A lógica do me engana que eu gosto nas fake news

Em artigo, Vera Iaconelli faz analogia com Shakespeare e diz que aquele que se leva pela mentira plantada tem sua parcela de culpa

Jornal GGN – Aquele que se deixa levar pelas mentiras plantadas tem sua parcela de culpa nas consequências de tal evento. Em uma analogia a Otelo, de Shakespeare, se ele tivesse averiguado a veracidade da prova forjada de adultério, a tragédia não teria razão de ser.

“O ato desesperado do herói emerge da infeliz conjunção entre: as intenções de Iago de obter vingança e poder a qualquer custo, o uso deliberado de fake news para esse fim, as inseguranças do enganado e o caldo de cultura racista e misógino que fragilizava a figura do casal”, explica Vera Iaconelli em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo.

Se não é possível escapar da inveja e da maldade, nós somos totalmente responsáveis pelo que fazemos com eles. “O sujeito que se deixa levar pela mentira plantada tem sua parcela de culpa, paga o preço de seu auto-engano e causa terríveis estragos ao seu redor”, diz Vera. 

As fake news têm seus efeitos mais deletérios no terreno fértil dos medos inconfessáveis e das crenças arraigadas, ainda que inconscientes. Além dos preconceitos mais estruturais (o outro é sempre visto como uma ameaça), a articulista ressalta que “vivemos também a permanente busca por garantias absolutas que nos levam a decepções catastróficas”. 

Para Vera, é necessário combater as fake news. Elas precisam ser combatidas com controles, condenações e punições de sujeitos que só têm interesses pessoais de ascender e se manter no poder a qualquer custo, mas também é preciso dialogar com pessoas que se sentem profundamente ameaçadas diante das mudanças de costumes, das conquistas das minorias (que são a maioria da população) e decepcionadas por acreditarem em mitos — que sempre se revelam fake.

Com informações da Folha

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