A necessidade de desideologizar a discussão sobre a cloroquina, comentário de José Neto

Estão ideologizando uma coisa técnica. Bolsonaro, por influência de Trump, mandou os laboratórios das forças armadas produzirem cloroquina. Dessa vez esse deficiente mental está certíssimo.

Por José Neto
comentário no post Bolsonaro dá cargo a médica que quer liberar cloroquina precoce contra COVID-19

Estamos ideologizando essa discussão sobre os medicamentos. Porque Bolsonaro defendeu a Cloroquina (a partir de Trump) agora todos têm de ser contra o remédio.
O combate à pandemia tem que ser em três pilares:
1. DINHEIRO PARA AS PESSOAS POBRES PODEREM PERMANECER EM CASA. URGENTE.
2. Isolamento.
3. Fabricação em massa dos remédios que apresentam alguma indicação/suspeição de eficiência.

Sou médico. Mas não precisava ser, para dizer o que eu vou falar: Se você decidir ir a uma pescaria no Amazonas, em uma área sabidamente com prevalência de malária, você pode procurar um médico para saber como evitar ficar doente.

Entre algumas opções ele poderá passar para você um coquetel de Mefloquina ou de Cloroquina para você começar a tomar três semanas antes de viajar. É muito utilizado.
Todo remédio pode apresentar efeitos colaterais. Mas diante de um risco maior usa-se o remédio mesmo assim. Ora, há pesquisadores que pesquisam os efeitos da cloroquina e mefloquina sobre as reações teciduais idiopáticas provocadas pelos vírus. A China sabia disso e usou. Agora a Rússia declarou que está usando com bons resultados.

A indústria farmacêutica está em polvorosa desejando ganhar milhões com essa epidemia. A cloroquina e a mefloquina são remédios baratos.

Médicos ficam gritando: e os efeitos colaterais? Não foram feitos testes conclusivos!! Ora, se os efeitos colaterais são tão ameaçadores, por que se prescreve eles para quem vai a uma simples pescaria no Amazonas? O risco da morte pelo vírus não é bem maior nesse momento? Por que eu posso prescrever cloroquina para um viajante se livrar de pegar malária, e não posso experimentar prescrever para pessoas que estão em risco de vida pelo covid 19, já que há um zumzumzum de que funcionou?

Ah, mas não foram feitos testes conclusivos!! Meus amores, então está na hora de fazer os testes in loco, nos pacientes que estão adoecendo e em risco de morrer. Não são remédios desconhecidos, que pudessem envenenar as pessoas com qualquer dosagem. Se estivéssemos testando um remédio desconhecido, cujos efeitos colaterais desconhecêssemos, que pudesse ter um risco de matar as pessoas, tudo bem.

Mas não, estamos falando de remédios muito usados e conhecidos no meio médico. já se conhecem os seus possíveis efeitos colaterais. Se for certo que tiveram algum efeito positivo no tratamento do corona, é óbvio que devem ser usados.

Estão ideologizando uma coisa técnica. Bolsonaro, por influência de Trump, mandou os laboratórios das forças armadas produzirem cloroquina. Dessa vez esse deficiente mental está certíssimo. Tem que mandar produzir mesmo. Como não sabemos de nada com certeza, temos de nos valer dos murmúrios e das mínimas evidências, mas que ainda assim indicam algum caminho a seguir.

Estranhamente, esses dias na França houve um roubo de toneladas de cloroquina, e a India, grande fabricante de medicamentos, a quem o Bozo foi pedir matéria prima da Cloroquina, trancou qualquer venda externa desse remédio.

Alguma razão por nós desconhecida pode estar por trás desses fatos, não acham? Insistindo com esse deboche ideológico sobre uma coisa técnica, podemos estar dando ao Bolsonaro uma grande vitória, já que só ele aparentemente está apostando nisso. Se der certo, vai posar de bonzão.

Estava agora há pouco vendo uma entrevista do David Uip àquela personagem chamado Datena. Como sabem o David Uip é um infectologista conhecido, acho que secretário de saúde de São Paulo, e pegou coronavírus, mas se recuperou recentemente. Datena perguntou para ele: o Sr. usou Cloroquina? Bem no momento da resposta o programa passou a ser local de Brasília (moro em Brasília) e não pude ouvir a resposta. Mas tenho certeza: Negou ter usado em público, mas usou na realidade. Alguém por acaso ouviu o que ele disse?

 

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