A coleção Disquinho

Encontrei isto:

DISQUINHO – 4023 – 1962 – A Bela AdormecidaBy Cantos Encantos, on março 6th, 2007


Disquinho – 4023 – 1962 – A Bela Adormecida
1.14.201.023

Adaptação e Melodias de Elza Fiuza
orquestração – Radamés Gnattali
narradora – Isis de Oliveira
Elenco – Teatro Disquinho

Multishow reverencia o pássaro-cantor da MPB 
João de Barro, o Braguinha, faz 95 anos e ganha especial no canal da 
GloboSat 

LUIZ CARLOS MERTEN – O ESTADO DE SÃO PAULO 

Nelson Gonçalves – personagem do docudrama de Eliseu Ewald em cartaz na  cidade – foi o rei do rádio brasileiro. Rainha foi ela, Emilinha. Houve  outras que também reinaram no rádio do País, nos áureos tempos da Nacional: a estrela Dalva, Marlene, que vivia num eterno clássico com Emilinha, o Coríntians e Palmeira, o Fla-Flu, o Gre-Nal das cantoras do rádio. Emilinha e Miúcha marcam presença no especial sobre Braguinha que o Multishow mostra hoje. As duas falam sobre o compositor, lembram seus sucessos. O biógrafo de Braguinha, Jairo Severiano, e o produtor musical Almir Chediak, completam as informações. O próprio Braguinha quase não fala, mas está ali presente, o 
tempo todo em cena. 

Boa parte das imagens que compõe o material de arquivo do especial foi retirada do show em homenagem ao 90.º aniversário do compositor. Braguinha nasceu na Semana Santa de 1907, mais exatamente, na Sexta-Feira da Paixão, daquele ano. As procissões passavam pela Rua da Gávea quando o menino entrou no mundo chorando, o parto feito em casa mesmo. Agora, em outra Semana Santa, o rei das marchinhas carnavalescas recebe a homenagem do Multishow, da GloboSat. O programa chama-se Por Trás da Fama. Não deixa de ser o Retratos Brasileiros do canal. Sua exibição, hoje, antecipa a festa dos 95 anos de Braguinha na sexta, dia 29. 

Carlos Alberto Ferreira Braga é seu nome registrado em cartório, mas para identificar o autor de Chiquita Bacana, Copacabana, Touradas em Madri e Pastorinha os nomes são outros. Braguinha, como ele ficou conhecido, ou então João de Barro, que lhe valeu a alcunha de pássaro-sambista da música brasileira. Falam a mulher, Astréia, a filha, Maria Cecília. Ela lembra outra faceta do singular talento do pai. Além de rei do carnaval, ele também foi um mestre da produção audiovisual para crianças. Audiovisual, sim. Apresentado a Walt Disney, ele incumbiu Braguinha de fazer a dublagem de Branca de Neve e os Sete Anões, quando o desenho estreou no País, nos anos 30. Desfilam as imagens dos anões ao som de “Eu vou/eu vou/Pra casa agora eu vou…” Na seqüência, Maria Cecília lembra os discos com músicas infantis do pai, os espetáculos teatrais que ele ajudou a montar. Braguinha era um grande contador de histórias para ela. Quando Maria Cecília não gostava do final, ele improvisava. 

Compôs serestas e marchas-ranchos, mas a consagração veio com as marchinhas de carnaval. Muita coisa do que os foliões vêm cantando ao longo dos últimos 60 ou 70 anos deve-se à inspiração do artista que irrompeu de maneira meio involuntária na história da MPB. Braguinha tinha lá seus 16 anos. Já versejava, mas nunca tinha um instrumento musical. Foi quando irrompeu na vida do jovem carioca um amigo do Rio Grande do Sul, Henrique Brito (que tem direito a foto e tudo no especial). Com ele Braguinha aprendeu rudimentos de violão. A lenda, e deve ser verdadeira, é que não sabe nenhuma nota musical. Compõe assobiando, o que não impede que muitas de suas composições exibam grande riqueza harmônica e melódica, como não se cansam de dizer os críticos que o entronizaram no panteão dos grandes da MPB. 

Miúcha destaca uma das características da grande arte de Braguinha: a simplicidade. Diz que ele nunca quis fazer músicas para a posteridade. Queria ser cantado por seus contemporâneos. Miúcha canta trechos dessas músicas. São versos simples e diretos, mas nem por isso menos bonitos. Marlene relembra os tempos do rádio. E os grandes sucessos carnavalescos de Braguinha rolam em cima de imagens de arquivo do carnaval de rua no Rio, quando o desfile das escolas de samba ainda não havia se transformado no maior espetáculo da Terra e o carnaval ainda tinha o caráter espontâneo que terminou engessado na profissionalização da folia. 

Há alguma controvérsia quanto aos números dessa carreira. Alguns críticos e historiadores listam uma produção de cerca de 450 títulos, outros garantem que Braguinha teve mais de 500 composições gravadas entre os anos 30 e os 60 do século passado, a maioria delas com Alberto Ribeiro como parceiro. Justamente, as parcerias. Com o grande Pixinguinha, gravou um dos maiores clássicos da MPB: Carinhoso. O nome João de Barro escolheu ao formar, em 1930, o Bando dos Tangarás, pássaros que cantam em grupo, em companhia de Noel Rosa e Almirante. Aparecem as imagens de Noel. O especial é um regalo para fãs de Braguinha e da MPB em geral. 

Crianças ganham mais 20 títulos da Coleção Disquinho 
MAURO DIAS – O ESTADO DE SÃO PAULO 

Ao assumir a direção artística da gravadora Continental, em 1943, Braguinha tinha filha pequena e, um pouco para ela, um pouco por vislumbrar o mercado inexplorado, começou a produzir discos para crianças. 

Os dois primeiros foram adaptações de Branca de Neve e os Sete Anões, gravado por Carlos Galhardo, Dalva de Oliveira e Os Trovadores, e Chapeuzinho Vermelho. Veio em seguida a coletânea de Cantigas de Roda. As histórias tinham composições originais de Braguinha. Os três volumes mereceram direção musical e arranjos de Radamés Gnattali. 

Era a Coleção Disquinho. Tinha capas coloridas e tornou-se paixão das crianças da época. Continuou sendo paixão das crianças até o fim anos 80 (já no formato de compacto de 33 rotações), quando saiu de catálogo. O acervo da 
Continental foi incorporado pela gravadora WEA e ficou parado lá por algum tempo. 

No ano passado, a WEA providenciou a remixagem digital dos títulos da Coleção Disquinho e pôs no mercado 25 deles, em CD, incluídos os três mencionados, preservando capas originais. 

Sucesso imediato. A tiragem inicial, de 10 mil exemplares de cada título, esgotou-se. Promete-se o relançamento da primeira leva. 

Enquanto isso, a WEA entrega ao público novos 20 títulos. A embalagem dos mini-CDs continua mantendo as ilustrações originais. Pena que continue mantendo, também, os parcos créditos originais: autoria da adaptação e dos  arranjos. Nem sempre se sabe quem são os cantores e narradores das historinhas, que, em vários dos discos, aparecem escondidos no rótulo coletivo de Elenco do Teatro Disquinho (créditos completos, aqui, só 
apareceram nas capas nos anos 70). 

Braguinha manteve-se produtor da Coleção Disquinho, mas em grande parte outorgou as adaptações e composições a outras pessoas – Elza Fiúza (autora, ela mesma, de algumas historinhas e melodias), Sílvia Helena Fiúza. As histórias são adaptadas de lendas indígenas, do domínio público, de contos de Andersen, Grimm. Domício Augusto, Nely Martins ou o próprio Braguinha assinam algumas das historinhas. 

Os novos 20 títulos são: A Roupa Nova do Rei; O Casamento do Sapo; O Macaquinho Travesso/ A Galinha Ruiva; Viveiro de Pássaros; A Boneca e o Palhacinho; O Veado e a Onça; O Leão e a Cobra; O Violino e o Gato; O Rouxinol do Imperador; Dona Galinha e Seus Pintinhos/ O Burrinho Tró-ló-ló; Era uma Vez uma Baratinha/ As Empadinhas de Sinhá Marreca; Picolé – O Bonequinho de Neve; As Aventuras do Macaquinho; A Goela do Inferno; O Pintinho Quiquiriqui; Os Coelhinhos da Páscoa; O Velho, o Garoto e o Burro; Os Três Machados e os Três Desejos; Dona Coelha e Seus Filhotes; O Macaquinho e o Totó/ Briga no Galinheiro. 

Os discos podem ser comprados em separado. Preço sugerido pela gravadora: R$ 9,90 por título. 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

1 comentário

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome