15 de novembro de 2015, dia de homenagear D. Pedro II

Entretido como estava por causa da avalanche de lama em Mariana e de sangue em Paris e Beirute, esqueci completamente de que hoje a República deveria estar em festa. Quem me despertou deste sono profundo foi uma foto publicada pela presidenta Dilma Rousseff no Facebook: https://www.facebook.com/blogdilmabr/photos/a.325889574139935.80862.151651781563716/1104105579651660/?type=3&pnref=story.

Há exatos 126 anos o Brasil enterrava a monarquia. As instituições monárquicas, contudo, seguiram existindo sob as diversas constituições republicanas que tivemos. De fato, neste exato momento os “barões da mídia” estão tentando depor a presidenta eleita pelos brasileiros, como se competisse a eles e não ao povo escolher quem comanda o país.

Muitos destes barões e baronetes que residem em “bairros nobres” e hoje destilam ódio contra Dilma Rousseff na internet e fora dela (porque querem comandar o país apesar de terem perdido a eleição, porque não querem pagar impostos como todos os demais cidadãos, porque temem responder pelos crimes que cometeram ao enviar ilegalmente fortunas para o HSBC da Suíça) são descendentes daqueles potentados que traíram D. Pedro II.

Nosso segundo imperador foi deposto, mas não esquecido. Este ano a  República do Brasil homenageou-o ao concluir a transposição do São Francisco, obra que o imperador visionário imaginou e que não pode realizar por falta de recursos técnicos e econômicos. Ao contrário da oposição tucano-monarquista, que menospreza o resultado da eleição e tenta destruir o regime democrático para entronizar um presidente que não foi eleito pelo povo, D. Pedro II foi um exemplo de republicanismo. Ele  tolerou a atividade política dos republicanos durante seu reinado. E em 1877, D. Pedro II ignorou todas as diferenças políticas entre ele e Victor Hugo e foi pessoalmente a casa do inimigo literário do monarquismo prestar suas homenagens ao escritor. Ambos se tornaram amigos, porque nem as diferenças políticas são capazes de separar homens justos e tolerantes*.

Tendo em mente este encontro entre D. Pedro II e Victor Hugo (episódio evoca os laços entre a França o Brasil, dois países unidos pelo luto), resolvi hoje homenagear o Imperador deposto. Faço isto não porque sou monarquista, mas porque é preciso valorizar a história do homem que deu a vida ao Brasil e que foi vítima daqueles que enriqueceu e tratou com exagerada civilidade. Um imperador que não perdeu o bom humor nem mesmo depois de ter perdido seu trono:

“Carta de Alforria

Ao chegar a Lisboa, exilado, a 30 de novembro de 1889, Ouro Preto foi visitar a bordo do “Alagôas”, o Imperador depôsto. Encontrou-o calmo, conformado.

Em suma, estou satisfeito, – declarou-lhe Pedro II.E referindo-se á sua deposição:

É a minha carta de alforria… Agora, posso ir onde quero…”

(O Brasil Anedótico, Humberto de Campos, livraria José Olympio, Rio de Janeiro,1936, p. 182)

De Dilma Rousseff esperamos que ela não seja tão tolerante quanto D. Pedro II. Para honrar o poder que recebeu do povo brasileiro, a presidenta do Brasil deve não só concluir seu mandato. Ela pode e deve meter na prisão os sonegadores que pretendem entregar o Pré-Sal e a Petrobras aos norte-americanos. Os barões e baronetes que fugirem para a França poderão ser deixados em paz, desde que não voltem.

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