A voz do sonho, o cd de Artur Araújo, por Aquiles Rique Reis

As canções contam histórias como num livro: “Elas falam muito sobre mim, sobre a minha trajetória para vir do Ceará para Minas"

A voz do sonho, o cd de Artur Araújo, por Aquiles Rique Reis

Hoje trataremos de Morada dos Ventos (por Lei Aldir Blanc – MG), disco de estreia do cantor e compositor cearense Artur Araújo. Contendo músicas inéditas, o álbum traz à luz os sonhos do jovem Artur.

As canções contam histórias como num livro: “Elas falam muito sobre mim, sobre a minha trajetória para vir do Ceará para Minas, tendo todo esse contato com os meus mestres que são da grande escola do Clube da Esquina”, revela ele.

Encantei-me com a exemplar concepção das composições, todas dele, algumas em parcerias (com Luiz Henrique Garcia, Edelson Pantera, Thales Mendonça, João Paulo Avelar, Carlos Adriano e Adriano Menezes). Emocionei-me com o arrebatamento com que são apresentadas por ele e pelos instrumentistas – valorizando-as. Sonhei, então, ver Artur levando seus sonhos a plateias que o perceberão como um cara a ser inscrito no seleto grupo de músicos que importam.

Produtor, diretor musical e arranjador das bases, Artur abre os trabalhos com “O Som do Pensamento” (dele). A intro, com um naipe de metais (arranjo de João Machado), entrega para o cantor dizer: “Toda lição que eu aprendi/ Me fez olhar pro infinito/ E enxergar as cores/ Ouvir o som do pensamento”. A levada garante o brilho de uma harmonia criada com absoluto frescor, proporcionando à melodia uma vivacidade natural, cantada com sabedoria por Artur.

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“Belo Horizonte” (AA e Edelson Pantera) tem produção musical a cargo de Toninho Horta, que ainda canta e, claro, toca guitarra. A intro tem sons de pássaros, desenhos improvisados de Toninho e do baixo fretless de João Paulo Avelar. Revelando um quê de Guinga, a melodia como que flutua pelas montanhas de Minas. A batera de Cyrano Almeida agita, enquanto a guitarra de Toninho bem dedilha sua genialidade até desembocar num intermezzo, junto à flauta de André Siqueira.

Além disso há a bela capa de Leonora Weissmann, o bom trabalho do designer gráfico Otávio Bretas, músicas muito bem gravadas (Enéias Xavier, Guegha San, Ian Veiga e João Márcio) e mixadas (Enéias Xavier)… Olha só, gente boa, sem dúvida, Artur Araújo veio prum arraso total.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4 desde 1965.

Instrumentistas: violões aço e náilon: Artur Araújo; violão, baixos elétrico e acústico: João Paulo Avelar; guitarra: Lucas de Mello; percussão: Daniel Guedes; João Machala: trombone; Breno Mendonça: sax; Ulisses Luciano: trompete; percussões: Daniel Guedes e Cyrano Almeida; flautas, pífano e efeitos: André Siqueira; piano e teclados: Lucas de Moro; violão, bandolim, teclados, sintetizadores e assobio: Pedro Volta Teixeira; bateria e percussão: Cyrano Almeida; acordeonista convidado: Christiano Caldas; participação especial (voz): Bárbara Barcellos; participação especial, arranjos vocais: Tutuca Tiso; guitarrista convidado: Beto Lopes; participação especial (voz): Mariana Nunes; contrabaixo acústico: Neto Bellotto; sampler sino de igreja: Pedro Fonseca; vibrafonista convidada: Natália Mitre; vocais: Artur Araújo, Lucas de Mello e Dudu Amendoeira.

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