Home Editoria Cultura Sanfoneiro Camarão morreu em Recife

Sanfoneiro Camarão morreu em Recife

Jornal GGN – Reginaldo Alves Ferreira, o famoso sanfoneiro Camarão, morreu ontem (21) vítima de uma infecção generalizada. Ele tinha 74 anos. O artista estava internado há seis dias no Hospital Santa Joana, em Recife, tratando uma infecção intestinal. O corpo foi velado na Câmara Municipal, o enterro foi hoje, às 14h, no Cemitério Dom Bosco.

 “Pernambuco e o Brasil perderam um dos seus mestres da música popular nordestina com a morte de Camarão. Um mestre pela maestria com a qual desempenhava sua arte e também pelo apoio e o incentivo que deu às novas gerações. Fica mais uma lacuna que dificilmente será preenchida. Presto minha solidariedade aos familiares e amigos do Mestre Camarão”, disse em nota o governador do Pernambuco Paulo Câmara.

Enviado por Zeh

Sanfoneiro pernambucano Camarão morre de infecção generalizada aos 74

Do G1

Artista tratava infecção no intestino, há seis dias, em hospital no Recife.
Mestre da sanfona, ele tinha sido nomeado Patrimônio Vivo de Pernambuco.

Sanfoneiro Camarão se apresentou no centenário de Luiz Gonzaga, em Exu, 2012 (Foto: Luna Markman/G1)

Morreu na manhã desta terça-feira (21), aos 74 anos, Reginaldo Alves Ferreira, mais conhecido como Camarão, um dos maiores mestres sanfoneiros de Pernambuco. De acordo a família do artista, Camarão estava internado há seis dias no Hospital Santa Joana, no bairro do Derby, área central do Recife, onde tratava uma infecção intestinal. O velório acontece na Câmara Municipal do Recife. De lá, na manhã desta quarta, o corpo será levado para Caruaru, no Agreste do estado, onde o enterro acontece na quarta (22), às 14h, no Cemitério Dom Bosco.

Salatiel, filho de Camarão, informou ao G1 que o pai era paciente renal e sentiu-se mal na última segunda-feira (13). “Ele fez uma consulta, passaram medicação e ele voltou para casa. Na quarta [15], foi fazer hemodiálise na Unimed, e a médica indicou que ele fosse internado. Na quinta [16], ele deu entrada na UTI do Santa Joana, onde descobriram que umas feridas no intestino grosso provocaram uma infecção instestinal. Agora de manhã, ele ia fazer hemodiálise, mas a pressão dele baixou muito, e o coração não resistiu”, contou.

O corpo de Camarão chegou à Câmara pouco antes das 19h. Os sanfoneiros Cezzinha, Beto Hortis e Ítalo Costa homenagearam o mestre, tocando durante a cerimônia. Outros artistas, como Cristina Amaral e Geraldinho Lins, também estiveram no plenário, para dar apoio à família. A saída para Caruaru está prevista para as 9h. Na cidade, também haverá um curto velório na Câmara de Vereadores, antes do sepultamento.

De acordo com o site da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Camarão nasceu em Fazenda Velha, Brejo da Madre de Deus, no Agreste pernambucano, em 23 de junho de 1940, véspera de São João. Radicado no Recife há 25 anos, ele vivia de shows e das aulas de sanfona que ministrava na sua Escola Acordeom de Ouro, no bairro de Areias, na Zona Sul do Recife. Foi professor de sanfoneiros como Cezzinha e Targino Gondim.

Camarão era casado com Maria da Penha e deixou quatro filhos – Salatiel, Sérgio, Sandro e Tadeu. O artista foi nomeado Patrimônio Vivo de Pernambuco, por meio da Lei estadual nº 12.196, de 2 de maio de 2002.

Repercussão

O governador Paulo Câmara emitiu nota oficial sobre a morte do sanfoneiro. “Pernambuco e o Brasil perderam um dos seus mestres da música popular nordestina com a morte de Camarão. Um mestre pela maestria com a qual desempenhava sua arte e também pelo apoio e o incentivo que deu às novas gerações. Fica mais uma lacuna que dificilmente será preenchida. Presto minha solidariedade aos familiares e amigos do Mestre Camarão”, diz o texto.

A Secretaria de Cultura de Pernambuco e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) divulgaram nota oficial conjunta, lamentando o falecimento de Camarão. “Após mais de meio século animando a música nordestina e formando novos sanfoneiros – especialmente na Escola Acordeom de Ouro, fundada por ele e localizada em Areias (Recife) -, Camarão parte deixando um rico repertório e um exemplo de dedicação à difusão da nossa cultura. Que a alegria de suas imortais criações e seu exemplo de mestre generoso sigam inspirando não apenas as novas gerações de sanfoneiros, mas a todos nós, que assumimos como missão contribuir para a formação cultural da nossa gente”, diz o documento.

O prefeito do Recife, Geraldo Julio, também liberou nota sobre a morte. “A perda do Mestre Camarão deixa um hiato na cultura nordestina, que ele tão bem defendeu com sua sanfona. Músico que fazia questão de ensinar os acordes para os mais jovens, teve homenagem justa no São João do Recife de 2007. Recentemente, estivemos juntos em homenagem a Luiz Gonzaga, no lançamento de painel com imagem do velho Lua na fachada da prefeitura, e ele carregava como sempre sua sanfona e seu bom humor. A cultura popular perde um ícone e os amigos e familiares perdem uma grande figura humana. Ficam a saudade e o legado deixados por Camarão.”

Trajetória

A página da Fundaj dedicada ao Mestre Camarão informa que ele aprendeu a tocar sanfona observando os movimentos do pai, o sanfoneiro Antônio Neto, e se aperfeiçoou ouvindo Luiz Gonzaga e estudando os métodos de Mário Mascarenhas. Iniciou a carreira artística em Caruaru, onde tocava nas feiras e festas da região.

Aos 18 anos, conheceu Luiz Gonzaga, com quem participou de 28 gravações, entre discos long plays,78 rotações e CDs. Camarão formou com os músicos Jacinto Silva e Ivanildo Leite seu primeiro conjunto musical, o Trio Nortista e, em 1968, criou a primeira banda de forró do Brasil, a Banda do Camarão, e ainda a Orquestra Sanfônica de Caruaru.

Seu repertório era composto por ritmos regionais como o xote, o xaxado, o baião, o forró e o arrasta-pé. Mestre Camarão costumava a acompanhar grandes nomes da música nordestina, como Dominguinhos, Santanna, Marinês, entre outros.

Em 1961, representou Pernambuco junto com o mestre Vitalino no primeiro aniversário de Brasília, a convite do então presidente da República, Jânio Quadros. Em 2002, foi a São Paulo apresentar-se no projeto Sanfona Brasil. Em 2004, participou do projeto O Brasil da Sanfona.

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Sair da versão mobile