Reflexões sobre o Futuro Imediato do Egito

Há um longo caminho pela frente na politização dos trabalhadores egípcios. Pelo que eu tenho visto, o plano A dos EUA é uma figura dentro da camarilha de Mubarak (como o recém-nomeado vice, Omar Suleiman). A continuidade do mubarakismo sem Mubarak. Mas não vão levar. O plano B é El Baradei. Só que, com El Baradei, Israel algo perde (p ex, os contratos de fornecimento de gás subsidiado, que o próprio judiciário submisso a Mubarak decidiu ilegal, mas o governo ignorou), mas sem perder de todo. E a Europa ganha em influência. Provavelmente, El Baradei iria jogar com as contradições entre Europa e EUA para ganhar alguma autonomia. Mas seria algo como o Brasil ou a Turquia. Nã uma ameaça frontal aos EUA e a Israel. Economicamente, El Baradei seria a continuidade das políticas ortodoxas. Ou seja, continuação do empobrecimento dos trabalhadores egípcios. Ou seja, no longo prazo, ou se têm novas revoltas, ou, havendo eleições, ganham setores menos alinhados ao imperialismo. Eu apostaria que o imperialismo buscaria ganhar tempo para articular uma nova alternativa autoritária através de um golpe militar. Os EUA farão de tudo para preservar a autonomia e a composição da cúpula militar, bem como os laços com o Pentágono. O ideal, para eles, seria uma tutela militar sobre as instituições políticas nos moldes do Paquistão.

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