Música sob sete sóis, por Aquiles Rique Reis

E foi assim que iniciei a audição do mais recente trabalho de Adolar Marin e Flavvio Alves: “Outros Caminhos” (Sete Sóis).

Música sob sete sóis

por Aquiles Rique Reis

Foi em outubro de 2008. Pleno de encantamento com o que ouvia, divaguei sobre o tempo, no CD Atemporal, do compositor, violonista e guitarrista Adolar Marin: “O tempo voa e nos deixa, por vezes, aturdidos com a rapidez de seu passar. E nos deixamos ficar vendo seu lépido voar, que larga para trás o que não somos capazes de guardar, posto que incapazes de domá-lo e dele nos assenhorar”.

E foi assim que iniciei a audição do mais recente trabalho de Marin: “Outros Caminhos” (Sete Sóis).

O álbum atual foi concebido em parceria com o poeta Flávvio Alves. Juntos, tendo entre os pertences suas músicas, que os agasalharam na viagem, caminharam sob sete sóis e sete luas que os iluminaram e conduziram por entre montanhas e despenhadeiros.

Com os versos de Flávvio e o canto e o violão de Marin, outros andantes compartilharam a jornada meio alucinada, meio utópica dos parceiros: Estevan Sinkovitz (guitarra, contrabaixo e bandolim); Ricardo Prado (contrabaixo, piano Rhodes, teclados, sanfona, samples e programações); Gustavo Souza (Bateria e percussão); Fabá Gimenez (guitarra); Rovilson Pascoal (cavaquinho).

E tem outros, que são os precursores da caminhada. Além dos diretores artísticos do álbum e também arranjadores Adolar Marin e Flávvio Alves, temos a participação de Ricardo Prado e Estevan Sinkovitz nos arranjos, sendo que Ricardo Prado foi ainda diretor musical e cuidou da mixagem e da masterização. Já Flávvio tratou também da direção de produção.

A tampa abre com “Compostelana”. Numa levada ritmada, os versos se mostram claros na voz de Marin. A guitarra e a percussão seguram a onda.

A seguir, “Espelho”. Assim como o contrabaixo e a batera, a guitarra torna a se mostrar afiada. Marin, mesmo não sendo exatamente um bom cantor, demonstra força ao interpretar a dualidade do poema: “(…) Há de haver outro caminho/ Há de haver outros caminhos” (…).

“Xamã” vem na sequência. São belos os versos de Flávvio. Ao vesti-los, Adolar brilha na melodia e numa interpretação íntegra.

A levada de “Xambioá (O Último Guerrilheiro)” encontra no som da levada e da guitarra, as propagadoras ideais dos versos. Talvez a mais bela do disco.

E vem “Canção Vintage”. Marin canta suavemente. A instrumentação permite voos por sobre os versos, tratando-os com a beleza que merecem.

“Tecelã” tem o mesmo clima. Mais uma vez a melodia e os versos, cantados na voz de Adolar Marin, apresentam a música com a grandeza com que foi concebida.

“Samba da Jura” é um samba ligeiro com levada esperta. A percussão eficaz de Marin tem suingue. Graças a tal levada, em meio a referências aos lugares cariocas onde o samba come solto, os versos balançam.

Cantando apenas com o seu violão, “Recuerdos” traz de volta a suavidade da voz de Marin. Românticos são os versos: “(…) Tudo em mim cedia/ Noite arredia/ Ao fã do dia/ Que ardia no (meu) peito (…).

Embora haja algum excesso no uso do samples, Marin e Alves fazem de “Outros Caminhos” um CD arrebatador.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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