Uma musicista da arte contemporânea, por Aquiles Rique Reis

Julie Wein é intérprete com preciosos recursos e os irradia com a força do ardor de uma grande mulher. Melodias doces, quase frágeis, de elegância discreta, simplesmente encantadoras.

Uma musicista da arte contemporânea

por Aquiles Rique Reis

Eis que surge Julie Wein, compositora, pianista e cantora com um talento e tanto. Infinita é a soma de seus predicados: sutil, apurada; harmonia contextualizada; melodias afetuosas; letras sinceras e pessoais; verso e prosa com sustança corajosa. Ajuntando tudo, ela mostra vocação total para uma criação de refinada sedução.

Wein é intérprete com preciosos recursos e os irradia com a força do ardor de uma grande mulher. Melodias doces, quase frágeis, de elegância discreta, simplesmente encantadoras. Versos expõem seus amores e seu ofício, e nos deixam pensar que os desvendaremos.

Escreve versos que, ao se abrigarem na melodia, fazem com que os olhos do ouvinte se arregalem e de dentro de sua alma venha um gemido de satisfação e carinho pelo que se lê.

Julie Wein lançou o seu primeiro álbum Infinitos Encontros (Biscoito Fino). Como um boré, o disco convoca as “tribos” a pensarem em música como se fosse ela a primeira e máxima ação a chegar à profundeza da alma humana. Arte que vai ao íntimo, bem antes de o cérebro e o coração darem tento.

A música de Wein parece ser o primeiro dos sentimentos, o que vem com o nascimento, passa pela infância e a adolescência, para enfim desaguar no universo adulto. Imensas barreiras se erguem entre cada momento. São difíceis de serem vencidas, mas a música pode torná-las um pouco menos traiçoeiras.

Abre o som. Vem Julie Wein. Com ela está o canto de uma mulher madura que tem o amor como uma de suas marcas. Sua voz vai às notas como uma agulha cerze o pano sem lhe causar dano. Como se fossem búzios, bola de cristal, cartas, tarô, as músicas expõem (quase) tudo o que nos é dado a saber sobre a sua personalidade.

A tampa abre com “Trânsito de Marte” (Julie Wein). A letra diz: “(…) O nosso amor existe só/ No tempo em que a terra encobre a lua (…)”. Ao ouvi-la, tem-se uma certeza… se a abertura é assim, com a voz e o piano em sussurros amorosos, imagine o que está por vir?

Leia também:  Canidé Ioune e as restrições impostas pelo youtube, por Luciano Hortencio

JW está ao piano, Juliane Weingartner e Marcio Ferreira Rodrigues nos violinos, Carlos Tavares à viola e Romildo Weingartner ao cello. A cada nota a voz de Wein espoca como um flash de brilho intenso.

Fechando a tampa, piano (JW), violão (Victor Ribeiro, ele que também produziu e escreveu os arranjos), percussão (Marco Lobo), baixo acústico (Jorge Helder), sax soprano (Yuri Villar) e coro infantil conduzem “Mar Demais” (JW, melodia, Mariana Ferrão, letra).

Intensa, Wein exacerba as notas – é como se o amor assim pedisse. Infinita é a soma de seus atributos. Firmes, as sílabas se moldam ao seu cantar. E é logo no primeiro verso que a excitação assume o lugar do lirismo: “Água tatuada no coração/ Testemunha de tantas vidas/ Mar uma saudade de gente/ Presa à superfície da pele (…).

Julie Wein me instigou: que versos mais ousados, que intérprete mais aprimorada, que musicista mais detalhista: as minúcias de seu ofício atestam a sua arte, arte de uma mulher contemporânea que vive de amar.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome