A loirinha filha de pais negros

E vamos mostrar novamente a história da inglesinha Nmachi Ihegboro, um bebê loiro de olhos azuis filho de pais negros. Teoricamente é possível acontecer isso se os pais tiverem fenótipo africano, mas alguns ancestrais caucasianos. Isso seria algo comum de acontecer se os pais fossem das Américas.

A diferença aqui é que pode ser algo completamente inédito, uma vez que seus pais, Ben e Angela, são nigerianos da etnia Igbo e, pelo que sabem de sua genealogia (e imagine-se aqui que saibam bem se pensarmos no quão forte é a memória oral na África), não sabem de nenhum ancestral deles que não seja africano de raiz. Vale lembrar que na Nigéria não há registros significativos de miscigenação, seja de negros com brancos, seja entre as próprias etnias negras. Com isso, mais a antiguidade dos povos locais, gerou-se isolamento a ponto de as diferenças genéticas entre um aussá e um iorubá, povos que historicamente dividem uma mesma região, serem maiores que as existentes entre um japonês e um sueco.

Ben Ihegboro confia na fidelidade de Angela e, pelo que dá para ver dos vídeos e do semblante de todos, são família bem próxima daquela de um comercial de margarina. O próprio Ben, ao olhar Nmachi (“beleza de Deus”, no idioma Igbo), notou algumas diferenças entre ela e os loiros que ele conhece, a começar pelo jeito do cabelo (aliás, Nmachi, como podem ver, é bem cabeludinha). E se olharmos o bebê, ainda que esteja com cara de joelho, dá para notar que olhos e nariz assemelham-se aos de Ben, enquanto as bochechas são a de Angela.

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JásJá se constatou que Nmachi não é albina, sendo que os próprios pais lembram que os albinos da Nigéria são bem diferentes da menina que puseram no mundo. A explicação para uma menina loira nascida de pais negros sem miscigenação pode ser de alguma forma ser parecida com a de mutações que surgem em gatos. Muitas raças felinas surgiram por conta do isolamento de uma mutação ocorrida naturalmente, sendo dinâmica na qual muito se apoia a formação de novas raças. Mesmo em raças já estabelecidas costumam ocorrer mutações genéticas e exemplo disso está na Cymric, surgida no Canadá ao se isolar um mutante do Manx (aquela raça sem cauda) nascido com pelo longo e filho de pais com pedigree, o que descarta qualquer possibilidade de cruzamento acidental com um persa.

No caso da pequena Nmachi, sua loirice pode ser mutação independente da loirice eurasiática, em um fenômeno conhecido por convergência, que é quando duas populações separadas, muitas vezes até fisicamente, desenvolvem uma mesma solução. Portanto, pode inclusive apresentar características de manifestação diferentes das que conhecemos para outras soluções convergentes. Voltando a falar dos gatos, há dois exemplos de mutação que causa ausência de cauda: a do Bobtail Japonês, que é recessiva, e a do Manx, que é dominante.

O que importa é que a menina está em um ambiente que a cerca de amor. Os Ihegboro, como já disse anteriormente, parecem ser família bem próxima daquelas que vemos em comercial de margarina e a reação de estranhamento deles foi de boa fé. Tenho a impressão de que nossa menina diferente vai tirar sua diferença tão de letra como seus pais tiraram quando ela nasceu no hospital londrino de Queen Mary. 

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