A morte de Onofre Tito

Sou acordado às 6:30 por um telefonema. Era a esposa de Onofre Tito, comunicando sua morte e o translado do corpo para nossa Poços de Caldas.

Quem era Onofre? Para fora, um contador que cumpriu com seriedade sua profissão, desde os tempos da farmácia do Cirillo em Poços, até o longo período que morou em São Paulo. Vida normal, apagada até, algum megalomaníaco diria que passou a vida em branco? Bobagem.

Para dentro, era o mais doce dos poçoscaldenses. Na infância chamávamos de “dedos de veludo”. Tocava um violão gostoso com o regional do tio Léo, pelo menos uma vez se apresentou no conservatório de Poços, tocando valsas. Era o encanto da molecada da nossa geração, o primo Oscar – que está em Poços – primas e irmãs que se encantavam com as noitadas serestas no tio Léo, seja solando, ou fazendo fundo sonoro para os sonetos com que Chavinho e Basquá – o grande Sebastião Pinheiro Chagas – com suas vozes de tribuno encantavam nossos saraus.

Mudando-se para São Paulo, foi autor de um feito: a introdução no repertório do choro paulistano da valsa “Feia”, de Chico Neto, de 1930. Os poçoscaldenses aprenderam com Bié Mesquita, fazendeiro de São Sebastião da Grama que foi estudar medicina no Rio, nos anos 20, e voltou com um diploma de violonista. Só quando Radamés Gnatalli nos acompanhou numa pizza, em noite inesquecível, ficamos sabendo o nome do autor.

Estava sempre disposto para as rodadas. Não faltava a um convite, sempre com os modos doces, de uma gentileza própria dos que vieram das alterosas. Conservadíssimo, ninguém dizia que estava perto dos 80 anos.

Que os amigos do choro sejam avisados, que os poçoscaldenses recebam uma figura doce, que passou pela vida espalhando carinho e amizade.

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