Depois de delação, JBS pretende vender R$ 6 bilhões em ativos

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Foto: Divulgação
 
Jornal GGN – A JBS, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, anunciou ontem (20) um programa para vender cerca de R$ 6 bilhões em ativos. Este montante não inclui os negócios realizados na Argentina, Uruguai e Paraguai, que chegaram a R$ 1 bilhão.
 
Comunicado da empresa afirma que o programa pretende vender a participação de 19,2% que JBS tem na Vigor Alimentos, assim como as operações da Moy Park e da Five Rivers Cattle Feeding.
 
A Moy Park foi adquirida pela empresa dos irmãos Batista em  junho de 2015 pelo valor de US$ 1,5 bilhão. Antes, a empresa pertencia à Marfrig e tem 13 unidades em diversos países europeus, como Irlanda do Norte, Inglaterra, França e Holanda, focada em alimentos processados. Em seu site, a empresa afirma que fornece 25% do frango consumido na Europa Oriental. 

 
A Five Rivers trabalha com confinamento de gado e possui unidades no Colorado, Kansas, Oklahoma, Texas, Arizona, e Idaho, nos EUA, e também no Canadá. 
 
A JBS diz que a venda dos ativos será realizada para diminuir o endividamento líquido da empresa, pontuando que os negócios estão sujeitos à aprovação em seu conselho de administração e também pelo BNDESPar. 
 
Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES, afirmou que não foi informado sobre a alienação dos ativos da JBS, mas que vê o anúncio como uma “intenção boa”. O banco é maior acionista minoritário da empresa, com 21,3% e participação no conselho de administração. Rabello ainda disse que a prioridade para o BNDES é “defender empregos e o faturamento dessa empresa”. 
 
A holding que controla os negócios dos Batista, a J&F, também anunciou que pretende vender ao menos R$ 8 bilhões em ativos. Segundo a agência de ratings Standard & Poor’s, a J&F já colocou à venda a Vigor Alimentos e cogita se irá alienar a Eldorado (celulose) e a Alpargatas, das Havaianas.
 
A S&P rebaixou a classificação de risco da J&F, dizendo que a capacidade da holding em honrar suas dívidas está relacionada à venda de ativos, já que o fluxo de dividendos que recebe de suas empresas é restrito. A holding é quem irá pagar a multa de mais de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência com o Ministério Público Federal, que deve ser quitada no prazo de 25 anos. 
 
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5 comentários

  1. depois….

     O Empresário brasileiro tem que investir. O Empresário brasileiro é muito covarde. E outras pérolas. Depois este empresário, aproveitando da condição superior que os brasileiros criaram  para sua agropecuária, o que a tornou, a maior do planeta, ramo da agroindústria sem concorrência possível à mesma altura, e com ajuda do Banco de Fomento Nacional, transforma todo este potencial numa das maiores multinacionais do Mundo no ramo de alimentos. E O BNDES que emprestou dinheiro? Tem retorno financeiro espetacular e fenomenal, ampliado em sobremaneira por ser sócio de tal Empreendimento. E os brasileiros? Somente neste Grupo Empresarial conseguem a incrível marca de mais de 350 mil empregos diretos. E não somente empregos braçais. Empregos de 1; a linha em áreas onde é necessaário alto conhecimento técnico e tecnológico, conseguidos através de especializações e cursos universitários. Zootecnistas, Biologos, Veterinários, Engenheiros Agronomios, Relações Internacionais. Comércio Exterior, Engenheiros de Alimentos, Médicos, Farmacêuticos, Logistica, Advogados, Transportes, etc, etc, etc….Não somente Terceirizados, mas toda a nata dos Empregos de tal setor. E isto potencializados por milhões de empregos e famílias na produção rural para abastecer tamanha cadeia produtiva. E o Poder Político/Publico Nacional, o que faz? Primeiro a extorsão. Depois a vingança. E por último a falência. Tornará todo este patrimônio em alguma filial de multinacional estrangeira, com todo este investimento e retornos, garantindo empregos e lucros abissais para o país de origem da tal multinacional.  E os Politicos brasileiros e parte da mídia acusando a JBS de complô juntamente com Trump e com os americanos. Surreal é a palavra para definir o Brasil.  

  2. De onde vem (ou vinha) o dinheiro do JBS?

    Talvez, e certamente, seja vício de ex-bancário, mas as contas precisam fechar. Analise-se o comportamento dos dois grupos empresariais que se envolveram no gangsterismo político-financeiro dos últimos anos, o Odebrecht e o JBS.

    1) Grupo Odebrecht – Vence uma licitação superfaturada para uma obra, como são todas as licitações, sem exceção, por hipotéticos R$ 100 milhões. Ainda por hipótese, a obra vai custar R$ 30 milhões, R$ 70 milhões entram efetivamente no caixa da empresa, aí incluída a margem de ganho, que garantem o fluxo da atividade. Os R$ 30 milhões restantes são para distribuir entre a tigrada. Note-se que o dinheiro da tigrada não saiu do caixa da empresa, que ficou preservado, mas do sobrepreço cobrado da Petrobras, ou do caixa do governo, seja municipal, estadual ou federal, o que licitou a obra. 

    2) Grupo JBS – Ainda que o conglomerado atue em várias frentes, como se vê no texto acima, a atividade principal é comprar boi a R$ 120/130 a arroba, processar e vender no mercado interno e externo. Não há fornecimento para o governo, onde se poderia embutir um sobrepreço para fazer frente ao naco a ser entregue aos tigres. Haja chinelo havaiana. Como é que um grupo empresarial, que além de assegurar um padrão de vida nababesco aos seus proprietários (imóveis no exterior, iates padrão Onassis, sem esquecer da Ticiana Villas Boas), uma remuneração estratosférica ao seu Conselho de Administração, ainda pode sangrar o caixa em alegados R$ 600 milhões para financiar campanhas, além de comprar o Congresso, subornar o CADE, o Judiciário, pagar mesadas ad eternum? E a facilidade com que distribuía dinheiro entre a alcatéia faminta (coletivo de tigres)? Que margem de lucro é essa?

          a) O JBS cresceu exponencialmente, em curto prazo, praticando uma política agressiva de compra de concorrentes e diversificando atividades, movido a pesado endividamento, que tem um custo alto de carregamento;

         b) O BNDES não é e nunca foi a casa da mãe Joana, não doa dinheiro, empresta, no limite transforma parte do endividamento em participação acionária, portanto não é daí que sai o dinheiro;

         c) a atividade central do conglomerado é o processamento de carnes (bovina, suína), cuja matéria prima é adquirida no mercado, e vendida nas mais variadas formas. É uma atividade comercial como todas as outras, sujeita a demanda, custos de produção, cotações internacionais, ou seja, margens estreitas. Claro que em grande escala, geram uma receita na mesma proporção, mas as margens são estreitas. 

         d) o segmento de frigorífico de bovinos no Brasil tem um histórico trágico de quebradeiras. Até 15 anos atrás, a fama de frigorífico era de empresa que “anoitecia e não amanhecia”, considerado segmento de alto risco financeiro. Não há um único pecuarista no Brasil que não tenha guardada de recordação uma NPR – Nota Promissória Rural emitida por um frigorífico e não paga, calote. O JBS alterou substancialmente esse panorama. Concentrou o mercado? Sim, mas qual segmento da economia que não se concentrou? Só o que não se alterou foram as margens da atividade, não há mágica. As margens estreitas que inviabilizavam os frigoríficos do passado, permanecem. Não dá para brincar de Papai Noel, dinheiro não é capim e não aguenta desaforo. Uma coisa é fornecer para o Estado com 30% a 50% de sobrepreço, outra bem diferente é atuar no mercado numa atividade comercial de comprar, processar e vender. 

    A orgia financeira do JBS cobra seu preço. Agora, as contas começam a fechar. 

    • Perfeito resumo da situação!

      Uma das melhores contribuições de hoje.

      Os pecuaristas reclamam, mas até hoje as compras da JBS tem sido honradas. Por quanto tempo?

      Vamos observar as movimentações da ex-ministra da Agricultura de Dilma, senadora por Tocantins Cátia Abreu, uma das poucas inteligências do setor na política.

      • Reportagem no Globo, 11.06.2017

         

        JBS reduz abate e pecuaristas amargam excesso de gado

        Produtores também enfrentam dificuldades para receber à vista pela venda porque empresa só paga após 30 dias

               

        POR MANOEL VENTURA

        11/06/2017 4:30 / atualizado 11/06/2017 9:33Criação de gado em Peabiru, na Região Centro-Oeste do Paraná – Dirceu Portugal / Fotoarena

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        BRASÍLIA – Os efeitos devastadores da delação premiada dos executivos da JBS já são sentidos em toda a cadeia produtiva de carnes do país e preocupam os pecuaristas. A crise começou antes mesmo de os depoimentos dos donos da companhia envolvendo o presidente Michel Temer virem a público, no mês passado: a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, sobre irregularidades em frigoríficos, já havia afetado a exportação de proteína animal do Brasil. O escândalo das delações só fez agravar a situação: com a redução do abate pela JBS, o preço da arroba do boi caiu, e o gado lota os pastos, para desespero dos pecuaristas.

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        Os produtores nacionais têm enfrentado dificuldades para receber à vista pela venda do gado — a JBS determinou que todas as compras sejam pagas somente após 30 dias. Além disso, vários bancos estariam se recusando a receber as notas promissórias emitidas pelo frigorífico, com medo de calote, deixando os pecuaristas estrangulados, sem recursos.

        Com a credibilidade afetada pela delação, muitos produtores só aceitam vender para a JBS à vista. O resultado é uma queda no total de bois abatidos e gado parado, lotando os pastos dos pecuaristas e dando prejuízo para aqueles que mantêm os animais confinados.

        Enquanto isso, as principais concorrentes da JBS — Minerva Foods e Marfrig — não têm capacidade de processar a mesma quantidade de gado que era comprado pelo frigorífico. Procuradas, as duas empresas não quiseram comentar o assunto.

        PRODUTOR QUER BUSCAR OUTROS ESTADOS

        O vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Pedro Camargo Neto, aponta que o problema é mais grave no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul (estados que têm os maiores rebanhos do país), onde a JBS concentra a maior parte da capacidade de abate. Os produtores não têm a opção de vender para outras empresas. Por problemas de logística e de custo, eles não conseguem levar o gado para ser abatido em outros estados.

        — É um problema muito sério. Você tem uma estrutura de abate que não é usada, e alguns bois ficam sem ter para onde ir. Os preços estão caindo. Em Mato Grosso, a JBS concentra 50% da capacidade de abate. Em Mato Grosso do Sul, a empresa tem cerca de 40%. Você não tem o que fazer com esse gado todo de uma vez — explica Camargo.

        PREÇO DA ARROBA TEM QUEDA HISTÓRICA

        Em Mato Grosso, as estimativas apontam que o preço da arroba acumula queda de 5% desde o início da crise da JBS, segundo o diretor-executivo da associação dos criadores do estado (Acrimat), Luciano Vacari. Os produtores pediram ao governo do estado que agilize a certificação de frigoríficos locais — que representariam uma alternativa à JBS — e demandam, ainda, a isenção de ICMS para levar o boi para ser abatido em outros estados, onde há mais opção de empresas.

        — O problema é a concentração do mercado pela JBS. Com a crise política deles, as outras indústrias frigoríficas estão se aproveitando para, mais uma vez, pressionar o preço e comprar mais barato. Isso tem um impacto direto na renda do pecuarista, que está tomando prejuízo — afirma Vacari.

        Até o escândalo da delação, a JBS pagava à vista ao pecuarista pela compra dos bois. Depois do episódio, o grupo empresarial, que detém marcas como Friboi e Seara, mudou o modelo de negócio e passou a quitar a fatura em 30 dias, emitindo Nota Promissória Rural.

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        O mapa do negócioCompanhia está presente em 17 estados brasileirosUNIDADES DE PROCESSAMENTO DE BOVINOSUNIDADE DE COUROCONFINAMENTO DE BOVINOSCENTRO DE DISTRIBUIÇÃOAmazonasParáPernambucoAcreRondôniaTocantinsMato GrossoBahiaGoiásMinas GeraisMato Grosso do SulTOTAL NO PAÍSSão Paulo36UNIDADES DEPROCESSAMENTODE BOVINOSParanáRio de Janeiro30CENTROS DEDISTRIBUIÇÃOSanta CatarinaRio Grande do Sul16UNIDADESDE COURO3UNIDADES DECONFINAMENTODE BOVINOSFonte: JBS

         

        O resgate antecipado da nota promissória em instituições financeiras tem sido outra dificuldade para os pecuaristas. Há relatos de que alguns bancos não estão aceitando descontar a nota, que permite a antecipação do crédito.

        Outros estados também têm problemas. O gerente de estudos técnicos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Edson Novais, explica que a JBS representa quase 40% do total da capacidade de abate de bovinos no estado e que a crise da companhia afeta todos os produtores.

        — O preço da arroba em Goiás está caindo. Os produtores estão inseguros. Os bancos não estão mais aceitando as promissórias da JBS. Tudo isso está pressionando a arroba para baixo. A grande preocupação é com a artificialidade do preço do boi, porque os custos continuam altos, a quantidade de abate não está normal — afirma o produtor.

        Produtor de gado na cidade de Jataí, no interior de Goiás, Evandro Vilela de Barros afirma que os produtores estão apreensivos com a situação da JBS e temem até mesmo um calote. Ele conta que os pecuaristas também pediram ao governo do estado para facilitar o transporte do gado para ser abatido em outras unidades da federação.

        — O negócio não está fácil. A gente está vendendo menos, e os concorrentes deles estão pagando menos, mas os custos para a criação do animal ficaram maiores. A realidade é que há uma dependência da JBS. Esse é o mal do monopólio. A situação é de muito prejuízo — diz o pecuarista.

        Um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), comprova as queixas dos produtores. Em maio, os preços da arroba de boi gordo recuaram 4,63%, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foi a maior queda para o mês desde 1998, início da série histórica.

        PERÍODO DE SECA VAI AGRAVAR SITUAÇÃO

        Os pesquisadores ressaltam que a situação poderia ser pior, com os preços caindo ainda mais, se não fossem as boas condições climáticas. Com mais chuvas no mês, os pecuaristas podem “segurar” os animais no pasto, sem necessidade de vendê-los rapidamente e sem custos adicionais para manter o peso dos bois. O problema, avaliam os produtores, é que o período de seca vai começar agora.

        — Nós estamos prevendo uma crise muito grande na hora que esse boi tiver que ser abatido. Quando parar de chover, tiver uma geada, ou os pastos secarem, será preciso abater os animais, porque o prejuízo é ainda maior. Mas não há frigoríficos suficientes, porque a JBS está comprando menos, e não tem alternativa — afirma Camargo Neto, da SRB.

        Em nota, a JBS informou que “padronizou todos os processos de compra de gado no Brasil há mais de um mês, com pagamento no prazo de 30 dias, o que já acontecia em 97% das praças onde atua.”

        Os preços da arroba de boi gordo continuam em queda em junho, alcançando, na parcial do mês, a menor média real da série histórica do Cepea desde agosto de 2013: R$ 130,86.

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        Após O GLOBO revelar em seu site, no dia 17 de maio, as gravações do dono da JBS, Joesley Batista, envolvendo Temer, o preço de venda da arroba do boi caiu de R$ 136,29, em 18 de maio, para encerrar a semana a R$ 128,25, segundo o Cepea/USP. Esse número que representa uma queda de 3,3% no acumulado do mês, em comparação a junho do ano passado.

        Além da crise da JBS, o Cepea destaca que o volume das exportações de proteína animal caiu 10% em maio (frente ao mesmo mês do ano passado), refletindo a Carne Fraca, e o mercado interno ainda não é capaz de aumentar seu consumo de carne.

        Apesar da paralisia nos negócios de boi e do recuo nas cotações, a carne continua cara para o consumidor. Em maio, na média nacional, os preços aumentaram 0,14%, segundo dados da inflação oficial, medida pelo IBGE.

        Leia mais: https://oglobo.globo.com/economia/jbs-reduz-abate-pecuaristas-amargam-excesso-de-gado-21462825#ixzz4kfoHHgrM 
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