Nosso velho casarão…, por Luciano Hortencio

Ali vivemos até o ano de 2004, um ano após a morte da mamãe, que sequer admitia a ideia de sair de sua casa, a não ser para a última morada.

Nosso velho casarão…, por Luciano Hortencio

Sou que nem o matuto, que saiu do mato, porém esse não saiu dele. Não esqueço sequer um dia, o lar que nos abrigou por toda uma vida. Onde lutamos e lutamos e fomos muito felizes.

Nosso velho casarão foi construído em 1945, época da guerra, e para lá nossa família se mudou. Papai, mamãe e os seis primeiros filhos. Lá nasceu meu irmão Franzé, eu e a Maria do Socorro. Ali vivemos até o ano de 2004, um ano após a morte da mamãe, que sequer admitia a ideia de sair de sua casa, a não ser para a última morada.

Nossa casa serviu de morada para nossa família e também como sede do Laboratório Mattos, que produzia a célebre pílula de Mattos, conhecida popularmente como pílula do mato. No nosso quintal, enorme, papai e mamãe transferiram o laboratório, que funcionava à rua 24 de maio, para lá, por razões de ordem financeira e para maior comodidade na administração do mesmo.

Nossa casa passou também, além de ser um lar, a ser um local onde medicamentos eram produzidos, servindo à nossa comunidade cearense e também ao povo do norte do Brasil, nosso principal consumidor.

Lembro como se fora hoje dos xaropes, vidros bojudos de Água Inglesa, etc. e tal, sendo embalados em enormes caixões e carregados no carro de mão até o cais do porto, pelo saudoso Mariano Pedro Lima, para serem despachados em um cargueiro do Lloyd Brasileiro…

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O Laboratório Mattos funcionou até o começo dos anos setenta, quando o advento maciço dos antibióticos fez com que as pessoas não mais quisessem os antigos remédios da farmacopéia popular.

No prédio onde funcionava o  laboratório, construí minha casinha, atendendo a um pedido de mamãe, para que dela não me afastasse…

Hoje sonhei, mais uma vez, com nossa casa. Sonho preocupado. Quase um pesadelo. Estávamos nos mudando e um trator só esperava nossa saída para botar abaixo nossa querida casa, nosso velho lar.

Acordei agorinha, aliviado, lembrando que nossa casa foi e é abençoada por Deus. Ali vivemos felizes por muitos e muitos anos. Lá foram produzidos remédios que mitigaram os males do nosso povo sofrido e, o que é interessantíssimo e a cereja do bolo: No nosso velho casarão hoje em dia funciona a Escola de Enfermagem São Camilo de Lélis, onde técnicos são formados para ajudar a salvar vidas. Graças a Deus.

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1 comentário

  1. Casa bonita! Avarandada, muito espaço, ângulos de visão para as ruas, beleza!

    É verdade, mestre Luciano, a gente sai da casa da infância, mas ela não sai da memória da gente.

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