A vida de uma das cantoras mais brilhantes da música negra

Jornal GGN – O racismo da sociedade norte-americana da década de 1940 tirou o sonho da jovem Eunice de ser pianista clássica. O amor ao instrumento começou quando, desde pequena, acompanhava a mãe, pastora da Igreja Metodista, nos cultos religiosos.

Mas a música era a sua forma ideal de externarlizar sentimentos, tristezas e convicções. Então Eunice acabou cantando blues e jazz em barzinhos de Atlantic City, usando o pseudônimo de Nina Simone, para esconder de sua mãe.

A “vida dupla” para a família não se manteve por muito tempo escondida, pois ao final dos anos 1950 a voz de Nina já era famosa e seus discos eram vendidos em larga escala.

Esses são alguns trechos da vida de uma das mulheres mais brilhantes da música negra norte-americana, mostrado em um novo documentário exibido pelo Netflix e abordado na coluna de André Barcinski, na Folha de S. Paulo.

Por André Barcinski, Folha de S. Paulo

Documentário do Netflix revela as cicatrizes do racismo por Nina Simone

Um novo documentário, disponível no Netflix, joga luz sobre uma das personalidades mais cultuadas e enigmáticas da música do século 20: a cantora Nina Simone (1933-2003). “What Happened, Miss Simone?” foi produzido com apoio da família da norte-americana, que cedeu fotos e imagens raras ou inéditas.

O resultado é um perfil abrangente e informativo sobre uma cantora fora de série, para quem a música sempre foi uma válvula de escape para suas tristezas e convicções sobre a sociedade e a política.

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Nascida Eunice Waymon em uma família pobre de oito irmãos na Carolina do Norte, começou a tocar piano em cultos ministrados pela mãe, uma pastora metodista. Eunice sonhava em ser pianista clássica, mas o racismo vigente à época impediu os planos da menina, que acabou cantando blues e jazz em clubinhos de Atlantic City. Para que a mãe não a descobrisse, Eunice adotou o nome artístico Nina Simone.

 Divulgação Cena do documentário "What Happened, Miss Simone?"Cena do documentário “What Happened, Miss Simone?”

No fim dos anos 1950, Nina já era famosa por sua voz profunda e marcante. Seus discos vendiam muito. Em 1961, casou com Andrew Stroud, um policial que largou a carreira para virar seu empresário. O relacionamento dos dois era conflituoso e marcado por brigas terríveis. A cantora acusava o marido de espancá-la regularmente.

O filme mostra Nina Simone como uma mulher insegura, profundamente marcada pelo racismo que sofrera na infância e pela violência do marido. No início dos anos 1960, quando a tensão racial e social crescia nos Estados Unidos, ela começou a cantar letras políticas e antirracistas, como a furiosa “Mississippi Goddam”. A venda de discos caiu e as ofertas de shows rarearam.

Os últimos 25 anos da vida de Nina Simone foram uma tristeza só: falida e sofrendo de depressão e de câncer, ela acabou tocando em pequenos clubes para os poucos aficionados que ainda a cultuavam.

Assistindo aos muitos números musicais mostrados no filme, é impossível não se convencer de que nunca houve uma cantora como ela.

17 comentários

  1. Uma mulher de fibra, uma

    Uma mulher de fibra, uma artista rara, tudo que pôs a mão virou ouro, assim como a magistral Elis, sua versão de Here Comes The Sun é maravilhosa.

  2. “Mais brilhante da música

    “Mais brilhante da música negra?””

    Não, não, não!!

    Foi a maior cantora de qualquer música, de qualquer cor.

    Ela era de outro planeta. Não há comparações.

     

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