Um fenômeno que vem lá do Sul, por Aquiles Rique Reis

Hoje conversaremos sobre (in)visível (independente), o primeiro trabalho da cantora, compositora e instrumentista Jéssica Berdet, que nasceu em Bagé e hoje mora em Porto Alegre.

Um fenômeno que vem lá do Sul

por Aquiles Rique Reis

Hoje conversaremos sobre (in)visível (independente), o primeiro trabalho da cantora, compositora e instrumentista Jéssica Berdet, que nasceu em Bagé e hoje mora em Porto Alegre. No EP, com seis faixas e uma bonus track, está sua vida.

A galera que toca na gig, produzida por ela em parceria com Amaro Neto, é Bernardo Zubaran (harmônica), Bruno Coelho (percuteria), Dionísio Souza (baixo), Samuca do Acordeom (acordeom) e, como não podia deixar de ser, a própria Jéssica (voz, vocais, violão, guitarra e baixo). Um time com poucos instrumentistas, mas em sintonia total com a música que a moça tem da cabeça aos pés.

Devaneio. Vai que um de vocês me pergunta: “Afinal, ela é uma boa instrumentista?” Outro de vocês dirá: “E a voz dessa Jéssica, é boa? Ela é afinada? Tem ritmo, tem suingue?” A todos eu respondo com um taxativo sim!

Some-se a essas tantas virtudes uma que faltou, talvez a principal: suas letras…! Imagens maiúsculas, palavras expressas com a força de mil imagens.

O EP roda: a percuteria puxa a intro de “Me Deduz”, parceria de Jéssica com o grande poeta e compositor gaúcho Jerônimo Jardim. Ali ela se revela pronta para o desafio de lançar-se ao mundo sem rede de proteção, apenas com a cara, a coragem e os versos de Jerônimo, versos que certamente lhe despertaram amor incondicional pelo verbo: “(…) Me induz/ A fazer tudo que eu sei/ A aprender o que eu não sei/ Me revelar pelo avesso/ Me dar do fim pro começo (…)”.

Em seguida, “Sabe”, a primeira das cinco músicas só de JB. É quando a sua força poética se expõe: “(…) Vou procurar no mar uma estrela qualquer/ Que desarrume meus passos/ Me faça viver”.

Enquanto toca contrabaixo fretlass em “Tanto” (JB), sua voz sedutora põe-se a serviço dos versos. Afinada, as notas vêm sem deslizes. Vocalizes chamam atenção para a beleza prenhe de vigor da harmonia, notabilizada pelos versos de Jéssica: “(…) Não é tão ruim a dor, pior é a flor quando some/ Depois mata a fome entre solos de ilusão”.

Clareia” (JB) tem sabedoria (in)verso e música: “(…) Um outro pé me guiou em vão/ Nem chega perto/ Pra eu poder estacionar meu coração (…)”.

Em “Singular” (JB), a harmônica entoa (in)versos e reversos. O violão dilata o sentido da música que nasce. Enquanto a melodia cresce, as palavras vivem: “(…) Teus olhos piscam devagar/ Divagam poemas sem fim/ Me despem em qualquer lugar/ E acendem em mim o estopim (…)”.

Em “Som” (JB), os instrumentos a tudo harmonizam e ampliam o sabor das palavras, enquanto Jéssica, feito fera gentil, enjaulada em si mesma, expõe sua alma: “(…) É tolice pensar/ Renascer, religar/ E querer explicar/ A voz”.

Em (in)visível, Jéssica impressiona, expondo sua poética e sua musicalidade com um tal discernimento que a despe diante dos que atendem ao chamado de sua arte. Arte que, como um apaixonado e implacável punhal, penetra em nossas almas, agarrando-as pelo gasganete, apresentando-lhes o mar da mais pura (in)tranquilidade.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome