João Gilberto completa 80 anos

Do G1

Aos 80 anos, João Gilberto prepara volta aos palcos

Cantor, que completa 80 anos nesta sexta (10), fará shows em setembro. Pai da bossa nova será homenageado por João Bosco em sua terra natal.

As últimas apresentações de João Gilberto no Brasil aconteceram em 2008. Na ocasião, foram comemorados os 50 anos do surgimento da bossa nova, gênero que o baiano ajudou a criar a partir de seu jeito econômico de cantar e de uma batida toda própria ao violão. Agora, em 2011, o cantor parece disposto a retornar aos palcos do país para uma outra celebração: o próprio aniversário de 80 anos, celebrado nesta sexta-feira (10).

João deve tocar no HSBC Brasil, em São Paulo, no dia 3 de setembro, e no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, no dia 10 seguinte — só a casa de espetáculos paulistana confirmou a apresentação, porém sem dar detalhes sobre período de venda de ingressos, preços e horário do espetáculo. Negociações também acontecem no sentido de permitr que o show carioca seja transmitido via satélite para salas de cinema do Brasil e do exterior, algo inédito na carreira do músico.

Para o dia de hoje, Juazeiro, cidade natal do cantor, preparou uma série de pequenas homenagens que acontece no centro cultural batizado com o nome do artista. Uma exposição, a exibição de documentários e uma aula-show com maestro Aderbal Duarte fazem parte da programação. Uma missa também acontecerá na Catedral de Nossa Senhora das Grotas, bem como uma apresentação especial do cantor João Bosco às margens do Rio São Francisco. Mas nada que (infelizmente) conte com a participação do mestre.

“O mito”
Se as aparições públicas, shows e entrevistas de João Gilberto tornaram-se raridade, o mesmo também pode-se dizer sobre sua discografia em CD. Apenas seus discos mas recentes, caso de “João Gilberto Prado Pereira de Oliveira” (1999) e “João voz e violão” (2000), podem ser encontrados com alguma facilidade no mercado brasileiro. Uma outra parte está disponível na internet para importação, como “Brasil” (1981), que gravou com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Mas os trabalhos essenciais do músico, que ajudam a entender sua importância e a reverência de tantas gerações, praticamente desapareceu.

Tudo começou depois do lançamento de “O mito”, em 1992. Compilado pela gravadora EMI, que detém os direitos sobre o catálogo do cantor, o álbum reúne os três primeiros LPs de João, “Chega de saudade” (1959), “O amor, o sorriso e a flor” (1960) e “João Gilberto” (1961), mais o EP  “Orfeu da Conceição”. O projeto despertou a ira do artista, que reclamou da remasterização e do fim da sequência original das faixas. Começava então uma briga judicial entre as partes, que não tem previsão para acabar. Perdem os fãs e a MPB, que deixa de ver circular parte da história musical do país e a gênese de um estilo festejado no mundo todo.

Economia
Considerado o precursor da bossa nova, não seria exagero afirmar que João Gilberto foi o maior difusor do gênero ao redor do planeta. A principal característica é sua forma de tocar violão, que até hoje influencia inúmeros artistas nacionais e internacionais. Reza a lenda que foram meses ensaiando exaustivamente até encontrar esta batida ideal e o jeito singular de cantar, que eliminava os vibratos, a impostação, a potência e tudo o mais considerava excesso. Adaptou à essa nova forma de cantar e tocar as melodias de Tom Jobim e as letras de Vinicius de Moraes. Estava criada a bossa nova.

O “laboratório” de João seria o álbum “Canção do amor demais”, lançado por Elizeth Cardoso em 1958, só com composições de Tom e Vinicius. Não à toa, o disco, que já trazia o violão sincopado do músico baiano nas faixas “Chega de saudade” e “Outra vez”, é considerado o marco inicial da bossa nova.

Entretanto, a voz do cantor só apareceria em agosto de 1958, num compacto simples com os clássicos instantâneos “Chega de saudade” e “Bimbom” — meses depois, lançara outro petardo bossanovístico, o também compacto “Desafinado” e “Oba-la-lá”. Somados, a voz e o violão de João Gilberto acabaram por consolidar o estilo, que veio a ser um dos principais expoentes da música brasileira. A partir de então, a bossa nova revelaria e consagraria toda uma geração de músicos brasileiros, como Nara Leão, Carlos Lyra, Luizinho Eça, João Donato, Roberto Menescal, Baden Powell e Johnny Alf, entre outros.

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