A grande ilusão. A solução ao desemprego estrutural existe, mas é impossível de ser implementada!

A grande ilusão. A solução ao desemprego estrutural existe, mas é impossível na situação atual de ser implementada, pois contraria por completo a ilógica do mercado.

Muitas pessoas procuram a saída para a crise sistêmica internacional, porém esquecem que ela é bem mais profunda que se possa imaginar e de solução que contraria toda e qualquer tendência de propostas políticas atuais

Eu venho prevendo esta crise há mais de uma década e venho a discutindo com um parente muito próximo, com sólida formação econômica, que não encontra soluções para a perda de empregos promovida pela automatização e informatização dos processos de produção. Segundo os teóricos do mercado, magicamente, ficariam resolvidos pela substituição dos empregos industriais por empregos mais sofisticados de concepção, projeto e construção de autômatos, processo que substituem a mão de obra com ganhos incríveis de produtividade, porém o que ocorre é cada vez mais o agravamento da crise.

Entretanto, como era de se esperar, os teóricos do mercado não entendem nada das consequências macroeconômicas da automação e nem do tipo de emprego que estas criam.

Os países centrais achavam que distribuiriam os empregos industriais de baixo valor agregado para os asiáticos enquanto os mesmos ficariam com a parte mais sofisticada e de maior valor agregado pelo “projeto” em sentido amplo da automação, porém esqueceram que para trabalhar neste tipo de ramo mais sofisticado exige-se pessoas bem mais qualificadas e que começaram a ser formadas nos próprios países asiáticos como a China.

A substituição de pessoas por máquinas automatizadas, exigem que quem as projete sejam pessoas que estão ao lado da produção das linhas de montagem, ou seja, uma indústria moderna tem uma permanente renovação de suas linhas de montagem já automatizadas ou que serão, e quem tem mais capacidade de fazer são pessoas quem convivem diariamente com a linha de produção existente, logo a transferência das indústrias para regiões distantes transferem também a capacidade de projeto na automação destas.

O grande erro dos países centrais foi primeiro conceitual em não entender o processo da industrialização e segundo não se dar conta que os países asiáticos têm desejo e capacidade de assumir as funções mais nobres da industrialização moderna. Eu há anos venho dando como exemplo a própria fabricação de bonecas Barbie, que parece uma verdadeira bobagem, porém o processo produtivo e a rede de serviços de alta tecnologia de manutenção das linhas de montagem e da atualização das mesmas para objetos nada estratégicos é o mesmo que se emprega em processos de fabricação de equipamentos de ponta.

O que ocorre nos dias atuais nos países centrais? Grande parte dos setores produtivos estão sendo transferidos para países periféricos, os empregos industriais, que eram ocupados com operários qualificados e quadros de nível superior estão sendo extintos. Os empregos de alta qualificação e de ponta, que na teoria estavam sendo guardados para os países centrais, estão sendo TAMBÉM eliminados por dois motivos, primeiro que estes empregos exigem técnicos com formação extremamente qualificada que também por condições de mercado, estão repassando os custos desta formação para os profissionais e estes por necessidade de sustento não têm condição de chegar ao fim da formação. Segundo, e talvez o mais importante, para a formação de quadros técnicos de alta performance exige um perfil de pessoas que nas condições atuais da vida moderna nos países centrais há poucas pessoas com disposição de encarar décadas de formação para somente depois desta ingressar no mercado produtivo. Esta disposição nos países asiáticos de pessoas que se sujeitam a longos períodos de formação, por imposição da qualidade de vida ainda precária em relação aos países centrais, ainda existe.

O segundo grande erro dos países centrais foi de achar que os empregos gerados no setor de serviços, que não são diretamente ligados a produção, substituiriam os empregos industriais perdidos. O que resulta foi a geração de uma enorme quantidade de vagas em empregos mal remunerados e de baixa formação profissional, a baixa remuneração é naturalmente devida a baixa necessidade de formação, e cria-se desta forma um círculo vicioso ligando diretamente a baixa remuneração com a baixa qualificação. Além da má qualidade dos empregos no setor de serviços não ligado diretamente a industrialização, a própria automação ataca a quantidade dos empregos gerados e reforça o círculo vicioso, diminuindo cada vez mais a qualidade e a remuneração.

A única solução para romper este problema está extremamente distante dos corações e mentes dos gerentes políticos dos dias atuais, seria uma radical diminuição no horário de trabalho e uma modificação nos critérios definidos no comércio internacional, que impusesse alíquotas diferenciadas conforme o grau de exploração da mão de obra nos países periféricos, ou seja, a imposição de critérios sociais na taxação das importações.

Como se pode ver as duas propostas de diminuição no tempo de trabalho e a imposição de critérios sociais nas taxas de importação, são impossíveis de serem negociadas e aceitas pela comunidade internacional em épocas normais sem que haja eventos catastróficos que as imponham.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora