O Boi Surubim, conforme publicação de 1883

O Boi Surubim, popular do Ceará e coligido por Araripe Júnior. Resgate e narração de Luciano Hortencio.

Resgate e narração de Luciano Hortencio

O Boi Surubim, popular do Ceará e coligido por Araripe Júnior

O BOI SURUBIM – popular do Ceará e coligido por Araripe Júnior – leitura de luciano hortencio.
Publicado em Cantos Populares do Brazil , volume I, Sylvio Romero, Brasiliana USP.
Ano de 1883.
Coisas que o tempo levou.

Nasceu um bezerro macho
No curral da Independência
Filho de uma vaca mansa
Por nome de Paciência.

Quando o Surubim nasceu
Daí a um mes se ferrou,
Na porteira do curral
Cinco touros enxotou

Na porteira do curral
Onde o Surubim cavou
Ficou o barreiro tal
Que nuinca mais se aterrou.

Na praça da cacimba
Onde o Surubim pisou
Ficou a terra acanhada,
Nunca mais capim criou.

Um relho de duas braças,
Que o Surubim amarrou,
Botou-se numa balança
Duas arrobas pesou.

Fui passando num sobrado,
Uma moça me chamou:´
-Quer vender o Surubim?
Um conto de réis eu dou.

“Guarde o seu dinheiro, dona,
O Surubim não vendo não.
-Dou um barco de fazenda,
De chita e madapolão.”

Este meu boi Surubim
É um corredor de fama,
Como nas vargens de lama,
Corre dentro, corre fora,
Corre dentro da caatinga,
Corre quatro, cinco léguas
Com o suor nunca pinga.

Quando o Surubim morreu,
Silveira pos-se a chorar.
Boi bonito como este
No sertão não nascerá.
Eu chamava, ele vinha:
-O-lê, o-lô, ôl-á…

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