“a Globo é apenas uma empresa!” Destruindo o argumento coxa e expondo um novo aspecto para a esquerda.

Uma dificuldade que nós progressistas sempre enfrentamos ao explicar coisas básicas aos coxinhas, bolsominions, isentões e demais representantes da fauna fascista, é romper com a entranhada compreensão que eles tem do que nós somos e pensamos, algo que geralmente lhes é doutrinado em programas de rodas de debate, onde representantes do pensamento apolítico, centrista, isento, ou seja, o exemplo clássico do programa Globonews Painel, no seu “capítulo” Direita X Esquerda, onde nos brindam com as definições factuais do que realmente somos pelas falas ponderadas de Pondé, Reinaldo Azevedo e Bolívar Lamounier, moderados por Waack (aquele do coisa de …).

Daí que falamos de Globo e eles refutam (escoiceiam):

“Esquerdopata é burro mesmo, não entende que a Globo é apenas uma empresa em busca de lucro. Não tem CIA e FBI na diretoria da Globo!”

Essa compreensão rasa de que o Grupo Globo é apenas “uma” empresa, delimita frente a uma pessoa que não tem capacidade analítica, um objeto compartimentalizado, desconectado da vida política e econômica, cujos interesses são assépticos e livres de ideologia, assim como para estes é também o “mercado”.

Concepção que também deve ser de certa forma desmontada na esquerda, pois quando se tem a compreensão das inserções da Globo em vários mercados, diretamente e indiretamente, via suas holdings e sociedades anônimas (sem adentrar no nebuloso espaço das empresas constituídas em paraísos fiscais), compreende-se que quando se diz que o Agro é Pop, não se diz isso para agradar um anunciante, a Globo é também seu próprio anunciante. Roberto Irineu Marinho, proprietário do grupo Fazenda Sertãozinho, a quem pertence a marca de cafés especiais Orfeu, obviamente é contra a reforma agrária e consequentemente contra grupos “para-militares” como o MST. Estes que ocuparam nessa semana um de seus latifúndios, o da Fazenda Aliança em Eunápolis-Ba.

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O mesmo se aplica em relação ao ensino público gratuito, quando Noblat vem em coluna se posicionar a favor de estudo feito pelo Bird (Banco Mundial) pelo fim do ensino superior gratuito, temos de lembrar que ao lado do Grupo Abril que desenvolvia os materiais didáticos do Mobral, a Globo desenvolveu o pioneiro Telecurso, nosso primeiro flerte com o ensino a distância, além da produção de livros didáticos pela Editora Globo. Conecta-se ao ataque anterior vindo de Ali Kamel em editorial de O Globo, reproduzido no estadão, Veja etc… , atacando livros contidos na coleção “Nova História” de editoria brasileira. Com a redução de verbas para o ensino público, o sucateamento, a direcionamento mercadológico do MEC em direção ao EAD (ensino a distância), o fim da filosofia no ensino médio… abrem-se mercados, encabresta-se cidadãos e se direciona toda uma nação de trabalhadores não qualificados ao neocolonialismo extrativo.

(https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/nossas-criancas-estao-entregues-a-sanha-esquerdopata/)

Na saúde, vemos o G1 diariamente saudar o engenheiro Ricardo Barros em seu trabalho de terraplanagem das regulamentações das PPP e planos de saúde, isso após a terra arrasada do SUS pelos cortes de verbas, agora observamos seus patrocinadores construírem os alicerces do novo sistema de saúde privado, onde sem “concorrência” estatal, todos vimos este ano reajustes abusivos nos planos de saúde privados que indubitavelmente se repetirão no ano que vem, agora, associados à proposta do pagamento de franquia, onde quem mais usa, paga mais, portanto, um fardo insustentável para quem enfrenta doenças degenerativas, crianças com doenças crônicas, e os que sempre e agora serão mais uma vez massacrados, os idosos. Aqui o interesse da Globo fica claro pelo Grupo NC, que possui afiliada da Globo em Santa Catarina e é parceiro do Grupo RBS; no ramo farmacêutico, o grupo é dono das empresas EMS, Brace Farma, Legrand, Germed Pharma e Novamed, entre outras.

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Na previdência o interesse pelas reformas se expressam a favor da RBS, afiliada da Globo no Rio Grande do Sul, proprietária da RBS Prev, assim como sua sociedade ainda que minoritária na Mapfre Brasil, uma das maiores empresas de previdência privada do Brasil.

No campo religioso, a Globo transmite programas religiosos católicos, seja pela hora do Ângelus e seus similares nas afiliadas, seja aos domingos pela Santa Missa em Seu Lar. O Grupo Globo também é proprietário da Som Livre, que produz álbuns de padres da linha carismática (Marcelo Rossi, Reginaldo Manzotti, Robson de Oliveira…) – assim como de artistas evangélicos, pelo selo Você Adora (Som Livre Gospel), também produz festivais de música gospel, como o Festival Promessas, que é um especial de fim de ano transmitido pela Rede Globo de televisão.

Daí que fica claro que as inciativas da Globo não são baseadas em diretivas da NSA, nem inspiradas nos princípios maçons, são guiados diretamente pelos interesses de mercado do conglomerado e de seus acionistas estrangeiros, dos grupos financeiros que bancam as dívidas do grupo, de entidade internacionais como o Bird e FMI que garantirão prontamente fluxos de capital a vários dos atores enumerados,  dos políticos–empresários proprietários de retransmissoras, sejam rádios, jornais ou televisão, e mais uma vez, nos interesses cruzados de grupos empresariais locais, das sociedades formadas por oligarquias regionais, e que como exposto acima, engolfam com seus tentáculos a educação, a produção, a religião abrangendo assim toda a economia do país e os interesses de toda sua sociedade.

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A Globo opera portanto de forma aparentemente dicotômica ao passo que patrocina a destruição do estado de direito com o patrocínio da juristocracia, criando a insegurança política e econômica em que concomitantemente patrocina suas própria empresas, a insegurança oriunda desse processo que deveria afastar o capital financeiro por sua aversão ao risco, entretanto, o atrai de forma concentrada nas mãos do condomínio do golpe como descrito acima.

A Globo se anuncia em comerciais e programas de auditório, via merchandising, propagandas diretas, etc… e destrói a concorrência e captura o estado através de seu “jornalismo”, por meio de campanhas de longuíssimo prazo, que duram até décadas como foi o caso da  reforma trabalhista e previdenciária.

Portanto, a compreensão simplista da revogação da concessão por um governo democrático eleito após o golpe de 2016 é uma ilusão pueril e simplista, pois a Globo se tornou o “facehugger” de Alien o Oitavo Passageiro, a extração cirúrgica do parasita utilizando a medicina convencional é de grande risco para o hospedeiro, a cada incisão de bisturi, este nos expõe o seu sangue ácido que põe em risco o país como um todo e quanto mais esperamos, mais próximos estamos da sua inoculação de um “chestburster” fascista.

 

 

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