A recuperação medíocre da indústria e a sobrevivência de Bolsonaro, por Luis Nassif

Nos próximos dias se saberá melhor como Bolsonaro escapará da armadilha entre conseguir recursos para a renda básica e não superar o teto.

Agência Brasil

Em agosto, a indústria como um todo subiu 3,25%. Mas, em relação a 6 meses atrás está 2.61% menor e 1,04 menor do que 12 meses atrás.

Mas há que se dividir entre a indústria extrativa e a de transformação. A extrativa tem pouco valor agregado, pouco impacto sobre emprego e sobre o nivel de atividade. A de transformação, apesar de uma enorme redução na última década, é a que reflete melhor o dinamismo da economia.

As extrativas subiram 2,55% em agosto, 9,55% nos últimos 6 meses e -2,13% em relação a 12 meses. Já a indústria de transformação subiu 3,53% em agosto, mas está 2,85% abaixo de 6 meses atrás e 0,82% abaixo de 12 meses atrás.

Na análise da indústria por estado, os dados estão disponíveis até julho. E mostram que, de março para cá, apenas Bahia e Rio de Janeiro tiveram algum crescimento. Mesmo assim, no caso do Rio, em cima de uma base achatada pela crise dos últimos anos.

Em 12 meses, as maiores quedas foram de estados com melhor índice de industrialização.

E a única alta foi Goiás, com 3,8% de crescimento.

Na Indústria de Transformação, agosto foi um mês de alta para todos os setores em relação a julho.

De julho para cá, cresceram apenas os setores que produzem para consumo doméstico. 

Em cima desse nó, o governo Bolsonaro não consegue definir uma estratégia sequer de enfrentamento da crise. O Ministro da Economia, Paulo Guedes, hoje em dia, é apenas um papagaio que fala muito, mas tem papel decorativo.

Ontem, em live na frente do Palácio, Bolsonaro deixou claro quais são os novos setores prioritários.

1o – O Supremo Tribunal Federal.

Na fala, disse com todas as letras que precisou ceder, na nomeação do próximo Ministro do STF, devido aos riscos que corre seu filho Flávio Bolsonaro, podendo ser preso devido às rachadinhas. Por aí se entende ele ter levado o candidato à próxima vaga a pedir a bênção de Gilmar Mendes – o mais poderoso e político dos Ministros do STF.

Com a faca no pescoço, Bolsonaro não atrapalha o pacto entre STF e mercado, que culminou com  ato irresponsável de aprovar a venda de subsidiárias de estatais, como maneira de driblar as restrições impostas pela Constituição – que exige aprovação do Congresso para a privatização.

Domado o bicho, tenta-se rearticular o pacto ultraliberal entre STF, mercado, centrão e PSDB, que foi o fio condutor da desestabilização política brasileira, que culminou com o impeachment de Dilma. Bolsonaro permanece enquanto não atrapalhar.

2. O Centrão.

Embora tenha sido festejado por advogados liberais e por Ministros do próprio STF, o verdadeiro padrinho da candidatura de Kassio Nunes foi o Centrão e o amplo sentimento anti-Lava Jato que passou a dominar o Congresso e as cortes superiores.

Antes, o fator de agregação era o anti-lulismo. Agora é o anti-lavajatismo. Fica a lição de como meia dúzia de rapazes deslumbrados conseguiram destruir a economia, a imagem do Ministério Público Federal e sua própria imagem. Foram usados e jogados fora.

3. As Forças Armadas.

Bolsonaro aproveitou as ameaças de retaliação econômica de Joe Biden para reforçar a necessidade de Forças Armadas fortes, para defender a Amazonia. Nenhuma potência vai invadir a Amazônia. E, se invadisse, destruiria a defesa brasileira com um peteleco. A única ameaça à Amazônia foi confessada por Bolsonaro ao ex-vice-presidente americano Al Gore, ao oferecer a exploração da Amazônia aos Estados Unidos – sem saber que Gore é um dos expoentes da luta ambiental.

Nos próximos dias se saberá melhor como Bolsonaro escapará da armadilha entre conseguir recursos para a renda básica e não superar o teto.

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