A depravação do Partido Republicano, por Paul Krugman

Sigla de Donald Trump é a única no mundo que nega os impactos do aquecimento global

Jornal GGN – A verdadeira revelação envolvendo o Partido Republicano nos Estados Unidos não foi o abuso de poder por parte de Donald Trump, mas a chamada “depravação total” do partido, segundo o vencedor do prêmio Nobel de Economia Paul Krugman.

Em artigo traduzido e publicado no jornal Folha de São Paulo, Krugman diz que, essencialmente, todos os funcionários que foram eleitos ou nomeados no partido escolheram defender Trump e aceitaram uma série de teorias da conspiração. “Ou seja, um dos dois principais partidos dos EUA está além da redenção; diante disso, é difícil ver como a democracia pode durar muito, mesmo que Trump seja derrotado”, explica.

Mas o maior impacto dessa questão sequer é político: novos relatórios norte-americanos explicam que o ritmo da mudança climática no Ártico tem correspondido ao chamado pior cenário, e existem sinais de que o aquecimento pode estar se autoalimentando, uma vez que a tundra degelada libera muitos gases do efeito estufa.

Existem muitos culpados nessa situação, mas Krugman aponta um ponto em especial: a oposição dos republicanos dos Estados Unidos. Por conta desse posicionamento, os EUA deixaram de ser uma força considerada essencial e passaram a ser uma força contra a ação.

E o dinheiro é uma parte importante no negacionismo republicano: segundo Krugman, os republicanos receberam 97% das contribuições políticas da indústria do carvão no ciclo atual, e 88% do petróleo e gás, sem contar as benesses oferecidas por instituições apoiadas pelos irmãos Koch e outros magnatas dos combustíveis fósseis.

“Minha sensação é que os direitistas acreditam, provavelmente com acerto, que há uma espécie de halo em torno de qualquer forma de ação pública”, diz Krugman. “Depois de aceitar que precisamos de políticas para proteger o meio ambiente, é mais provável que você aceite a ideia de que devemos ter políticas para garantir o acesso a tratamentos de saúde, cuidados infantis e muito mais. Portanto, o governo deve ser impedido de fazer algo de bom para que não legitime uma agenda progressista mais ampla”.

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