Xingú, de João Nogueira, mais atual do que nunca

De repente eram mais que canhões. Na mão de quem guerreia. Caraíba quer civilizar o índio nu. Caraíba quer tomar as terras do Xingu

Enviado por Jardel Negreiro
comentário no post Projeto de Bolsonaro quer permitir garimpo em terras indígenas

Mais atual do que nunca:
Xingu, de João Nogueira

Pintado com tinta de guerra, o índio despertou
Raoni cercou os limites da aldeia
Bordunas e arcos e flexas e facões
De repente eram mais que canhões
Na mão de quem guerreia.

Caraíba quer civilizar o índio nu
Caraíba quer tomar as terras do Xingu.
Caraíba quer civilizar o índio nu
Caraíba quer tomar as terras do Xingu.

Quando o sol resplandece os raios da manhã
Na folha, na fruta, na flor e na cascata
Reclama o pajé pra Tupã
E o curimatã sumiu dos rios
Uirapuru fugiu pro alto da mata
Toda a caça ali se dispersou
Oh, Deus Tupã!
Benze a pedra verde, a muiraquitã

E os índios estão se juntando igual jamais se viu
Pelas terras do pau-brasil.
É kren-akarore, caiabi, kamaiurá
É txukarramãe, é kretire, é carajá
É kren-akarore, caiabi, kamaiurá
É txukarramãe, é kretire, é carajá

Ei, Xingu!
Ouvindo o som do seu tambor
As asas do condor, o pássaro guerreiro,
Também bateram, se juntando ao seu clamor
Na luta em defesa do solo brasileiro.
Um grito de guerra ecoou
Calando o uirapuru lá no alto da serra
A nação Xingu retumbou
Mostrando que ainda é o índio, o dono da terra

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