Jacob do Bandolim plagiou Canhoto da Paraíba? Por Urariano Mota

Por Urariano Mota

Foram cinco movimentos.

No primeiro deles, publiquei em meu blog, em 23 de junho de 2007, aqui:

Escrevo este post com a sincera esperança de que eu esteja errado, de que tudo não passe de puro engano.

Confesso que senti um arrepio diante da, não digo nem descoberta, insinuação de que Jacob do Bandolim houvesse feito um plágio. Na Música Popular Brasileira Jacob é um dos nossos deuses – vá lá, dos meus deuses. De tantas lembranças, vêm de imediato o solo e o acompanhamento que ele faz com Mulata Assanhada, ao lado de Elizeth Cardoso, a miséria que ele pinta (“pintou miséria”) em Barracão, a divulgação de virtuose que ele fez do choro, isto é uma grata e permanente lembrança. Se ele não é exatamente um dos nossos compositores fecundantes, ele é, pelos arranjos, pela maestria de suas cordas, pelo apuro na escolha do repertório, um dos nossos deuses. Quem interpreta, sabe-se, também cria. Todo grande intérprete é um co-autor.

Com essa introdução não pensem que eu sou o bom pistoleiro, aquele gentil, educado, que pede licença e desculpa à vítima, e depois lhe dá um tiro no crânio. Escrevo agora contra um gosto e uma admiração pessoal. Escrevo como se falasse de uma traição contra a minha pessoa, uma traição de afeto. Mas faço isto por um compromisso com essa coisa chata, incômoda, mal educada, brutal, de matar de vergonha, a que muitos dão o nome verdade. Aos fatos.

Domingo passado, estive na casa de Canhoto da Paraíba para levar a ele um presente, o magnífico trabalho de choro de Carlos Henrique Machado, o Vale dos Tambores. Então lá pras tantas da tarde de 17 de junho ele me sussurrou, como se nada dissesse: “Eu tenho uma música que foi plagiada”. Como ele fala com muita dificuldade agora em razão do AVC, eu lhe devolvi, “O quê?”. Ele repetiu, “Plagiaram uma música minha”. E eu: “Que música?”. Ele: “Tua Imagem”. E quem plagiou? Então houve – sintam o bloqueio no peito, na memória de Canhoto, sintam o quanto é caro também para ele o artista do plágio – porque houve nele um branco, um lapso, um equívoco, e me respondeu: “Foi Joel”. E com que título? Desta vez, no entanto, ele disse o nome certo, sem sombra de dúvida, com dicção audível para qualquer entendimento: “Horas vagas”. E completou: “Mas foi só uma parte”.

Quando cheguei em casa, danei-me a pesquisar no google, na web, a relacionar “Horas vagas” com Joel, e nada. Depois, relacionei na busca “Horas vagas” com choro. E lá no sexto resultado apareceu com o nome de O Fino do Choro a informação Horas vagas. (Jacob do Bandolim). Não podia ser, alguma coisa estava errada. Relacionei então o nome da música a Jacob: apareceram 520 resultados. Bom, mau, eu não tinha a composição para retirar a dúvida. Canhoto da Paraíba está na altura de 81 anos, tem lapsos, poderia ser, não poderia ser.

Nos primeiros acordes de Horas Vagas tive um choque. Uma revolta. Um profundo desapontamento. Me senti como um menino que perdeu um bem precioso ao coração. Canhoto está e estava certo. Errou apenas o nome, que eu não queria confirmar.

No segundo movimento, continuei no texto Plágio e Canhoto da Paraíba, publicado no La Insignia em primeiro de julho de 2007:

A delimitação do que é plágio, esse fenômeno tão óbvio a qualquer entendimento, nem sempre é clara à luz e trevas das disputas nos tribunais. A razão para isso é simples: delimitar o plágio, de um ponto de vista da Lei, é o mesmo que pôr limites e regras e definições precisas ao próprio ato de criar. Queremos dizer, devemos dizer, o plágio é irmão da criação, por mais revolta e raiva nos cause esse parentesco.  

Como identificar o plágio em uma canção? Refiro-me, claro, a uma cópia que não seja puro e simples ato de bandido, refiro-me a uma cópia que vá além do furto ou do roubo consciente de autoria. Na música também há citações, e aqui elas não precisam de aspas, ou intervalos onde se declarem em alto e bom som, “trecho agora de fulano”.

Quando escrevi “Jacob do Bandolim plagiou Canhoto da Paraíba?”, eu não imaginava o grau de dificuldade em que eu caíra. A princípio, eu julgava que o maior obstáculo era emocional, pois eu insinuava ali que Jacob do Bandolim havia plagiado Canhoto da Paraíba, e isso era um crime contra todo o respeito que eu sempre devotei a Jacob. Ele, Jacob do Bandolim, o extraordinário bandolinista, ele, o compositor de obras imortais, ele, um dos divulgadores do talento de Canhoto da Paraíba, teria enfim furtado uma obra de quem ele próprio amava? Note-se, o caso aqui não é de semelhança, de aparência por lembrança. A introdução de Horas Vagas está mais para cópia, com uma velocidade maior que o fraseado de Tua Imagem. Não é sample, um trecho de amostra de outra música. É bem maior que quatro acordes, número pelo qual foi condenada a cantora Madonna, por sua canção Frozen. É um pouco mais que George Harrison, condenado porque My Sweet Lord possuía plágio no começo e em 5 notas de He’s so fine, de Ronnie Mack Observem que o tema principal de Tua Imagem – o motivo condutor, desde o começo – é retomado em vários momentos de Horas Vagas, seja como repetição pura e simples, seja como uma variação que guarda o parentesco harmônico. As duas composições possuem um desenvolvimento distinto, é certo. Mas é um desenvolvimento do mesmo tema de Tua Imagem. O espírito é único nas duas.

No terceiro movimento, o Instituo Jacob do Bandolim assim me respondeu em 2 de julho de 2007:

“Prezados amigos. O Instituto Jacob do Bandolim gostaria de se pronunciar com relação a afirmação de um possível plágio feito por Jacob do Bandolim em sua composição Horas Vagas, tendo como base o choro Tua Imagem, de Canhoto da Paraíba. Entendemos que se trata de uma grande confusão, tanto do ponto de vista musical, quanto da abordagem histórica do assunto, o que vamos aqui demonstrar. Do ponto de vista musical, existe realmente uma coincidência de notas nos dois primeiros compassos e mais nada, cerca de 16 notas em mais de 300 notas que as composições contêm, inclusive com soluções harmônicas totalmente diferentes a partir desse início. Como se sabe, o plágio, legalmente falando, se dá apenas após sete compassos de coincidência melódica. Assim, existe apenas um pequeno trecho da 1a. frase musical, na primeira parte dos choros, que têm semelhanças assim como acontece em centena de choros, e isso passaria desapercebido se não envolvesse Jacob e Canhoto da Paraíba.

Poderíamos parar por aqui, mas podemos apontar outras diferenças, dizendo que Horas Vagas é um choro em 3 partes, enquanto o Tua Imagem tem apenas duas partes. E o argumento definitivo: Horas Vagas, segundo anotações de próprio punho de Jacob, transcritas por Déo Rian na ficha técnica do LP Inéditos de Jacob do Bandolim (1980) foi composto, em 27 de agosto de 1950, em homenagem a Patrocínio Gomes, grande bandolinista da época e amigo de Jacob. E o encontro histórico entre Jacob e Canhoto se deu apenas em 1958, em Jacarepaguá. Assim, Jacob para poder plagiar, em 1950, um choro que só ouviria oito anos depois, teria que ser, além de compositor, um excelente vidente.

A verdade é a seguinte, amigos: Como Horas Vagas, composto em 1950 por Jacob, só foi gravado em 1980, por Déo Rian e mestre Canhoto gravou Tua Imagem, em julho de 1968, no disco Último Amor, ficou parecendo que Horas Vagas seria posterior a Tua Imagem e assim poderia ter sido “copiada” de Tua Imagem, ainda que só as primeiras notas. O que deve ter ocorrido, provavelmente, é que mestre Canhoto ouvindo o disco de Déo, foi induzido a erro, logicamente, sem saber desses detalhes. O mesmo absurdo seria dizermos agora, que como Horas Vagas é pelo menos uma década mais antigo que Tua Imagem, este é que teria sido copiado daquele

São dois mestres que se admiravam muito e que não merecem que se façam avaliações desse tipo. Basta ouvirmos os elogios que trocaram, Canhoto falando da apoteótica viagem ao Rio, em 1958, de jipe para conhecer Jacob, no filme Chico Soares, o Canhoto da Paraíba, de José Vasconcelos Vieira, e Jacob relatando a devoção por Canhoto no sitio do IJB – www.jacobdobandolim.com.br. Esperamos ter esclarecido essa confusão musical, agradecendo aos responsáveis pelo blog a sua divulgação em local de destaque junto a matéria inicial para que não continue a causar as suspeitas que a matéria involuntária, porêm descabidamente, levanta. Atenciosamente, Sergio Prata, Diretor de Pesquisa do IJB”.

No mesmo movimento, Luis Nassif me respondeu em 2 de julho de 2007:

“Urariano, assim como Tom Jobim, Jacob compunha em cima de temas de terceiros. Aliás, de forma mais explícita que Tom. Isso ficou claro para mim nos anos 80, quando saiu o ‘Inéditos do Jacob’, produzido pela gravadora Eldorado. Escrevi na época no JT. Creio ter escrito mais recentemente, mas não encontrei o texto agora….

Aqui, trecho de uma crônica minha de 2002: ‘No início dos anos 80, quando o selo Eldorado lançou o LP ‘Inéditos do Jacob’, escrevi artigo polêmico, sustentando que Jacob se valia do expediente de se basear em temas de terceiros para desenvolver suas composições, algo que Tom Jobim utilizou à exaustão, que não pode ser caracterizado como plágio, mas que, de qualquer forma, relativizava o papel de criador de ambos.
O acervo do IMS tem seis solos de Garoto ao bandolim, e mais alguns ao cavaquinho. As gravações vão de 1946 a 1949, pouco antes de Waldir Azevedo estourar com ‘Delicado’ e bem antes de Jacob dar seu grande salto de qualidade, no final dos anos 50.
Pesquisei as faixas, cliquei na música e, do alto falante do computador, vieram os sons de Waldir Azevedo. Mais que isso, veio um Jacob inteiro, completo, os mesmos sons, a mesma seqüência, os mesmos recursos e, em alguns casos, as mesmas músicas… só que gravadas dez anos antes, e por Garoto.
Nem se tire o mérito do mestre Jacob. Seu brilho maior está em seus cinco últimos LPs. Desses, os três primeiros são Garoto puro. Mas os dois últimos – incluindo a gravação caseira de ‘Os Saraus de Jacob’ – são suficientes para garantir sua manutenção no Olimpo musical brasileiro.”.

No quarto movimento, o violonista Henrique Annes assim falou sobre o plágio:

“Canhoto passou a tocar ‘Tua imagem’. É conhecido em todo o Brasil. Gravado pela Rozenblit. Fez sucesso o long-play. Eu fiquei conhecido, acompanhando, graças a Canhoto. E Jacob era um homem muito inteligente, era um homem assim muito capaz, ele tinha o talento, tinha sabedoria, tinha cultura, era um homem que lia muito, ele tinha um programa na Rádio Nacional… aí Jacob pegava muitos temas de pessoas e fazia choros.

– E você acha que realmente Jacob plagiou?

– Tem, tem um choro chamado Horas Vagas, a primeira parte do choro todinha (solfeja “tiririri, tararará…” ) é reprodução de Tua Imagem. Aí ele muda, no meio da primeira parte, ele muda. Tem gravação disso. Ele gravou isso.

– Ele não fez isso por acaso.

– Não, Jacob conhecia. Ele deve ter dito: “esse tema é de Chico, eu vou aproveitar”.

– Ele pegou o tema e desenvolveu. Mas não tem uma regra legal, pra dizer quando é plágio e quando não é?

– Sim, de 17 compassos, não é? Mas Jacob passou disso. Vai muito além disso. Está num disco que foi gravado, não por ele, mas por Déo Rian”.

No quinto e último, ouçam e escutem agora o  chorinho “Horas Vagas” recuperado na web em pesquisa de Luciano Hortêncio:

https://www.youtube.com/watch?v=wMt9AXqSZ2M]

E “Tua Imagem” tocado pelo violonista ucraniano Andrey Shilovem, vídeo raro:

[video:https://www.youtube.com/watch?v=axX4XUqfEyY

Em resumo dos resumos: o gênio de Canhoto da Paraíba não tem fronteiras. Até mesmo para a imitação, coincidência ou plágio.

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14 comentários

  1. Caríssimo Urariano

    Quem agradece sou eu e você já leu o porque no Post de hoje http://www.jornalggn.com.br/blog/lucianohortencio/ineditos-de-jacob-do-bandolim-por-deo-rian-e-conjunto-noites-cariocas.

    Não tecerei juizo de valor porque não tenho preparo técnico para isso, porém não vejo porque o assunto ser tabu, de vez que incomodou ao Chico Soares de Araújo, o grande Canhoto da Paraíba. Assim não fora, não teria abordado ele, aos 81 anos e doente, o assunto, declinando o nome da composição e chegando a afirmar que a identidade se dera apenas em uma parte.

    Por outro lado e sendo Jacob do Bandolim o gênio que era, além de homem sério e exigente com os outros e consigo próprio, tendo um nome a zelar para a posteridade, acho que nem ele próprio aceitou o desenvolvimento do tema de Canhoto da Paraíba. Tanto assim que não gravou Horas Vagas, lindíssima composição, o que é estranhável. Quem sabe não o fez por não estar convencido da originalidade do tema ou da extrema e inconfundível semelhança, seja de quantos compassos for, no início da música? 

    Sou honesto ao afirmar que somente ontem ouvi Horas Vagas pela primeira vez, somente o comecinho, exatamente a parte que é irmã gêmea e univitelina de Tua Imagem. A parti dai não sosseguei mais até encontrar o disco todo, o que valeu o sacrifício e a noite praticamente indormida.

    Procurei incansavelmente a Ficha Técnica referida pelo responsável do Site Jacob Bandolim, porém, infelizmente não a achei.

    Junto aqui as fotografias do referido álbum, constando na contracapa uma espécie de Ficha Técnica. Nessa não há qualquer referência datas. Trago ainda uma foto da capa interna, onde se consegue ler, dando zoom, o depoimento de Déo Rian.

    Não posso deixar de afirmar que fiquei surpreso ao ouvir Horas Vagas e até tive a preocupação de ilustrar o vídeo com três fotografias, a fim de delimitar as três partes. O tema retorna, de uma forma ou outra, nas duas partes finais.

    Só uma coisa me deixa muito feliz: O fato de estarmos trazendo à tona dois gênios da música brasileira, Canhoto da Paraíba e Jacob do Bandolim.

     

     

     

     

     

  2. Urariano

    Um artigo escrito, bem sente-se, com muito cuidado, ja que trata-se de assunto delicado. Canhoto da Paraiba é um dos melhores da Musica Brasileira, e se Jacob o plagiou parte de sua bela composição, fica demonstrado o quanto Canhoto é grande! 

    • Salve, Maria Luisa

      Foi difícil. Aliás, continua a ser difícil É tema que exige reflexão mais paciente. Mas quanto mais eu reflito, mais não gosto da conclusão.  Abraços.

  3. Tema espinhoso

    Concordo em gênero, número e grau com o conselho do Nassif no link citado: melhor não descer essa Escadaria. Quem ganhar o debate é quem mais vai perder.

    Músicos, como pintores, se inspiram uns nos outros, o tempo inteiro.

    Há um belo artigo de 2001 sobre isso, criticando a abordagem escadalosa da Folha sobre os supostos “plágios” de Tom Jobim – http://goo.gl/z2tZnZ

    Tinhorão, exigentíssimo, certa vez, acusou Cartola de plágio por conta desta música:

    https://www.youtube.com/watch?v=VOoKOJCw1EE

    (Ambas são ótimas. Mas a do Cartola mora em nosso coração…)

    Tem horas que é melhor ser feliz que ter razão.

    Quando se tratam dos grandes gênios, é difícil julgar.

  4. Sonhei com uma música e tenho ela de cor na cabeça

        Não sei de onde veio é um negócio quase mediúnico, foi muito estranho, no sonho tinha uma letra mas que eu não consigo lembrar, como todo sonho é confuso talvez fosse só alguém balbuciando algo que parecia uma letra, mas a melodia eu lembro nitidamente, consigo achar semelhança em trechos de outras músicas mas nada que seja suficiente pra explicar a música inteira,  não sou compositor, sei quase nada de compassos, acordes, claves, etc… não sei explicar de onde tirei isso.

       Não é nenhuma obra prima mas também não é de se jogar fora, o grande Djavan já falou que “sonhou” várias de suas músicas então tô muito bem acompanhado, quem sabe um dia eu sonhe com uma “flor de liz” ou oceano rsrs , sonhar não custa nada, mas nunca aconteceu de novo, o espírito que me soprou no ouvido foi embora, uui. Esse processo de criação é mesmo muito misterioso, vem muito do inconsciente, deve ser difícil mesmo ter o devido controle para não ser pego plagiando alguma coisa sem querer.

  5. lembrança de Nicolino Copia (Copinha) falecido em 4/3/84

    envio publicação de Sergio Brasil do grupo do facebook “Apreciadores da musica de João Gilberto”.

    Bom dia minha Gente “culta”…..!!!
    Hoje quero chamar à atençao de vocès que “sabem”,que “conhecem”, o que è bom na MPB, o que merece nosso carinho,amor e respeito….
    Estou falando do “aniversariante do dia” :
    O COPINHA (Nicolino Copia)
    Ele foi um dos grandes musicos protagonistas da MPB ao longo de quase 60 anos de carreira e a presença da sua “flauta magica”, acopanhando os “craques” da bossanova e todos os protagonìstas daquela epoca de ouro pela MPB.

    Quando a bossa nova surgiu, participou de suas primeiras gravações, com Tom Jobim e João Gilberto, tornando-se assíduo participante de discos dos artistas do novo gênero.
    Este maravilhoso instrumentista merece ser lembrado,homenageado e considerado fundamental , como um dos melhores e maìs importantes musicòs da MPB moderna….!!!

    Conheçam e saibam um pouquinho maìs do “Copinha”…..
    Leiàm…….

    Em 1924, iniciou sua carreira profissional como flautista, acompanhando filmes mudos em cinemas de São Bernardo do Campo (Cine República) e de São Paulo (Cine Brás Politeama). Já dominava também o clarinete e o saxofone, que começou a estudar em 1928. Atuou no início dos anos 1930 em São Paulo, algumas vezes na Rádio Paulista, ao lado do violonista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha). Junto com os violonistas Aimoré, Armandinho e o cantor Moreira da Silva, gravou seu primeiro disco em 78 rpm. Nessa época, organizou com seus irmãos uma orquestra (a “Orquestra Irmãos Cópia”, cujo líder era Vicente, o irmão mais velho), com a qual atuou intensamente até 1934. Além dos músicos (quase todos da família), tiveram como “crooners” da orquestra os seguintes cantores: Nuno Roland, Grande Otelo e Ruy Rey. Atuou, no início dos anos 1930, ainda em São Paulo, na orquestra “Juca e seus rapazes”, na Rádio Record. Em 1931, fez uma viagem à Alemanha, acompanhando o “Quarteto de Spartaco Rossi”. No ano seguinte, contratado pela Companhia de Revista Margarida Max, participou de espetáculos da dupla Mário Reis e Francisco Alves, nos Teatros Cassino Antártica e Santana. Em 1933, integrou a orquestra do maestro Gaó (“Orquestra Colúmbia”), em apresentações na Rádio Cruzeiro do Sul. Em 1936, com Gaó, passou a atuar também na Rádio Ipanema do Rio de Janeiro. Na então capital do país, participou também de orquestras e tocou em teatros e cassinos, tendo se apresentado ao lado de Pixinguinha no “Dancing” Eldorado. Foi, nas décadas de 1930 e 1940, um dos instrumentistas mais requisitados para acompanhar os grandes nomes da era do rádio como Francisco Alves, Mário Reis, Sílvio Caldas, Carmen Miranda, Carlos Galhardo, Ciro Monteiro, Aracy de Almeida, Orlando Silva e outros. Em 1939, passou a integrar a orquestra de Simon Bountman na qual permaneceu por quatro anos, atuando no Cassino do Copacabana Palace. Em 1944, passou a atuar na orquestra de Carlos Machado no Cassino da Urca, na qual permaneceu por dois anos e na orquestra de Paul Morrys, no Quitandinha de Petrópolis, RJ. Em 1946, criou sua própria orquestra, Cópia e sua orquestra. Em 1949, ingressou na gravadora Continental onde acompanhou gravações de diferentes artistas entre os quais Lúcio Alves, Sílvio Caldas, Ivon Curi, Déo, Dick Farney e Jorge Goulart. Em 1951, acompanhou com sua orquestra na Todamérica a cantora Elizeth Cardoso na gravação dos sambas “Dá-me tuas mãos” e “O amor é uma canção”. Em 1952, gravou com sua orquestra na Continental o “Baião de Cabo Verde”, de sua autoria e Edu e o “Choro perpétuo”, de Paganini com arranjo de César Siqueira. No ano seguinte, com sua orquestra, gravou o beguine “Juras de amor”, parceria com Edy e Gloz e o maxixe “Corruira saltitante”, de Lina Pesce. No mesmo ano, gravou o samba canção “Deixa-me”, de sua parceria com Júlio César, com Nora Ney e o samba “Paulista do centenário”, de Bruno Gomes, José dias e Airton Amorim, com Jorge Goulart. Em 1954, gravou com sua orquestra o coco “Bam-bam-biá”, de sua parceria com Ferreira Gomes. No lado A do disco, o cantor Carlos Augusto gravou o samba canção “Adeus mocidade”, também de sua parceria com Ferreira Gomes. Em 1956, gravou com seu conjunto na Odeon o samba “Na Pavuna”, de Almirante e Homero Dornelas e o “Mambo brasileiro”, de sua autoria e Ferreira Gomes. Por essa época, dirigiu a Orquestra do Copacabana Palace com a qual gravou na Odeon o fox “C’est à Hamburg”, de M. Monnot e o samba “Abre a janela”, de Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti. Em 1957, lançou pela Odeon o LP “Dançando no Copacabana Palace”. Quando a bossa nova surgiu, participou de suas primeiras gravações, com Tom Jobim e João Gilberto, tornando-se assíduo participante de discos dos artistas do novo gênero. No início dos anos 1960, trabalhou na Rádio Nacional carioca, na TV Rio e na TV Globo. Apresentou-se, em 1966, no Cassino Monte Carlo de Mônaco, com sua orquestra, a “Copinha do Rio”. Em 1967, fez excursão aos EUA (Dallas, Miami, Minneapolis), ao lado de grandes músicos brasileiros (o pianista Dom Salvador, o contrabaixista Sérgio Barroso e o baterista Chico Batera). Em 1972, foi contratado pela TV Globo para atuar na orquestra da emissora. Com a revitalização do choro em meados dos anos 1970, voltou a ser muito requisitado. Acompanhou grandes ídolos da MPB, tais como Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Gilberto Gil, Paulinho da Viola e outros. Em 1975, gravou um LP comemorativo de seus 50 anos de carreira intitulado “Jubileu de ouro”, pela Som Livre com destaque para “Primavera”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, “Por um beijo”, de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense, “Kalu”, de Humberto Teixeira e “Reconciliação” e “Lambada”, de sua autoria. Em 1976, participou do LP de Abel Ferreira “Brasil, sax e clarineta”, pela Marcus Pereira Discos. Ainda naquele ano, participou do LP, brinde de natal, “Chorada, chorões, chorinhos”, produzido por Reginaldo Bessa e organizado por Mozart de Araújo e Ricardo Cravo Albin. Em 1977, partcipou com Waldir Azevedo, Zé da Velha, Abel Ferreira, Joel Nascimento e Paulo Moura do LP “Choro na praça” lançado pelo selo Elektra no qual interpretou O amolador”, de sua autoria e “Acerta o passo”, de Benedito Lacerda e Pixinguinha. Em 1979, participou o LP “Chorando baixinho – Um encontro histórico” lançado pelo selo Kuarup com a participação de Abel Ferreira, Arthur Moreira lima, Joel Nascimento e Época de Ouro. No mesmo ano, lançou pelo Museu da Imagem e do Som – FEMURJ o LP “Bonfiglio de Oliveira interpretado por Copinha e seu conjunto”, doze obras do compositor paulista. Em 1980, tocou flauta nas músicas “Camisa amarela”; “Na baixa do sapateiro”; “No tabuleiro da baiana”; “Inquietação” e “Faceira”, de Ary Barroso, todas para o LP “Aquarela do Brasil”, lançado por Gal Costa, pela Philips. Em 1981, lançou pela CBS seu último disco, o LP “Amano sempre”, no qual interpretou obras de sua autoria como “Saudade (De Carolina), “Reconciliação” e a faixa título além de “Flores da vida”, de Patápio Silva, “Ele e eu”, de Benedito Lacerda e Pixinguinha e “Remexendo”, de Radamés Gnatalli. Em 2000, o selo do SESC – SP lançou denro da série “A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes” um CD em sua homenagem com interpretações suas de obras como “Manhã de carnaval”, de Antônio Maria e Luiz Bonfá, “Falsa baiana”, de Geraldo Pereira, “Abismo de rosas”, de Canhoto, “Naquele tempo”, de Pixinguinha e Bendito Lacerda e “Numa seresta”, de Luiz Americano.

    https://www.youtube.com/watch?v=zcvoi_1MIQk&feature=share

  6. Quem plagiou quem?

    Prezados, como pode um choro composto por Jacob, em 1950 (Horas vagas), ser plágio de um outro choro (Tua Imagem)  que Jacob só ouviu, na melhor das hipoteses em 1958, quando conheceu pessoalmente Canhoto? Vale a pena estudar um pouco,  antes de se afirmar certas coisas. Essa é uma afirmação falsa e irresponsavel, pois nega a realidade dos fatos. Basta conhecer um pouco sobre a época em que essas duas composições foram escritas para se entender o absurdo dessa afirmação. Abraço

  7. “Prezados amigos. O Instituto

    “Prezados amigos. O Instituto Jacob do Bandolim gostaria de se pronunciar com relação a afirmação de um possível plágio feito por Jacob do Bandolim em sua composição Horas Vagas, tendo como base o choro Tua Imagem, de Canhoto da Paraíba. Entendemos que se trata de uma grande confusão, tanto do ponto de vista musical, quanto da abordagem histórica do assunto, o que vamos aqui demonstrar. Do ponto de vista musical, existe realmente uma coincidência de notas nos dois primeiros compassos e mais nada, cerca de 16 notas em mais de 300 notas que as composições contêm, inclusive com soluções harmônicas totalmente diferentes a partir desse início. Como se sabe, o plágio, legalmente falando, se dá apenas após sete compassos de coincidência melódica. Assim, existe apenas um pequeno trecho da 1a. frase musical, na primeira parte dos choros, que têm semelhanças assim como acontece em centena de choros, e isso passaria desapercebido se não envolvesse Jacob e Canhoto da Paraíba.

    Poderíamos parar por aqui, mas podemos apontar outras diferenças, dizendo que Horas Vagas é um choro em 3 partes, enquanto o Tua Imagem tem apenas duas partes. E o argumento definitivo: Horas Vagas, segundo anotações de próprio punho de Jacob, transcritas por Déo Rian na ficha técnica do LP Inéditos de Jacob do Bandolim (1980) foi composto, em 27 de agosto de 1950, em homenagem a Patrocínio Gomes, grande bandolinista da época e amigo de Jacob. E o encontro histórico entre Jacob e Canhoto se deu apenas em 1958, em Jacarepaguá. Assim, Jacob para poder plagiar, em 1950, um choro que só ouviria oito anos depois, teria que ser, além de compositor, um excelente vidente.

    A verdade é a seguinte, amigos: Como Horas Vagas, composto em 1950 por Jacob, só foi gravado em 1980, por Déo Rian e mestre Canhoto gravou Tua Imagem, em julho de 1968, no disco Último Amor, ficou parecendo que Horas Vagas seria posterior a Tua Imagem e assim poderia ter sido “copiada” de Tua Imagem, ainda que só as primeiras notas. O que deve ter ocorrido, provavelmente, é que mestre Canhoto ouvindo o disco de Déo, foi induzido a erro, logicamente, sem saber desses detalhes. O mesmo absurdo seria dizermos agora, que como Horas Vagas é pelo menos uma década mais antigo que Tua Imagem, este é que teria sido copiado daquele

    São dois mestres que se admiravam muito e que não merecem que se façam avaliações desse tipo. Basta ouvirmos os elogios que trocaram, Canhoto falando da apoteótica viagem ao Rio, em 1958, de jipe para conhecer Jacob, no filme Chico Soares, o Canhoto da Paraíba, de José Vasconcelos Vieira, e Jacob relatando a devoção por Canhoto no sitio do IJB –http://www.jacobdobandolim.com.br. Esperamos ter esclarecido essa confusão musical, agradecendo aos responsáveis pelo blog a sua divulgação em local de destaque junto a matéria inicial para que não continue a causar as suspeitas que a matéria involuntária, porêm descabidamente, levanta. Atenciosamente, Sergio Prata, Diretor de Pesquisa do IJB”.

  8. A história eu acho que é muito simples de se chegar a uma conclusão. Na década de 80 eu morava em Recife e cheguei a comentar com o Canhoto sobre essa coincidência das melodias e ele me afirmou que não conhecia a música de Jacob. Eu disse: Mestre o Sr. Não esteve Na casa do Jacob em 1958 onde fizeram um sarau? Pois bem, o Jacob tocou a música dele, que terminou nunca gravando, o senhor ouviu e a melodia ficou no seu subconsciente e anos depois você reproduziu a melodia de forma não intencional. Ele ficou calado e me confirmou que realmente poderia ter acontecido isso mesmo. Espero ter ajudado no debate. Eu não acredito nesse negócio de plágio. Canhoto tinha talento demais. Acho que a melodia ficou no seu subconsciente e veio a aflorar anos depois. E isso foi muito bom porque ganhamos essa pérola e enriqueceu nosso repertório de choro.

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