram com a segurança realizada pela Polícia Militar, que tratou de proteger o grupo antipetista, mas quando havia conflito destes com os apoiadores de Lula, os militares desapareciam.
 
Logo, tumultos e brigas dominaram o evento organizado pelo ex-presidente. Pedras foram tiradas contra os apoiadores do ex-presidente, e o agredido, um ex-professor da Universidade Federal de Santa Maira, local onde foi realizado o evento, teve que ser atendido no Hospital Universitário de Santa Maria.
 
Em meio à multidão, um homem vestido com pilcha, vestuário tradicional da cultura gaúcha, originária dos primórdios da colonização dos pampas, começou a agredir o público favorável a Lula com um relho, o chicote usado para tocar dolorosamente bois, mulas e cavalos.
 
 
Enquanto parte dos favoráveis ao ex-presidente eram membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST), entre o grupo verde e amarelo, contrário a Lula, estavam integrantes do MBL e líderes rurais. Somente quando o conflito já parecia ter saído do controle é que o 2º Batalhão de Operações Especiais (BOE) e a brigada militar chegaram para separar os manifestantes.
 
O FRACASSADO PLANO EM SÃO BORJA
 
Apesar das estratégias e das dezenas de tratores que amanheceram em filas, a postos para impedir a passagem do ex-presidente pela cidade [assista abaixo], os planos deram errado. Alguns deles estavam no trevo de entrada da cidade, mas a equipe de segurança de Lula foi informada de outro caminho, por uma estrada municipal que cruza assentamentos – lembrando que parte dos cordões de proteção à caravana são realizados por integrantes do MST.
 
 
Ainda assim, na entrada à praça XV de Novembro, no centro de São Borja, aonde fica o museu de Getúlio, alguns ruralistas com seus tratores e caminhonetes estavam esperando para receber o ex-presidente e seus apoiadores com confronto. Ao contrário do que ocorreu em Santa Maria, neste caso, a Polícia Militar foi alertada antecipadamente dos planos dos ruralistas, sendo obrigada a atual em proteção. Por isso, o tumulto foi evitado com a presença policial. 
 
“Eu resolvi passar aqui para prestar uma homenagem ao Getúlio, onde está o túmulo dele aqui, para prestar uma homenagem ao João Goulart e também para prestar uma homenagem ao Brizola”, disse o ex-presidente, em seu discurso na cidade, afirmando que não esperava a atuação de “fascistas” no berço destes líderes dos trabalhadores.
 
Confira como foi o discurso de Lula em São Borja, a terra de Getúlio Vargas, João Goulart e Brizola:
 
 
Por isso, apesar dos receios e da violência, a Caravana seguiu seu trajeto normalmente, com o apoio do MST, dos aliados de Lula e da segurança pessoal do ex-presidente. Ainda quando a imprensa tradicional passou a divulgar que a programação do ex-presidente seria modificada, diante das reações dos ruralistas, a executiva nacional do PT emitiu comunicado negando a possibilidade e confirmando que as paradas previstas na Caravana seguiriam as mesmas. Confira, abaixo, o trajeto:
 
 

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