Viva os “noventão” de Luiz Vieira!, por Aquiles Rique Reis

Na coluna de hoje, Aquiles Rique Reis comenta o CD "Luiz Vieira - 90 anos", lançado pela Kuarup

Capa do CD "Luiz Vieira – 90 anos"

Viva os “noventão” de Luiz Vieira!

por Aquiles Rique Reis*

Antes de mais nada, quero parabenizar a gravadora, através de seu diretor Rodolfo Zanke, pela iniciativa de registrar o momento histórico de um grande nome da música brasileira. Pois foi com alegria e emoção que eu ouvi o CD Luiz Vieira – 90 anos (Kuarup).

Sua gravação se deu ao vivo no Teatro Itália no dia 2 de outubro de 2018, quando dezenas de cantores e cantoras ali se reuniram para dizer a Luiz Vieira como ele foi e é importante para cada um deles, e também para dizer o quanto ele é amado pelo povo.

A produção do evento esteve a cargo da competência de Thiago Marques Luiz, enquanto a Alexandre Vianna coube a direção musical, os arranjos e o piano. Um grupo de bons instrumentistas tocou na festa, gravada por Boris Pinheiro e mixada por Cacá Lima: Ronaldo Rayol (violão), João Benjamin (baixo acústico), Rafael Lourenço (batera) e Thadeu Romano (acordeom).

Pois bem. Um disco que reúne tantos grandes nomes para homenagear uma pessoa em quem todos, de uma forma ou de outra, se inspiraram, pode, vez por outra, tornar-se uma colcha de retalhos desconjuntados, mas movida a fascinado carinho.

De maneira singular, muito pela criatividade dos arranjos de Alexandre Vianna – sempre adequados à voz de quem cantou e acertados diante da variedade de gêneros musicais compostos pelo “noventão” Vieira –, o repertório é sempre apresentado como uma fina cortina harmônica e rítmica, daquelas que a brisa embalança.

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Comecei esta dica falando em emoção, não foi? Pois ela me pegou de jeito… Em minha casa, desde menino, minha mãe e meu pai ouviam Luiz Vieira pelo rádio.  E o que uma criança escuta junto com seus pais é para sempre.

Pouco tempo atrás, eu já adulto, volta e meia ouvia minha mãe dizer que ligara para Eurídice Vieira, esposa do nosso “Menino Passarinho” – o tom de minha mãe vinha envolto em carinho puro por nosso ídolo, ele que nos embalara com a voz talhada para cantar o que o povo ama ouvir.

Movido pela ternura e pela emoção de ter acesso à bela homenagem ao gênio, cuja virtude maior é revelar a alma da gente brasileira, pincei as gravações que mais me comoveram.

Ayrton Montarroyos em “Guarânia da Saudade” (Luiz Vieira), Claudette Soares em “Inteirinha” (LV), Verônica Ferriane e Zeca Baleiro em “Na Asa do Vento” (LV e João do Valle), Maria Alcina e Edy Star em “Estrada do Calumbandê” (LV), Sérgio Reis em “Cativo” (LV), Agnaldo Rayol em “Resto de Quem Parte” (LV), Agnaldo Timóteo em “Poema de Um Bruto” (LV), Moacir Franco em “Balada do Amor Sublime” (LV), e Renato Teixeira em “O Menino de Braçanã” (LV e Arnaldo Passos). Essas e outras cantorias reverenciaram este grande ídolo popular.

Viva Luiz Vieira! Sabê-lo bem, em meio ao afago de tanta gente boa, dá um orgulho do tamanho de um bonde.

Prestar-lhe tributo engrandeceu os que cantaram e tocaram na festa. Tamanha alegria não se reserva apenas a quem esteve no Teatro Itália, mas se estende também aos que, como eu, venham a ouvir esse ótimo CD.

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*Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4.

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3 comentários

  1. Se participei de 300 serenatas nas noites calientes e enluaradas de minha cidade, Queimadas, no interior baiano, a música chave ao apagar da luz prateada se dava com” Menino de Braçan
    ã. Saudades.

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