NÃO DEU LIGA

Na verdade, a contagem regressiva de Muricy no Palmeiras começou no dia em que foi contratado. E isso nada tem a ver com sua competência como treinador de futebol vitorioso: campeão pernambucano, gaúcho, vice-brasileiro pelo inter e tricampeão pelo São Paulo, entre outros títulos, Muricy ostenta um dos mais irretocáveis currículos do futebol brasileiro.

Divertido às vezes, malcriado na maioria das outras, Muricy não é fácil, como ele mesmo diria.

Mas não foi por nada disso que Muricy caiu. Foi porque, além de carregar nos ombros a carga de suas raízes tricolores para o Parque Verde, pegou o time voando nas mãos de Jorginho, então, técnico interino, após a saída de Luxemburgo.

Muricy, então, não resistiu e resolveu imprimir suas digitais num time que estava redondinho. Mudou o sistema para três zagueiros, o time oscilou, tentou voltar, não deu certo, e o Palmeiras declinou da liderança para fora da zona da Libertadores nas últimas rodadas do Brasileirão.

Isso vincou definitivamente uma ruga profunda na testa do palestrino sempre que ouvia o nome de Muricy. A diretoria tentou segurá-lo, na esperança de que, ano Nov, vida nova, com o técnico podendo montar o time ao seu gosto. Mas, a torcida expulsou Wagner Love e a empresa parceira recuou nos investimentos, dado ao novo cenário, e Muricy ficou com o que tinha: um bom time, capaz de ser excelente, mas de elenco reduzido.

E até que começou bem, com seus dois zagueiros e Sacconi ajudando Cleiton Xavier na armação e tal e cousa e lousa. Chegou, porém, Edinho, um beque-volante, seu peixinho no Inter, ao mesmo tempo em que Sacconi batia e voltava no Nantes.

Com Edinho, falsamente atuando como volante, mas, de fato, um terceiro zagueiro, levou um passeio do São Caetano no primeiro tempo, que chegou a 3 a 0 mas poderia ter sido mais.

Voltou no segundo tempo com Sacconi, mas, de imediato, tomou o quarto gol. Tudo isso em pleno Palestra Itália. E, embora melhorasse sensivelmente no segundo, com Sacconi, não chegou a evitar a suprema humilhação de levar de 4 a 1 para o São Caetano.

Foi a gota d’água, num copo entornado, boa parte pela incúria da direção e boa parte pela incapacidade de Muricy obter os resultados mínimos para sua sobrevivência no Parque.

Resumindo: como diria o próprio Muricy – não deu liga.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora