Se tem coisa que não presta é um tal de eleitor, por Carlos Motta

Se tem coisa que não presta é um tal de eleitor, por Carlos Motta

Dicró foi um dos mais bem sucedidos cantores e compositores do samba humorístico, que eternizou também Moreira da Silva e Bezerra da Silva, entre outros. Morto em 2012, Dicró era chamado então de “Prefeito do Piscinão”, por ter sido um dos maiores incentivadores da criação do Piscinão de Ramos, uma praia artificial no bairro da Maré, Rio de Janeiro, hoje denominada Parque Ambiental Carlos Roberto de Oliveira “Dicró”.

Talvez por ter conhecido bem os políticos, Dicró sabia que não deveria confiar cegamente neles.

Sua vingança contra essas pessoas que prometem tudo antes de uma eleição e depois simplesmente ignoram o que prometeram, foi o samba “O Político”, em parceria com Pongá.

Nele, Dicró inverte a lógica: não é o eleitor que reclama do político, mas o candidato que não foi eleito que se queixa do eleitor: “Se tem coisa que não presta é um tal do eleitor/Hoje eu tenho meus motivos, para estar injuriado/Porque eu só tive um voto e mesmo assim foi anulado/Só tem gente canalha, como tem gente ruim/Nem a minha mãe votou em mim.

A letra é impagável e provoca algumas reflexões – afinal, não tem candidato presidencial que promete resolver todos os problemas do país apenas armando a população?

Dei cimento, dei tijolo

Dei areia e vergalhão

Subi morro, fui em favela

Carreguei nenê chorão

Dei cachaça, tira-gosto

E dinheiro de montão

E mesmo assim perdi a eleição

Traidor, traidor

Se tem coisa que não presta é um tal do eleitor

Prometi a minha nega que ia ser a primeira dama

Porém quando eu perdi, ela perdeu ate a cama

E achei o meu retrato no banheiro da central

Vou da um coro no meu cabo eleitoral

Traidor, traidor

Se tem coisa que não presta é um tal do eleitor

Hoje eu tenho meus motivos, para estar injuriado

Porque eu só tive um voto e mesmo assim foi anulado

Só tem gente canalha, como tem gente ruim

Nem a minha mãe votou em mim

Ô mamãe eu me admiro a senhora

Se meus inimigos não votarem em mim tudo bem

Mas a senhora que depende de mim, não votar é sacanagem

Eu hein…

Os eleitores que não te conhecem, não votaram

Eu que te conheço vou votar? Ah! Tô fora…

 

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