Trivial das canções infantis

Oi Nassif e pessoal do blog!

Gostei da sugestão e do pessoal do blog também! Que tal então abrir um post sobre sugestões de músicas e discos para crianças! Minha filhinha de 9 meses adora ouvir CDs ( e destruir as caixinhas). Ela adora o CD dos Saltimbancos, especialmente e música “Bicharada” (au-au-au, io, iÓ, miau, miau). A gravadora relançou em 2006. Acho uma delícia ela curtir as músicas que eu gostava quando criança. Ela também ouve o CD da Vila Sésamo (de 75), que eu tinha em vinil e ouvia na minha vitrolinha.

Recomendo os da gravadora MCD, muito bons, além do Palavra Cantada, é claro.

E como eu e o pai dela somos roqueiros, tem uma série de CD’s com versões “baby” de músicas do Police, Beatles, Pink Floyd, U2 – fofo!

Bjs e boa semana a todos! 

Menininhas do meu coração

crônica de 8/10/2002

Minha mãe cantava as cantigas que sua mãe cantava as cantigas que sua mãe lhe ensinou. E foram as cantigas que me cantou que eu cantei para as minhas filhas que cantarão para meus netos. “O cravo brigou com a rosa / debaixo de uma sacada / o cravo saiu ferido / a rosa despedaçada” saiu da vó Mariquinha para seus muitos filhos, passou da vó Marta para seus dez filhos, da dona Tereza para seus cinco, ramificando-se por todos os galhos da grande família Brasil.

Essas cantigas infantis são fios que vão tecendo a grande malha da nacionalidade, unindo gerações que jamais se conheceram e permitindo, na nossa hora de preparar a transição das velhas para as novas, um certo sentimento de dever cumprido, de quem pegou o bastão dos ancestrais e entregou incólume aos descendentes.

Quando minha mãe juntava os filhos no sofá, eu, mais as quatro irmãs mais novas, sapecava “Trolinho”, de Ari Barroso, “Boi da Cara Preta”, de Dorival Caymmi, e solfejos que, poucas vezes gravados, transitaram no tempo por meio da família brasileira. “Aiai, que tem, saudades de quem / do cravo, da rosa, que mais quero bem / trepei na roseira / quebrei um galho / papai acuda senão eu caio.” Ou então provocavam minha irmã Regina, solfejando: “Eu sou pequenininha, da perninha grossa, vestidinho curto, papai não gosta”.

As primeiras gravações infantis que conheci foram da coleção João de Barro (organizada e composta pelo autor de “Carinhoso”), uns disquinhos pequenos, coloridos, em 45 rotações, que ganhei aos cinco anos. Chorei com a “Pobre Viúva” (“Dizei, senhora viúva/ com quem quereis se casar / se é com o filho do conde / se é com seu general”), me diverti com a “Bandinha da Cazuza”, me entusiasmei com o hino dos caçadores, do “Chapeuzinho Vermelho” (“Nós somos os caçadores / e nada nos amedronta / damos mil tiros por dia / matamos feras sem conta”), com a machadinha (“Há, há, há, minha machadinha / quem que pôs a mão sabendo que é minha”).

Depois, vieram as minhas meninas, em períodos diferentes, e em períodos diferentes vieram novas obras se incorporando ao grande repertório intemporal das cantigas infantis. Em meados dos anos 80 Maricotinha, a primeira, brigava comigo por causa da letra do “Trolinho”. Ela teimava que era “rodando de mansinho” e eu insistia que era “trotando”, como minha, sua avó me ensinou.

Desde pequena, Luizinha conhecia todo o repertório da família Caymmi, mas ambas se encantavam com a “Cantiga de Rodas”, editada pelo selo Eldorado e que, pela primeira vez, trouxe para o Sul o gênio incomparável de Antônio Nóbrega.

Hoje em dia, com seus 2 anos e meio, a Bibi conhece todo o repertório das cantigas e solfejos de sua trisavó por meio de um CD extraordinário, lançado algum tempo atrás pelo Paulo Tatit com vários cantores, entre eles a Mônica Salmaso, que a Dinalva, com a autoridade de uma autêntica pernambucana, qualifica de voz de anjo. A caçula Dorinha, de 1 ano, e sua sobrinha Clarinha, de 1 ano e meio, vão trilhar o mesmo repertório.

Mas as canções infantis da minha vida, aquelas que levarei para sempre na lembrança, associadas a cada ato de filha e neta, são da “Arca de Noé”, uma obra-prima inigualável de Vinicius e Toquinho, que virou a mais bela poesia que a televisão brasileira jamais produziu, de autoria de Augusto César Vanucci, na Globo.

No início dos 80, quando saía do “Jornal da Tarde” no final do dia, louco para ver minha Maricota, recém-nascida, ia cantarolando “Menininha”, de Toquinho e Vinicius -“Também não se esqueça de mim / Quando você souber enfim / De tudo o que eu amei”. E não havia BNH, crise cambial que desviasse minha atenção de seu berço. “São Francisco”, de Vinicius e Paulo Soledade (“Lá vai São Francisco / pelo caminho / de pé descalço / tão pobrezinho”), lembrava a Luizinha e sua tristeza, quando morreu sua tartaruga microscópica. Sentadinha no sofá, ouvindo quietinha a “Arca” o dia inteiro, a Bibi será lembrada pelo “Pato” que ela me fez cantar em coro toda vez que começa a tocar.

E, graças às cantigas de roda, todas elas, mais a Dorinha e a Clarinha, serão eternamente as “menininhas do meu coração”, que estarão para sempre “a três palmos do chão”. 

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