Sem Terra homenageiam Willy Corrêa, compositor que musicou o hino do MST

Enviado por alfeu

Do MST

Por Luiz Felipe Albuquerque

“O hino não fui eu quem fiz, pessoalmente. Apenas moldei aquilo que já existia, de uma tradição revolucionária extraordinária”, recorda Willy Corrêa.

A repulsa à vaidade e ao personalismo talvez seja a grande característica que marca a personalidade do compositor Willy Corrêa de Oliveira, responsável por compor o hino do MST, criado ao longo da segunda metade dos anos de 1980.

Quando homenageado, como foi o caso nesta quarta-feira (5), na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), se diz bastante feliz pelo reconhecimento.

“Por outro lado, me sinto bastante incomodado, porque vivemos num mundo em que a pessoa e o ego são muito fortes. Ainda temos que enfrentar uma grande etapa para cumprir algo mais fundamental, que é erguer uma humanidade em que possamos pensar mais coletivamente e menos individualmente”, acredita.

“O hino não fui eu quem fiz, pessoalmente. Apenas moldei aquilo que já existia, de uma tradição revolucionária extraordinária”, recorda Corrêa, ao explicar que buscou traços fundamentais que identificassem o que estava sendo produzido no mundo socialista da União Soviética e na Alemanha, de Hans Eisler.

Construído a partir do que tecnicamente se denomina de modalismo – quando a música não é composta a partir da harmonia, como usualmente acontece hoje em dia -, o hino do MST procurou resgatar o que já se vinha construindo ao longo dos processos revolucionários.

Clique aqui e confira a letra e o hino do MST

“No começo do Movimento, quando começamos a cantar aquele hino achamos estranho, queríamos outra melodia, nossos ouvidos tinham sido acostumados com um outro estilo”, relembra a Sem Terra catarinense, Irma Brunetto.

Leia também:  Famílias atingidas pela Barragem de Acauã (PB) conquistam terra para reassentamento após 18 anos de luta

A complexidade com que foi formulado originalmente, aos poucos foi minimamente se transformando para que se adaptasse à realidade do povo Sem Terra. Quanto a essas mudanças, Willy recorda sempre ao poema de Bertolt Brecht:

 

De todas as obras humanas, as que mais amo

São as que foram usadas.

Os recipientes de cobre com as bordas achatadas e com mossas

Os garfos e facas cujos cabos de madeira

Foram gastos por muitas mãos: tais formas

São para mim as mais nobres. Assim também as lajes

Polidas por muitos pés, e entre as quais

Crescem tufos de grana: estas

São obras felizes. (De Todas as Coisas)

 

“Talvez o que façam seja melhor e mais importante do que aquilo que compus. Esse hino é um hino de muitos”, acredita o compositor.

Para Manuel Dourado Bastos, professor adjunto de Comunicação Popular e Cultura na Universidade Estadual de Londrina, Willy seria as “várias facetas disso que é a classe trabalhadora. Esses muitos [Wlliy] é um homem que se tornou um compositor que entrega sua capacidade, sua força produtiva, em prol da luta dos trabalhadores do seu país”.

Com a letra de Ademar Bogo, escrita em 1987, e musicado em 1988 por Willy Corrêa, o hino do MST passou então a representar, junto a outros símbolos do Movimento – como a bandeira -, as lutas que se desenhavam naquele período, um signo da unidade em torno de um ideal e que se constitui na mística do povo Sem Terra.

Leia também:  Famílias atingidas pela Barragem de Acauã (PB) conquistam terra para reassentamento após 18 anos de luta

“O hino nos constitui enquanto militantes do MST e da classe trabalhadora. Todas as vezes que o cantamos, reafirmamos nosso compromisso com a luta pela terra, pela Reforma Agrária e pela transformação social”, disse a Sem Terra maranhense Divina Lopes.

Willy Côrrea de Oliveira

Nascido em 1938 na cidade de Recife, em Pernambuco, Willy Côrrea de Oliveira passou pela música popular, pelo nacionalismo musical e música de vanguarda, estudou a música barroca brasileira e a música religiosa em Minas Gerais.

A partir de 1970, lecionou composição e disciplinas teóricas, como linguagem e estruturação musicais, no Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde se aposentou.

Depois de um período de afastamento crítico da assim chamada vanguarda (em suas relações evidentes com os compositores de Darmstadt, tais como Stockhausen, Boulez e Nono) e do meio musical erudito, priorizou atividades em grupos musicais de trabalhadores e sindicatos.

O disco em homenagem à Santo Dias, metalúrgico assassinado pela Polícia Militar em 1979 durante um piquete na zona sul de São Paulo, é uma de suas grandes obras que confirma a entrega de seu conhecimento à classe trabalhadora brasileira.

https://www.youtube.com/watch?v=x7oTXYAhEPI align:center

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

2 comentários

  1. tive um amigo da ECA/USP que

    tive um amigo ECA/USP que era da entourage ideológico-militante do professor Willy

    Willy, meu amigo e outros estudantes uspianos furtavam livrarias e lojas de disco

    anos 70’s 80’s quando não havia sistemas eletrônicos de vigilância nas lojas.

    não era bem um roubo segundo eles: era a expropriação da burguesia…

    marcavam dia tal semana tal do mês tal para suas ações de assalto

    saiam vestidos com capas de frio e blusões com bolsos falsos

    faziam a festa da expropriação cultural nas lojas de sampa

    Willy preferia “expropriar” discos e k7 selos importados

    meu amigo roubava livros e livros de arte/cinema.

    meu amigo, filho de burgueses do interior rico

    tinha ap da hora! na boêmia bento freitas.

    ele viajava todo fim de semana e feriados prolongados, além, é claro! das férias escolares, para as asas da mamãe peituda matrona possessiva…

    amigo generoso do pobretão aqui que morava numa “república miserável” nos ermos da usp, deixava a ordem e a chave do ap para o porteiro deixar eu entrar no paraíso…

    ficava sendo então “minha adorável garçonnière” recheada de livros (muitos roubados) e discos temáticos e uma tv grandona uma cama de casal um sofá macio uma poltrona do papai com abajur carpete e tapetes na sala e dormitório… e da porta pra rua do pecado y boêmia do velho centro: as putas e nem tão putas e as gentes e mulheres que trabalhavam e viviam e transitavam na bento freitas rego freitas major sertório largo do arouche república… nunca tive money money money para frequentar boates e restaurantes e puteiros, mas gostava mesmo era de circular por bares de garçon e botecos de ruas e assuntar e ver e conversar e paquerar… e, nos finalmente da graça alcançada, levar mulheres fortuitas e affaires, discretamente, para minha garçonnière muy amiga muy rica muy intelectual dos bons tempos que não voltam mais…

    por essa época não cheguei a ser apresentado ao professor Willy amigo do meu amigo… nossas agendas crime y castigo nunca coincidiram nas quebradas daquela vida besta pelo centro da sampa anos 70’s 80’s.

     

     

     

     

     

     

     

     

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome