Rádio Web Boca Livre, nosso papo é música!, por Marquinho Carvalho

Rádio Web Boca Livre, nosso papo é música!, por Marquinho Carvalho

Com este lema criado há treze anos começava a funcionar na grande rede a www.radioweb.bocalivre.org, uma rádio virtual criada com o ideal de divulgar a fantástica música brasileira.

Nestes treze anos de atuação envolta na velocidade das transformações do mundo virtual a Boca Livre, mesmo “envolta em tempestade decepada, entre os dentes, ‘segurou’ a primavera” (Primavera nos Dentes – Secos e Molhados).

Faço esta afirmação porque quando a rádio começou a funcionar vivíamos o advento do compartilhamento de músicas pelo inesquecível Orkut e das centenas de blogs geniais que buscavam no imenso universo musical, singularidades, que determinavam suas postagens.

Que saudades do Loronix, Um Que Tenha, Abracadabra e tantos outros que muito contribuíram com o acervo da Boca Livre.

Imaginem que eu, apaixonado por discos de vinil, com uma grande coleção, pude baixar discos que jamais sonhei tê-los em minhas mãos, dada a dificuldade em adquiri-los devido a sua raridade e ao alto valor.

Então, absolutamente encantado com o acesso a estes verdadeiros tesouros da música brasileira e o desejo que mais pessoas também pudessem ter o privilégio que eu tive de conhecer um pouco mais da grandiosidade da nossa música, eu, o Rafael e o Manoel tivemos a ideia de criar uma rádio web. Nascia a Boca Livre!

Como eu disse anteriormente, a velocidade do desenvolvimento tecnológico com o aumento dos interesses capitalistas nesta área, nortearam o processo resultou na caça às bruxas aos idealistas que compartilhavam discos por meio dos blogs e sites especializados, simultaneamente ao surgimento das grandes corporações de streaming. Com tal cenário, nós, que sonhávamos com o compartilhamento gratuito e o crescimento das rádios virtuais, vimos “as janelas” se fecharem brutalmente.

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A Boca Livre, que chegou a merecer uma valiosa nota na revista Carta Capital, matéria no jornal Diário da Manhã, de Goiânia, reportagem na TV Anhanguera (afiliada da Globo em Goiás) e um link no Blog do Rovai, viu a sua audiência cair vertiginosamente.

Mesmo assim, ela resistiu a todo este cenário adverso e completou treze anos em agosto passado.

No último domingo (18/11/2018), eu e minha esposa, Valeska, ouvíamos, deslumbrados, a Boca Livre. Daí comecei a “printar” a tela do notebook com a relação das últimas músicas executadas na rádio.

Ah, lembrando que este é um diferencial da Boca Livre que jamais vi noutra rádio virtual, ou seja, nesta relação consta o nome do artista, o nome do disco, o ano de sua gravação e o título da música, que ficam expostos em média vinte minutos na tela do computador.

Mas, voltando aos pints da tela, eu o fazia com a intenção registrar a cada música tocada a diversidade do nosso acervo, a beleza de cada uma daquelas canções, a versatilidade de nossos compositores, intérpretes e arranjadores, a profusão de gêneros musicais, enfim, a grandiosidade da música brasileira.

Foi aí que me lembrei de uma história narrada pelo saudoso Armando Nogueira em sua coluna “Na Grande Área”, no jornal O Globo, intitulada “Romário e Orson Welles”.  A sua intenção era contextualizar uma fantástica atuação do jogador numa partida contra a Ponte Preta em Campinas com pouquíssimas pessoas no Estádio Moisés Lucareli.

A história é a seguinte: “…Fazer o que fez Romário pra tão pouca gente, me fez lembrar a história de Orson Welles, o genial cineasta americano.

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            Numa excursão artística pela Alemanha, Orson Welles se apresenta num teatro. Abre-se a cortina. Diante dele, uma plateia de apenas seis pessoas. Seis gatos pingados. Orson principia seu monólogo:

–         Meu nome é Orson Welles, sou ator de teatro, sou diretor e ator de cinema, sou produtor e apresentador de rádio, sou redator, sou tradutor. E concluindo:

–         Pena que eu seja tantos… e vocês, tão poucos…”.

 

Contextualizando esta fala de Orson Welles para o cenário atual da audiência da Boca Livre: o melhor da música brasileira, grandes compositores, fantásticos arranjadores, excelentes letristas e poetas, geniais intérpretes, extrema variedade de gêneros musicais. Concluindo: pena que a Rádio Web Boca Livre seja tantos e vocês tão poucos na sintonia.

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4 comentários

    • Rádio Web Boca Livre

      Olá, João Bosco!

      Valeu o seu comentário. Que bacana você ter gostado da Boca Livre. Fiquei muito feliz. Faço a rádio com muito carinho. Espero que você siga acompanhando-a. Abraço

    • Obrigado, Maria Luísa! Adorei
      Obrigado, Maria Luísa! Adorei o seu comentário “…feita com tanto gosto “. Pois é exatamente isto. Faço a Boca Livre com muito gosto e entusiasmo. Abraço

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