Chik chik bum, Vassourinha, apague a vela!

O excelente cantor Vassourinha, nome artístico de Mário Ramos de Oliveira, viveu tão somente 19 anos, tempo bastante, porém, para legar aos pósteros 12 excelentes gravações de sambas, marchas e choros. 

Consegui, com a valiosíssima ajuda do Barão do Pandeiro, todas as gravações de Vassourinha e as postarei aqui, por ordem cronológica e com comentários do amigo Samuel Machado Filho, postados no youtube.

SEU LIBÓRIO – JURACY – Estréia triunfal de Vassourinha em disco. No dia 23 de junho de 1941, vindo de sua São Paulo natal, ele fez sua primeira sessão de gravações na Columbia. Os sambas-choros “Seu Libório” (matriz 441) e “Juracy” (matriz 442) sairiam em seu primeiro disco, nº 55295, em agosto desse ano.

Vale ressaltar que “Seu Libório” já era conhecida do público desde 1936, quando Luiz Barbosa apresentou a música no filme “Alô, alô, carnaval”, da Cinédia. Mas ele não pôde gravá-la, por ser contratado da Victor (gravadora rival da Columbia, que João “Braguinha” de Barro, seu coautor, dirigia artisticamente) e em virtude de sua morte prematura, em 1938. Só em 1941 é que “Seu Libório” chegou a disco, na interpretação de Vassourinha, que também morreria cedo, infelizmente. 

EMÍLIA – ELA VAI À FEIRA – Estes são os outros dois sambas gravados por Vassourinha em sua primeira sessão de estúdio na Columbia, a 23 de junho de 1941, “Emília” (matriz 443) e “Ela vai à feira” (matriz 444), que sairiam em seu segundo 78, n.o 55302, em outubro seguinte. “Emília”, anterior à Amélia de Ataulfo Alves e Mário Lago, e de temática parecida, é um clássico até hoje. 

CHIK CHIK BUM – APAGA A VELA – Terceiro disco do cantor, lançado pela Columbia em dezembro de 1941 com vistas, claro, ao carnaval de 42, matrizes 474 (“Chik chik bum”) e 475 (“Apaga a vela”).

OLGA – TÁ GOSTOSO – Quarto e antepenúltimo dos seis discos que Vassourinha (Mario Ramos de Oliveira) gravou na Columbia, número 55309, lançado em dezembro de 1941 com vistas ao carnaval de 42, matrizes 476 (“Olga”) e 477 (“Tá gostoso”). Vassourinha, talento precoce revelado pela Rádio Record de São Paulo, morreria cedo, aos 19 anos, de osteomielite.

AMANHÃ EU VOLTO – E O JUIZ APITOU – Penúltimo disco de Vassourinha, , lançado em maio de 1942 pela Columbia com o n.o 55343, matrizes 515 (“…E o juiz apitou”, gravado em 15 de abril) e 523 (“Amanhã eu volto”, gravado em 27 de abril).

AMANHÃ TEM BAILE – VOLTA PRA CASA, EMÍLIA – Derradeiro disco de Vassourinha, gravado na Columbia em 12 de maio de 1942 e lançado em junho do mesmo ano sob n.o 55346, matrizes 517 (“Amanhã tem baile”) e 514 (“Volta pra casa, Emília”). O prematuro falecimento do cantor deu-se entre os dias 31 de julho (segundo sua ficha na Rádio Record de São Paulo) e 5 de agosto (segundo Raul Duarte, antigo dirigente da emissora) desse ano.

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12 comentários

  1. Agradecimento

    Obrigado, amigo Luciano, pelo carinho e pela lembrança, e também ao Nassif, notório bandolinista e apreciador de nossa música popular, pela divulgação de meus comentários. 

  2. Amigo Samuel!

     

    Se ha alguém a agradecer, esse sou eu. Vezes sem conta, já cansado de pesquisar sobre uma música ou compositor, interrompo a busca a pensar: O Samuel dará conta disso. E não dá outra. Você sempre tem na ponta da língua as informações mais precisas e as distribui à mancheia. Está sempre disposto a elucidar mistérios e dirimir dúvidas sobre nossa maravilhosa música brasileira.

    Receba um abraço fraterno e agradecido do luciano

     

  3. Choro é sempre uma musica

    Choro é sempre uma musica agradavel e gostosa de ouvir. E tem sempre um jeito ingênuo, mesmo quando sarcastico. Ja o samba tem sempre segunda intenção.

    Estou aprendendo muito aqui, escutando as musicas que você traz, Luciano.

    A proposito, uma curiosidade, caro Luciano: de onde vem essa paixão pelos discos e musica ? Quando começou sua pesquisa para fazer conhecidas cantores e musicas que, por vezes,  caem no esquecimento ? 

     

     

    • Sou do tempo do Sarau!

      Amiga Maria Luisa,

       

      Sou do tempo do Sarau. Na casa dos meus pais tinha um piano dorner e meu pai reunia os amigos e bons intérpretes para fazer boa música, indo muitas vezes a reunião até a madrugada. Interessante é que, na maioria das vezes, o sarau terminava em uma quadrilha, já que todos os participantes estavam alegres pelo ponche americano servido por minha mãe. Guardo com muito carinho a poncheira de cristal da Bohemia, que sempre era reabastecida… Nós, meninos, tínhamos direito a uma sangria fraquinha, mas sempre servia de consolo.

      Sempre gostei de música. Queria estudar violão, porém meu pai fez oposição dizendo que se eu fosse aprender violão iria ser boêmio e não iria estudar. Então fui estudar piano, porém, depois de alguns anos desisti pois nunca seria sequer um bom pianeiro…

      Em 1968 matriculei-me no Curso de Canto Coral da Universidade Federal do Ceará, ligado à Faculdade de Arquitetura. Aprendi muito do pouco que sei através daquele curso, porém não o terminei pois o Curso foi fechado pela Ditadura. Ainda em 1968 fui convidado para cantar no Grupo Vocal O Canto do Aboio e então não parei de cantar por quase 30 anos. Cantei em vários corais de Fortaleza e passei dois meses, intercalados, na Europa, com o Coral de Câmera do Ceará e Grupo Vocal Porta Voz.

      Apesar de meu pai ter vetado o violão isso não adiantou muito. Sempre participei de rodadas de violão na calçada e de serestas, utilizadíssimas na minha juventude. Nunca fui um excelente cantor, porém tenho razoável voz e excelente afinação.

      Dizem que comer e coçar é só começar… Vou parar por aqui porque dizem também que o verdadeiro tolo é aquele que, a uma pergunta de “como vai”, passa a contar toda sua vida…rsrsrsrs

       

      Abraço fraterno do luciano

  4. Post histórico

    Amigo Luciano,

    Este post é para guardar com todo carinho. MA-RA-VI-LHA! E de quebra, cutucado pela Maria Luisa, ficamos conhecendo um pouco mais da sua história de vida.

    Uma das minhas preferidas é “Seu Libório”. E como o Vassourinha interpreta “pitorescamente”  este samba choro, de João de Barro e Alberto Ribeiro! Uma delícia.

    O auxílio luxuoso do Samuel Machado Filho é fundamental à quem pesquisa no YouTube. Suas informações detalhadas/precisas subsidiam a todos nós.

    Grande abraço da amiga Laura.

     

     

     

    • Barão do Pandeiro!

      Amiga Laura,

       

      Fico feliz demais porque gostaste. Não podemos esquecer a valiosíssima contribuição do Barão do Pandeiro. Eu vinha amealhando essas gravações e não passava das sete. Ontem, no facebook, falei com o Barão e em menos de 15 minutos ela já havia mandado todas. Devo esse Post também ao querido amigo Barão!

       

      Abração do luciano

        • Osteomielite!

           

          Caro Ivan,

           

          Vassourinha morreu acometido de osteomielite. Ele queixava-se de dores nos joelhos e tinha o hábito de segurá-los, para amainar a dor. Àquela época, tanto o diagnóstico quanto o tratamento era ainda mais difícil do que hoje. Sua mãe quis tratá-lo com chazinhos e mezinhas. De todo modo, quando ele chegou a São Paulo já ia praticamente em coma… Há relatos de que quando o médico pressionava sua face os ossos como que ficavam fraturados… Uma enorme pena. De todo modo, em 19 anos de vida, deixou 12 gravações que o perpetuarão para sempre.

          PS: Deu trabalho preencher as falhas da barba com o photoshop…

           

          Abraço do luciano

           

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