A razão de não se ter mais grandes homens públicos, comentário de Renato Cruz

Desde aquela época, os anos 1980, Lula matou qualquer alternativa à esquerda, que não seja ele próprio, e à direita não tem nada.

Por Renato Cruz
comentário no post Xadrez de Moro e a mídia no país dos arrivistas, por Luis Nassif

Pesquisadores do futuro deverão estudar e explicar por quê, 30 anos após a Constituição de 1988, não há líderes políticos no Brasil no cenário do centro à direita. Que forças bloquearam a ascensão dos novos líderes?

Desde aquela época, os anos 1980, Lula matou qualquer alternativa à esquerda, que não seja ele próprio, e à direita não tem nada.

Só isso, esse vazio, pode explicar por quê um homem da máxima mediocridade como FHC tenha sido considerado um “grande líder”.

E explicar por quê um juiz de primeira instância, tão medíocre que achou que se poderia inventar uma “pensão” para a mulher dele, como se ainda estivéssemos no Brasil de D.João VI, esteja na iminência de ser alçado à condição de “grande líder da centro-direita”.
Somos órfãos de Tancredo Neves e de Mario Covas.

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16 comentários

  1. Lula “matou”, como? Matou a incoerência de Ciro, se é que Ciro pode ser chamado de “esquerda”? Quem mais Lula “matou”?

    A direita não tem por que? Porque são medíocres ou tem síndrome de vira-lata? FHC “matou” as candidaturas de Silvio Santos e de Roseana Sarney. José Serra se matou sozinho, assim como as brigas intestinas do PSDB mataram Alckmin e Aécio.

    O fato é que não está havendo renovação política, os grêmios estudantis pariram Holidays e Kims da vida, não é culpa “do Lula”… que “estadistas” os EEUU geraram? Quantos anos Merckel está no poder na Alemanha? Há falta de “estadistas” nos EEUU e Alemanha?

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    • Faltou o cara acrescentar um adjunto adverbial ao verbo “MATAR” para dar algum sentido realista à oração. Senão a frase expressa uma inverdade. “Lula matou qualquer alternativa à esquerda,…”, expressa uma inverdade típica recorrente em discursos de figuras políticas irrelevantes inconformadas com sua própria irrelevância. Para ser intelectualmente honesta a oração deveria ser – A extraordinária dimensão política assumida pela figura de Lula matou qualquer possibilidade de surgimento de alternativas à esquerda. E isso não é, nem de longe, um demérito à sua grandeza. Porque essa característica extraordinária induziu a criação em seu entorno de outras tantas lideranças políticas de enorme envergadura. Então, a frase correta, mesmo acrescida do adjunto adverbial, não expressaria corretamente a realidade. A realidade é que a grandeza de Lula fez do PT o centro de gravidade em torno do qual orbitam todas as grandes lideranças de esquerda. Sorry periferia!

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  2. . os verdadeiros líderes estão por aí, ou se foram para o exterior. Ocorre que a podridão das instituições é tamanha, que se tornou um vírus contaminante e avassalador. O Brasil precisa ressurgir das cinzas vulcânicas geradas pelo egocentrismo do lulismo e fhc ( todos minúsculos) pois que não pensaram o país grande, como o lider da China. Faltou visão de país e houve excesso de ganancia e e falcatruas de todo tipo. Hoje, estamos no vazio, esperando a gestação de algo, que pode ser monstruoso , se não tivermos contraposição. O Bruno que herdou o sobrenome Covas, já demonstrou que está contaminado, Doria é versão B do bozó, outros todos de olho para se agarrar nas migalhas da direita. Temos o Ciro, que anda meio zonzo com tudo isso. Será que ele acorda e dá um empurrão nisso tudo ?

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  3. A verdade é que não existe canais de comunicação que projetassem qualquer figura de esquerda, essas eram inexistentes e continuam ainda pequenas ou em formação. Lula não matou ninguém, o tamanho de sua figura deixou uma sombra muito grande dentro do espectro político que ele representa. Agora outros grupos de esquerda que não souberam construir alternativas de comunicação? Que não querem o esforço de construir algo como foi construído o PT e a própria figura do Lula?

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  4. Olá, Todos!
    Acredito que o principal motivos de não termos grandes homens públicos no Brasil é a falta de um projeto de país. Em contraposição á China, que tem um projeto claro e definido do que ela pretende ser, outros países, inclusive o nosso, são passageiros do destino.

    Isso abre espaço para projetos individuais, onde interesses menores se sobrepõe aos interesses da nação. O espírito predador e extrativista dos colonizadores portugueses está entranhado na cultura nacional. A ideia é vir para cá, ganhar o máximo de dinheiro possível e depois voltar para Lisboa para passar o resto da vida sem fazer nada, vivendo de renda.

    Só mudou o destino final. Sai Lisboa entra Miami. Sob o governo Lula se teve um arremedo de projeto de país, por exemplo, utilizar as estatais, em especial a Petrobrás, para criar empregos por aqui, nos estaleiros nacionais.

    Porém, esse arremedo de projeto nacional não foi comunicado ao povo, por isso não incendiou a imaginação popular aponto de possibilitar o surgimento de grandes nomes. A falta de comunicação adequada abriu espaço para o retrocesso de 2015.

    Antonio Carlos Gonçalves

  5. Parei no Lula “matou”. Um grande líder precisa pedir licença a outro para ser grande líder? Se precisa, não é líder. A pretexto de discutir a falta de lideranças nacionais, o autor quis somente vociferar o eterno ranço, rancor, em relação a Lula, a incapacidade de aceitá-lo e analisá-la à luz de uma liderança nacional e mundial rara, como o foram Nelson Mandela e outros.

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  6. Ainda impressiona a onipotência e onisciência que atribuem ao PT, e a Lula, como se tivessem o poder de, sozinhos, mudar todo o cenário político, diminuir a popularidade de uns, aumentar a de outros.

    Daqui a pouco vão atribuir ao PT a escolha de adversários…alguns já atribuem até a própria derrota ao PT (afinal, Bolsonaro foi eleito “pela falta de autocrítica do PT”, não é mesmo?). O PT está na luta político como qualquer partido e candidato, com inconsistências oriundas de ser o organismo plural e diversos formado por humanos, com suas diferenças e incongruências.

    O fato de Lula e o PT terem conseguido cumprir um projeto minimamente includente e justo, foi o fato de saber dialogar com a maioria, ou, como diriam outros, de “conciliar”, de saber lidar com o centrão, com as figuras da velha política, sim, e se suja ou se compromete fazendo isso, mas vejam só, agora acusam (inclusive o Coroné Gomes) de que PT seja um dos polos de radicalismo…antes tivesse sido, antes tivesse rompido com tudo, e adiantaríamos um rompimento que agora ocorre.

    Se houvesse de fato outro liderança com o peso de Lula na esquerda, teria aparecido e se estabelecido.

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  7. É fácil sentir-se tentado a concordar com a afirmação de que Lula matou qualquer alternativa à esquerda que não seja ele próprio. O problema é que, ao se concordar com tal afirmação sem maiores explicações, incorremos no mesmo recurso usado pelos adeptos do lawfare: domínio do fato. Já sabemos o quanto isto é perigoso e equivocado.
    De fato, não há outro capaz de aglutinar forças à esquerda. O que é um enorme paradoxo. Lula deixou claro no caráter de suas administrações que jamais poderia ser considerado realmente de esquerda e, se assim o for, pode-se supor que a tal esquerda tem mudado de tal forma que em quase nada lembra suas características originais.
    É preciso, portanto, antes de se atribuir a Lula uma capacidade sobre-humana de desarticular as forças de esquerda e orientá-las em torno de si, tentar entender as razões pelas quais se fecharam as portas para a prática de esquerda e a defesa de seus princípios ideológicos, de tal forma a fazer parecer a figura de Lula e a onipresença do PT nos quadros ditos de esquerda a única via para a implementação de projetos esquerdistas, ou de veiculação de ideias.
    De resto, mais à direita do espectro político, a culpa não poderia ser atribuída a Lula ou ao PT, mas à Lei da gravidade. O peso do ultra-liberalismo abraçado paulatinamente pelos setores conservadores puxa para baixo o nível intelectual e ético de suas lideranças, a ponto de não saberem mais os limites da coisa pública ou sequer atribuir a esta alguma importância. Sem isto, fica difícil se falar em “homem público”, quando suas motivações são puramente privadas.

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  8. Precisa ser informado, que desde 1990, com o breve intervalo de 2003 a 2015 com alguma diferenciação e ajustes, mas mesmo assim na mesma toada, o Brasil se encontra no reino do neoliberalismo, que desfigurou no que pôde a Constituição de 1988, manteve um alto desemprego, vendeu patrimônio público e serviu os interesses do capital liderado pelos EUA. Poucos ou nenhum político com uma visão de estadista chegou ao poder, muito menos ainda como Fernando Haddad, disputou o poder. O Presidente Lula que demonstrou à exaustão ser um dos maiores estadistas do mundo contemporâneo, precisou ser preso com base em mentiras por fascistoide do Sérgio Moro e o Supremo. Fique sabendo que temos sim, muitos brasileiros capazes de conduzir o país, com altivez, soberania e visão estratégica, beneficiando o povo e levando ao crescimento de nossa economia, não só o Lula, mas ele principalmente. Não confundir as coisas.

  9. Grandes homens públicos e Tancredo Neves no mesmo texto é demais para mim. Depois de culpar Lula pela ingenuidade da esquerda que vive no limbo desde os anos oitenta, ainda tem essa pérola para coroar. Chega de internet por hoje

  10. Pesquisas internacionais comprovam que 88% dos brasileiros são ignorantes.
    Talvez este fato explique este outro: “Duas características que foram se tornando nítidas em Sérgio Moro me assustam particularmente, inclusive causando perplexidade sobre a absoluta falta de cognição com a realidade de nossas classes médias, ao não perceberem isso ou, pior, perceberem e não darem importância…
    Alguns podem ter percebido mas não deram importância porque são tão desprezíveis quanto o moro.
    https://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/09/18/falta-de-nocao-dos-brasileiros-sobre-a-realidade-afeta-o-processo-eleitoral/

  11. Pesquisas internacionais comprovam que 88% dos brasileiros são ignorantes.
    Talvez este fato explique este outro: “Duas características que foram se tornando nítidas em Sérgio Moro me assustam particularmente, inclusive causando perplexidade sobre a absoluta falta de cognição com a realidade de nossas classes médias, ao não perceberem isso ou, pior, perceberem e não darem importância…
    Alguns podem ter percebido mas não deram importância porque são tão desprezíveis quanto o moro.
    https://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2018/09/18/falta-de-nocao-dos-brasileiros-sobre-a-realidade-afeta-o-processo-eleitoral/

  12. Ironicamente, quem matou a direita no Brasil foi o regime de 1964, que liquidou com a lideranças da antiga UDN, a começar por Carlos Lacerda. Eles não queriam nenhuma liderança civil atuante que fizesse frente aos militares, então cassaram os principais líderes da direita e jogaram os demais na vala comum da ARENA, partido mantido apenas para figuração. Quando o regime militar acabou, o que emergiu do campo conservador foram figuras tipo José Sarney e ACM, políticos provincianos que antes de 1964 jamais imaginaram que um dia estariam na primeira linha do Estado.

    Já Lula não “matou” a esquerda, ele foi a figura que conseguiu atrair para o PT o eleitorado das camadas populares, pois os petistas fundadores eram intelectuais-militantes que só atraíam o voto de uma classe média politizada e minoritária. Melhor seria dizer, Lula ofuscou a esquerda com seu brilho próprio. Extinto o brilho, a esquerda volta a sua obscuridade. Se Lula não tivesse surgido, o PT não teria sido mais do que o PSol é hoje em dia.

  13. + comentários

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