A morte de Rubem Fonseca, por Luis Nassif

Rubem já havia encantado o país com seu “Feliz Ano Novo”, censurado em 1976 pelo Sérgio Moro da época, Ministro Armando Falcão, mesmo tendo sido colaborador do IPES

Tenho um orgulho literário na vida: fui finalista do Prêmio Jabuti de contos e crônicas, em 2003, com meu “O Menino de São Benedito”, sendo derrotado por Rubem Fonseca.

Tenho para mim que minha indicação foi para abrir caminho para o grande Rubem, tão desproporcional era a diferença de estatura entre ele e os demais finalistas. Afinal, ficaram de fora da final grandes nomes, como Ligia Fagundes Telles e Dalton Trevisan.

Rubem já havia encantado o país com seu “Feliz Ano Novo”, censurado em 1976 pelo Sérgio Moro da época, Ministro Armando Falcão, mesmo tendo sido colaborador do IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e participante ativo da conspiração contra Jango. O estilo cru, a temática da violência urbana veio de seu início de carreira, como policial.

A censura foi aplaudida pelo então Secretário de Educação, futuro Ministro da Educação do governo Geisel, Euro Brandão, um obscuro engenheiro paranaense, defensor do conservadorismo católico, mostrando claramente onde nasceram as raízes do anti-intelectualismo bolsonarista. Em 1978, com outro livro, “O cobrador”, nova censura. E ele já era reconhecido como um dos grandes escritores nacionais.

Nos anos seguintes, ao lado de Dalton Trevisan, João Ubaldo, Márcio Souza, Domingos Pelegrini, Jr, dominaria amplamente a cena literária nacional.

Discreto, avesso a qualquer forma de publicidade, Rubem Fonseca morre em pleno processo obscurantista brasileiro.

 

 

 

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