Coerência e liderança

Tecendo um pouco mais sobre o assunto, incluindo os comentários de caros leitores como Marco, Martin e Rodrigo, a quem agradeço a elegância como discordaram, deixo um pouco mais claro o seguinte:

Não discuti, nem discuto os valores cobrados por tenistas ou seja lá por quem for. Como disse um dos leitores, paga quem quer. Não sendo serviço público, ou indispensável ao bem coletivo, essa é a regra do mercado.

O meu comentário, se prestarem atenção, é o seguinte. Atualmente maior porta-voz dos tenistas de o circuito estar sobrecarregado é o Nadal, no que não deixa de ter certa razão. No entanto, como muitos afirmam, cada um faz o seu calendário. Desde o início do ano Federer alertou que esta temporada seria mais intensa e perigosa por conta do calendário e que seria uma atenção extra no que jogar.

Este ano, Nadal, além de jogar os Masters Series, os GS, as Olimpíadas, as Copa Davis, jogou Queens, Barcelona, Dubai, Rotterdam e Chennai, fora qualquer exibição que eu não saiba. Estes últimos cinco eventos ele não tinha a obrigação de jogar. Queens eu até entendo. Barcelona tambem dá para entender. Os outros foram escolhas, e por razões, pessoais.

O circuito obrigatório tem muitas semanas, mas ele escolheu acrescentar ainda mais. Quanto as tais exibições, no Chile, até agora confirmada, e no Brasil, se está cansado e arrebentado, como reclama há meses, o que precisa fazer? Descansar! Mas se colocam EURO 1 milhão na mão dele, ele revê a posição política pela qual faz tanto alarde?

Na minha cabeça seria mais coerente dizer; o circuito está muito cheio, o meu corpo está quebrado, preciso de descanso e, por conta de tudo isso, sequer considero novos compromissos. Pedir um valor desses, por uma única partida, para os organizadores do segundo evento que venceu na carreira, aquele que abriu a marcante temporada de 2005, e onde foi muito bem tratado, segundo ele mesmo, em um país que não pode se dar ao luxo de rasgar dinheiro como um emirado árabe, talvez não tenha sido uma atitude muito coerente.

Vale mencionar que Nadal jogou catorze eventos no primeiro semestre e, até agora, sete no segundo – ou seja, metade. Cada um sabe onde dói e tambem quanto vale. Mas, como primeiro do ranking e agora membro do Conselho da ATP, a coerência, isenção e ética em todas as situações serão ainda mais bem vindas e esperadas.

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