A Java Trágica do compositor Limpinho da Silva, por Luciano Hortencio

Artur Castro canta JAVA TRÁGICA (Flor de Lis) de Limpinho da Silva.

A Java Trágica do compositor Limpinho da Silva

por Luciano Hortencio

Confesso que o que chamou-me a atenção nesse fonograma foi o nome inusitado do compositor: Limpinho da Silva. Além disso o título é bem enigmático: Java Trágica (Flor de Lis). Claro que se infere, pela narrativa contida na letra, que o significado da palavra refere-se a vida trágica, história trágica, porém, por mais que procurasse, não encontrei o significado para java… Encontrei a ilha de Java e Java script…

Solicitei o fonograma ao amigo Nirez e tomei um susto com a dificuldade que tive de decifrar a letra. O mestre explicou-me que as gravações da Imperador eram mecânicas, o que dificulta a audição.

Curioso como um gato e teimoso como um asno, passei a tatear para transcrever a letra. Consegui pouca coisa.

Graças ao espírito de colaboração e o desprendimento do Mestre Nirez, de sua filha, a bibliotecária Terezinha de Azevedo Narbal e à boa amiga, atriz e professora Lúcia Bezerra de Paiva, conseguimos completar a bela e trágica letra do compositor Limpinho da Silva.

Possivelmente ainda há trechos que carecem de sentido, porém o cerne da composição foi decodificado e o transmitimos agora.

É verdadeiramente trágica, porém muito bela a única composição gravada em disco do compositor Limpinho da Silva.

Lá onde tudo é dor
Onde existe o amor
Não o que se espera
Flor de Lis, Flor Mulher
Solte amor, suas feras
Mas a sorte ia sorrir
Pobre Flor de Lis
Chora e cai vencida
Sem poder sequer soltar as fitas
No horror desse amor
E ela coitada. que era tão risonha
Hoje a penar passa a vida bem tristonha.
Diante deste amor que sua alma espezinha
A cada dia definha
À noite fica sozinha no abandono
E já não dorme porque não tem mais sono
E quando o mal ao voltar suar faz
Envolve em meio suas garras.

Leia também:  Maldito amor, onde estás agora..., por Luciano Hortencio

Certo dia porém
Conheceu alguém
Que sempre sonhara
E o seu coração
Como nunca ocupara.
E se atirou então
Com excitação a o seu novo amor
Na esperança que o seu penar
Viesse enfim se acabar
E na ilusão de que tudo ia acabar
Como feliz ia ser, pôs-se a pensar
Os lábios seus em riso se abriram
Oh! Entre rosas fugiram
Mas seu amor que de tudo já sabia
Foi -se o rapaz ante ela, nesse dia
Morreu sorrindo sentindo-se feliz
Desgraçada flor de lis.

Artur Castro – JAVA TRÁGICA (Flor de Lis) – Limpinho da Silva.

Disco Imperador 1.067.

Ano de 1926.

Arquivo Nirez.

Coisas que o tempo levou.

luciano hortencio.

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