As composições de Zé Fortuna

Enviado por JNS

Lembranças

Zé Fortuna compôs cerca de 2500 composições, sendo 900 inéditas, e 42 peças teatrais.

O poeta José Fortuna escrevia com a alma, conversava com os passarinhos e com as estrelas, falava com a natureza e compunha com o coração. Coração este que um dia parou de repente, mas certamente continua pulsando em sua alma de menino, compondo lindos versos em uma dimensão maior que esta, tendo como mesa o azulado infinito do céu, e a caneta invisível e misteriosa do além. Poeta rodeado de anjos lindos e sabidos, que transmitem aos nossos corações uma saudade gostosa, sem limites, que quanto mais o tempo passa, mais se torna dolorida.

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Por que muitas coisas chegam e vão embora tão depressa? Algumas, às vezes, passam até desapercebidas, mas não quase meio século de união e trabalho. Essa é a história de dois irmãos unidos na vida e na música, o famoso Pitangueira, que juntamente com seu irmão, José Fortuna, formaram uma das mais importantes duplas sertanejas que o Brasil conheceu: Zé Fortuna e Pitangueira. A dupla logo se tornou um trio, quando se juntou a Zé do Fole, passando a ser conhecidos como Zé Fortuna, Pitangueira e Zé do Fole – “Os Eternos Maracanãs”.

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Estes personagens simples tem como maior riqueza suas obras imortalizadas no mundo fonográfico, espalhadas por este Brasil a fora, com melodias inigualáveis, descrevendo o sertão onde viveram e cresceram, nascidos em casa de barro, convivendo desde a infância com a natureza, e tendo a enxada como símbolo do trabalhador rural. (José Caetano Erba, compositor)

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Zé Fortuna foi cantor, compositor, autor teatral e ator. Começou a compor ainda criança, quando acompanhava o pai em andanças pela lavoura, escrevendo versos no chão de terra com um pedaço de madeira.

https://www.youtube.com/watch?v=h6xIJmVpmCs height:394

É o autor brasileiro com o maior número de músicas gravadas, com cerca de 2500 composições, destas 900 músicas inéditas; além de 42 dramas teatrais em 40 anos de carreira.

“Meu Primeiro Amor”, a versão para “Lejania”, composta no mesmo ano para o outro lado do disco que trazia “India”, uma canção muito regravada, que foi relançada por Joana e Fagner. Uma curiosidade é que “Índia”, foi a responsável pela introdução da guarânia como estilo musical no Brasil, posto que até então tal gênero musical era desconhecido por aqui, não possuindo mercado propício para a sua expansão, e assim sendo, após o enorme sucesso gravado por Cascatinha e Inhana, intensificou-se o intercâmbio cultural entre o Brasil e o Paraguai. Estas duas guarânias, bem como outras de autoria de José Fortuna, tais como: ANAHY, SOLIDÃO, MINHA TERRA DISTANTE, VAI COM DEUS, etc… geraram inúmeras regravações, inclusive no exterior.

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Um de seus maiores sucessos, a versão da guarânia “ìndia”, composta há sessenta anos, do outro lado de “Meu Primeiro Amor”, também versão de José Fortuna, gravados originalmente por Cascatinha e Inhana, no ano de 1952, músicas que chegaram a vender na ocasião mais de um milhão de cópias. Estas duas composições foram regravadas por dezenas de duplas sertanejas, como também por intérpretes da música popular brasileira, como Agnaldo Timóteo, Ângela Maria, Nara Leão, Caetano Veloso e Maria Bethânia. Gal Costa regravou “Índia”, nome dado a um de seus shows no Canecão-RJ. A canção foi tema de novela e teve a interpretação de Roberto Carlos.

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Um fato curioso acontecido em sua vida, foi quando da inauguração da cidade de Brasília, ocasião em que José Fortuna têve o prazer de receber das mãos do então Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, um cartão de congratulações e mérito por sua composição “SOB O CÉU DE BRASÍLIA”, tida como o Hino Inaugural de Brasília.

http://elizabethdiariodamusica.blogspot.com.br/2010_12_19_archive.html

Tributo a Zé Fortuna em junho do ano passado no blog:

http://jornalggn.com.br/noticia/o-grande-ze-fortuna-o-poeta-caipira

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13 comentários

  1. Infelizmente no Brasil,

    Infelizmente no Brasil, existe muitos gênios escondidos e sem espaço,, por causa de alguns poderosos de plantão da nossa mídia. 

    • Don Cláudio

       

      A mídia FDP, através do Axé baiano e outros absurdos, desde sempre, detona/destrói/fode a Cultura Popular.

      Reconheço o valor industrial das micaretas e outras punh(*)tas, que são cometidas em nome da música, vindos da Bahia, que geram empregos e fazem a economia girar no Estado dos meus sonhos: a Bahia Boa!

      Diante do massacre, quem é a criança ou jovem imbecil que desperta o interesse por uma tradicional Festa de São João?

      Por outro lado, o que acontece quando toca o som do Ivetão?

      Resignado, “morro de sunga branca, usando um óculos branco espelhado, uma corrente de ouro ou similares, aquele boné estranho e um tênis de mola. Ah!, sem esquecer-se da chave pendurada no pescoço – abominável, repito…”

      Ressalva:

      Não quero ouvir o nobre Pixinga ou a Velha Guarda do Sertão prá esquentar a zoeira instalada à beira do mar baiano.

      Pode tocar a Ivete – não vai matar ninguém, alí, não -, mas o massacre da mídia já torrou o meu saco há muito tempo.

      Abs.

  2. esse é o brasil que a gente

    esse é o brasil que a gente ouve e se emociona porque

    tem de tudo um muito que comove sempre.

    num lance de genio zé fortuna ajuda a integração latino-americana!!! 

    é tão emocionantre ouvir menino da porteira quanto ínida e meu primeiro amor.

    nossa memória  agradece a essa relevante lembrança do jns. 

    a arte é a multiplicidade de emoções e sentimentos que

    alguns ainda não sacaram, preferindo

    o fundamentalismo que restinge a vida a um só diapasão

    de pensamento que só tolhe a nossa existencia

    como seres transformadores da realidade.

     

  3. Os “antigos” e os tediosos entendidos

    Adoro os meus sobrinhos e sobrinhas e outras crianças que possuem um olhar diferenciado em relação ao mundo adulto, mas eu não troco nada por um papo prolongado com as pessoas com mais idade que são oriundas do sertão ou moram lá.

    [video:http://youtu.be/AHFYee_g7hU width:600 height:450]

    Descubro coisas novas e muita sabedoria acumulada por todos e me sinto um verdadeiro Rei, quando eu sou bem tratado e reverenciado pelas pessoas simples que, surpreendentemente, ainda conservam o espírito despojado da malícia e das desgraças da urbanidade.

    Lá no sertão, no interior do mato, o povo naõ ouve o mito Louis Armstrong ou o mágico Pixinguinha.

    As pessoas, de lá, gostam de moda de viola, de sanfona e de versos que cantam a vidinha de lá – encontros e desencontros – que eles vivenciam, sem script intectualoide.

    [video:http://youtu.be/tA6ezJ24a-w width:600 height:450]

    Os mais velhos, os valentes que são curtidos no solão inclemente que castiga os corpos esculpidos na labuta na roça, não, nunca, jamais vão curtir as canções do Pink Floyd ou dos Beatles (em inglês?, fala sério).

    Toque um som do Cascatinha e Inhana procê vê…

    Serve também unzinho do grande Lua, do Pena e do Xavantinho, Tonico e Tinoco, Zé Fortuna e Pitangueira, Tibagi e Miltinho, Nenete e Dorinho e outros craques de uma imensa lista esnobada pelos tediosos entendidos das estrelas amarelas.

    [video:http://youtu.be/YgMcgMw2Y8E width:600 height:450]

    Quem – foda-se! – se importa se o cara está semitonando, transtornando ou desafinando?

    São canções que emocionam essas pessoas boas.

    É a realidade que eles vivem.

    É disso que eu gosto…

    [video:http://youtu.be/SdqKjuZdG5c width:600 height:450]

    Abraços ao Cafezá, “uma flor de pessoa!”

    • A Flor do Campo

       

      A india Diacuí foi mais uma vítima da imprensa; da ganância dos poderosos que precisam ganhar dinheiro vendendo notícias escandalosas.

      Aos vinte e nove dias do mês de novembro de 1952, numa das cerimônias mais concorridas do Rio de Janeiro, celebrou-se o casamento da índia Diacuí, com Ayres da Cunha, funcionário da Fundação Brasil Central, lotado na Base de Aragarças.

      Marcada para as 15h00, só as 16p0 teve início a cerimônia religiosa, com a chegada da noiva, que entrou no templo da Candelária apoiada no braço do seu padrinho, o Jornalista Assis Chateaubriand.

      Ayres da Cunha já ali se encontrava no local, desde uma hora antes, bem como vários caciques da tribo Kalapalos, do Alto Xingu, e milhares de convidados e curiosos.

      O primeiro casamento de um branco com uma índia ocorrido no Brasil, foi na época, questionado: havia, realmente, um forte sentimento de amor do sertanista pela índia Diacuí ou havia a pretensão de se tornar um dos herdeiros dos Kalapalos, proprietários de vastas áres de terra no Alto Xingu?

      As vésperas do nascimento da sua primeira filha, Ayres da Cunha partiu para Aragarças.

      Diacuí Câmara Cunha, a índia cujo casamento na Candelária, Rio de Janeiro, foi mais ruidoso que as bodas de D. Pedro II, morreu de complicações no parto, envolvida em uma série de fatos lamentáveis, colhidos pela imprensa, que constituem um mistério indevassável para o pessoal graúdo da Fundação Brasil Central.

      O sentimento velado do triste casamento de Diacuí com o sertanista branco, permitiu concluir que Diacuí, cujo nome quer dizer “Flor do Campo”, morreu em conseqüência da orotodixia da FundaçãoBrasil Central. – e o que é mais estranho – do próprio Ayres da Cunha.

      Diacuí estava preste a dar a luz a qualquer momento, e, não obstante esta certeza, Ayres da Cunha deixou a índia entregue à sua própria sorte, voando para Aragarças, que fica ha 600 quilômetros, mais ou menos do Posto do Kuluene.

      Ayres não assistiu a morte de Diacuí, vitimada pela hemorragia pós-parto, e, quando voltou de Aragarças, seu corpo estava sepultado há dois dias.

      |As informações e as imagens foram resumidas dos blogs Goiabada e Multiversos da Palavra.

    • Afortunado Tenor

      Faço minhas as palavras do poeta Zé Fortuna

      És um raio de sol em meus dias sem luz 
      um lampejo de amor e de paz 
      que meus passos nas trevas conduz 
      És um raio de sol de suave calor 
      que raiou no inverno dos dias meus 
      onde eu encontrei teu amor.

      Qual um trigal em flor no campo a ondular 
      os teus cabelos loiros deu-me a sensação 
      das ondas sobre o mar, a brilhar na luz do sol 
      aonde naufragou todo o meu coração 
      Quando a desilusão minou todo meu ser 
      e o céu de meu viver de luto escureceu 
      surgiste para mim como o sol no amanhecer 

      Um romântico inveterado, que vai direto ao assunto.

      Sem rodeios…

  4. + comentários

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