A libertação de dissidentes em Cuba

Da Folha.com

Cuba autoriza maior libertação de presos desde 1998, segundo Igreja 

O governo cubano vai libertar 52 presos políticos, disse a Igreja Católica cubana nesta quarta-feira, na primeira concessão massiva autorizada no governo do presidente Raúl Castro, e na mais importante desde a visita do papa João Paulo 2º, em 1998.

Segundo a Igreja, cinco prisioneiro deveriam ser libertados ainda nesta quarta-feira, e poderão ir para a Espanha com suas famílias. Os demais 47 presos devem ser libertados dentro dos próximos três ou quatro meses, e também poderão deixar Cuba.

O anúncio foi feito após inéditos diálogos entre o presidente cubano, Raúl Castro, e o líder da Igreja Católica em Cuba, cardeal Jaime Ortega, iniciados em 19 de maio. A Igreja assumiu um papel mais determinante nos assuntos internos da ilha desde maio.

O pO primeiro resultado foi a libertação do preso paraplégico Ariel Sigler, em 12 de junho, e a transferência de outros 12 para prisões mais perto de suas famílias.

Veja quais as principais libertações de presos políticos em Cuba nos últimos 50 anos.

14 de abril de 1962: 60 presos políticos que participaram da frustrada invasão de Baía de Cochinos. Foram aos EUA.

23 de dezembro de 1962: Enviados aos EUA 1.113 prisioneiros da invasão em troca de US$ 53 milhões em alimentos e remédios.

Novembro de 1969 – Dezembro de 1970: Libertados cerca de 1.600 presos em pequenos grupos nesses 13 meses.

Durante 1979: 3.600 presos em grupos de 400 e 500, em resposta ao diálogo estabelecido entre Cuba e representantes do exílio nos EUA.

1982: Indultado Armando Valladares por petição do presidente francês François Mitterrand.

28 de junho de 1984: 26 presos cubanos e 22 americanos (réus comuns condenados por tráfico de drogas ou desvios de aviões) por intermédio do reverendo americano Jesse Jackson.

Maio – Julho de 1986: 130 presos, 27 deles por intermédio do oceanógrafo francês Jacques Cousteau.

Dezembro de 1986: O ex-comandante Eloy Gutiérrez Menoyo, por pedido do presidente do governo da Espanha, Felipe González.

Dezembro de 1988: 40 presos, por pedido do cardeal americano John O’Connor.

Novembro de 1991: Quatro presos de origem espanhola, por intermédio de Manuel Fraga.

Julho de 1993: Por negociação de Fraga e da Chancelaria espanhola, dois cubanos que cumpriam penas por preparar atentados contra Fidel Castro.

Maio de 1995: Três presos políticos, a pedido do democrata americano Bill Richardson.

Fevereiro de 1996: Seis beligerantes opositores, entre eles Indamiro Restano e Sebastián Arcos, a pedido da fundação de Danielle Mitterrand, France Libertés.

Fevereiro de 1998: 299 presos políticos e comuns após a visita histórica do papa João Paulo 2º.

2004 – Janeiro de 2010: De 75 dissidentes condenados em 2003 a penas de 6 a 28 anos de prisão, foram liberados aos poucos 22 21 por motivos de saúde e um por cumprimento da condenação. Vários deles sob mediação da Espanha.

12 de junho 2010: Liberado um preso paraplégico.

7 de julho de 2010: A Igreja anuncia que outros cinco dos 75 serão libertados nas próximas horas e os outros em um prazo máximo de quatro meses.

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