A crise no ramo da comunicação

Estamos realmente chegando a um momento de crise no ramo da comunicação. O que você acha dos serviços de assessoria de imprensa atualmente? E de marketing digital?

O meio digital está repleto de agências, muitos profissionais, e também, cheio de oportunistas, que fazem um trabalho meia boca. Com o crescimento das demandas, muitas agências têm fechado as suas portas. E esse é o ponto.

Está complicado tornar o trabalho relevante para as empresas e marcas. Digo, por exemplo, como o de assessoria de imprensa. Assim, vou estudando marketing digital e estou sempre em busca de mais conhecimento digital e análises de comportamento.

Essa crise tende a piorar e, se a gente não se reinventar como comunicadores e produtores de conteúdo seremos extintos. Sim, às vezes, a concorrência acaba sendo desleal por conta do “preço baixo”. Mas, sinto que as grandes marcas têm procurado os serviços de qualidade e espero que possam nos oferecer o máximo de profissionalismo.

A carreira de comunicador, em especial conteudista, mudou muito com as mídias digitais, se transformou, porém ainda somos vistos como antigamente. Acredito que a ausência de um sindicato ou de uma associação forte no setor, tenha contribuído para isso.

Eu não gosto dessa perspectiva retrógrada pela qual somos analisados, porém afirmo que tínhamos que ter algo que representasse a nossa categoria. Alguns até dizem: “_ E se fizéssemos uma associação sem fins lucrativos?”

Eu acredito justamente o contrário. Essa é a falta de relevância porque, nós e os jornalistas, não nos lançamos nesse novo mercado do jeito que deveríamos: com autoridade. A internet nos forçou a sairmos da zona de conforto. Mas em um nicho vaidoso e orgulhoso que é o jornalismo.

Leia também:  Ministro manda PF investigar colunista da Folha que "torce" pela morte de Bolsonaro

Tenho acompanhado de perto o trabalho de alguns que estão se mexendo. Espero que apareçam resultados, acredito que nós necessitamos disso, porém, estou certo de que isso vai na contramão da mudança.

Sindicato virou coisa do passado e, sinceramente, nunca fez muita diferença. Agora, somos responsáveis pela nossa própria carreira.

Para a maioria, o certo é que alguém nos represente. Entendo que somos responsáveis pela nossa carreira, porém teríamos que ter algo que regulamentasse o setor como há em outras mídias.

Como se lançar no mercado com autoridade? Não se engane, eu sei de uma resposta bem óbvia, mas é disso que temos que fugir: da obviedade que nem empresários caem mais.

É aí que está o cerne da questão. Com essas mudanças e reformas não acho que faria muita diferença. Nunca tivemos algo que nos representasse de verdade. Não seria diferente agora.

Estamos assistindo as empresas e editoras fecharem veículos de comunicação. Nunca fomos representados dignamente, até o diploma de jornalista caiu, porém, é preciso tentar mudar isso, e pensarmos como será no futuro próximo.

Muitos virarão influencers digitais. Fazer o próprio nome, a própria marca apenas com engajamento em redes sociais e ações de marketing – é triste isso. Se está feio para os grandes, imagina para nós, pequenos empreendedores do setor.

O grande problema é como se reinventar e despontar na atual situação do mercado de comunicação. Se não tiver muita experiência dá para compensar com mais conhecimento. Tem muita gente que não tem conteúdo algum e vira autoridade porque é a única referência que algumas pessoas têm.

Leia também:  GGN COVID: Brasil tem quase dobro de novas mortes registradas nos EUA em 24 horas

*Neemias dos Santos Almeida é Professor e Pedagogo. Colunista, Articulista, Membro da ONG Atuação Voluntária, Escritor, Voluntário junto ao órgão internacional PNUD/Brasil, e ávido leitor que vive a internet e suas excentricidades desde 2001.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome