Mamão 8.1 de samba na veia, por Jorge Sanglard

Mamão comemora 81 anos de idade e 66 anos mergulhado de corpo e alma no mundo do samba

Armando Aguiar, o Mamão

Mamão 8.1 de samba na veia

por Jorge Sanglard*

O cantor e compositor Armando Fernandes Aguiar, o Mamão, nascido em 24 de agosto de 1938, em Juiz de Fora, completa 81 anos. Filho de Manoel Fernandes de Aguiar e Juvencina Ribeiro de Aguiar, é casado com Maria Doroty Duarte e tem três filhos, Lígia, Egberto José e Francisco Caetano. Em 1969, no I Festival de Música Popular Brasileira de Juiz de Fora, com a canção “Adeus diferente”, interpretada por Ellen de Lima, ficou em quinto lugar e deu os primeiros passos para conquistar o sucesso como compositor, que veio mais tarde com a música “Tristeza pé no chão”, interpretada entre 31 de agosto e 2 de setembro, no V Festival de Música Brasileira de Juiz de Fora, e gravada por Clara Nunes, em 1976.

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Mamão lançou o CD “Mamão com açúcar”, em 1998, contendo suas composições “O beco não perde o tom”, “Botei seu nome na bandeira”, “Amor nem pensar” e “Ao amigo Toninho” – todas em parceria com Carioca – “Sete costados” (com Marcinho Itaboray), “Falou e disse”, “Samba do aniversário”, “Endereço”, “De sapato branco”, “Decisão”, “Cordão de metal”, “Paulinho tanto do tanto”, “Vila Furtado” e “Tristeza pé no chão”. Lançou também os CDs “Pedacinhos de Mamão”, em 2004, e “Bloco do Beco: trinta anos de folia”, em 2006. Como compositor, criou mais de 200 sambas, muitos sob a influência do Núcleo Mineiro de Escritores, o Nume, integrado por nomes como José Carlos de Lery Guimarães, Dormevilly Nóbrega, Roberto Medeiros, João Medeiros Filho e José Oceano Soares.

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Além de cantor e compositor, atuou também como alfaiate e torneiro mecânico e se aposentou na Funalfa, tendo trabalhado também na Fábrica de Estojos e Espoletas de Artilharia (Feea). Ao longo do tempo, Mamão se afirmou como um dos mais importantes nomes do samba e da música popular na cidade. Mas sua projeção se deu em função dos festivais de MPB que projetaram Juiz de Fora no cenário nacional da MPB nos anos 1960 e 1970. Em 1973, venceu o Festival com a música “Baianeiro”. Folião convicto do carnaval em Juiz de Fora, é um dos fundadores do tradicional Bloco do Beco, reconhecido como patrimônio cultural tombado pelo município. E, além disso, Mamão é verbete no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Mas tudo começou a dar samba na vida de Mamão porque seu pai foi vice-presidente da Escola de Samba Feliz Lembrança. Segundo o saudoso João Batista Mansoldo, o primeiro desfile de Mamão na Feliz Lembrança foi em 1946, no chamado “Carnaval da Vitória”, quando ele tinha sete anos de idade. E para outros sambistas e carnavalescos, seu primeiro desfile na escola do coração teria sido aos 11 anos. Seu pai era também muito amigo de João Cardoso, um dos precursores do samba em Juiz de Fora. Mais tarde, Mamão trabalhou numa alfaiataria com os também cantores Antônio Camargo de Oliveira e Chico Tavares; este chegou a integrar os quadros da Rádio Industrial. Desde os 15 anos, canta samba em botequins, como o tradicional Bar Tropical, antigo reduto de sambistas e poetas na Rua São João, numa das muitas galerias do Centro da cidade. Daí em diante, Mamão não parou mais. E, agora, comemora 81 anos de idade e 66 anos mergulhado de corpo e alma no mundo do samba.

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