A renúncia dos diplomatas líbios

Da BBC Brasil

Diplomatas líbios renunciam e aumentam pressão sobre Khadafi

Vários diplomatas líbios no exterior renunciaram a seus cargos, insatisfeitos com a maneira como o líder Muammar Khadafi reagiu à onda de protestos contra o governo no país.

O embaixador líbio na Índia, Ali al-Issawi, disse à BBC que decidiu deixar o cargo em protesto contra o uso de violência por parte do governo e afirmou que mercenários estrangeiros foram mobilizados para atuar contra cidadãos líbios.

O embaixador da Líbia junto à Liga Árabe, Abdel Moneim al-Honi, disse a jornalistas, no Cairo, que está se unindo à revolução, enquanto o embaixador líbio na China também renunciou.

Nesta segunda-feira, o governo britânico chamou o embaixador líbio em Londres para uma reunião com o objetivo de expressar “a absoluta condenação” do uso de força contra manifestantes.

OminO ministro do Exterior britânico, William Hague, também disse ter ligado para o filho do coronel Khadafi Sayf al-Islam Khadafi no domingo para demonstrar forte insatisfação com o rumo dos acontecimentos no país.

“A Grã-Bretanha está pedindo hoje o fim da violência e que o regime se comporte com humanidade e moderação.”

Hague disse que a Líbia deve permitir a entrada de observadores internacionais no país para conduzir investigações sobre o uso de violência e pediu a abertura da internet no país, o fim da repressão a jornalistas e a proteção de cidadãos estrangeiros.

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que as demandas dos manifestantes são legítimas e pediu pelo fim da violência na Líbia.

O regime comandado por Muammar Khadafi lançou uma dura campanha de repressão contra os protestos no país. Segundo dados de organizações médicas e de direitos humanos, mais de duzentas pessoas teriam morrido desde o início, na semana passada, das manifestações que pedem que Khadafi renuncie após passar mais de 40 anos no poder.

Possível retirada de europeus

Testemunhas afirmam que manifestantes que saíram às ruas da capital, Trípoli, na noite de domingo, foram atacados por forças de segurança com armas de fogo e gás lacrimogêneo.

Benghazi, a segunda cidade do país, estaria nas mãos de manifestantes. Segundo testemunhas, a polícia fugiu de Zawiyah, a oeste da capital, e a cidade teria caído no caos. Há relatos de que muitos moradores estariam fugindo para a vizinha Tunísia.

O filho de Khadafi Saif al-Islam, advertiu que uma guerra civil poderia eclodir no país. Em um longo pronunciamento pela TV, ele prometeu reformas políticas, mas afirmou também que o regime “lugaria até a última bala”, contra “elementos dissidentes”. Al-Islam admitiu, entretanto, que as cidades de Benghazi e al-Bayda, no leste do país, tinham caído nas mãos dos manifestantes.

Um porta-voz do governo francês, François Baroin, disse a rádios francesas que a comunidade internacional precisa trabalhar para impedir que a situação na Líbia se torne ainda mais caótica.

“Estamos muito preocupados e chocados. Condenamos fortemente tudo o que está acontecendo, essa violência inacreditável. Isso pode levar a uma guerra civil extremamente violenta e longa”, disse Baroin.

“Precisamos fazer o possível em nível diplomático e coordenar esforços com as posições dos Estados Unidos e da União Europeia para impedir uma crise.”

Ministros do Exterior da UE disseram estar se preparando para uma possível evacuação de seus cidadãos da Líbia.

Nesta segunda-feira, relatos de Trípoli afirmavam que as ruas da capital estavam tranquilas, com forças do governo patrulhando a Praça Verde, após uma operação de repressão a manifestantes que testemunhas chamaram de “massacre”.

Houve sons de tiros nas primeiras horas da manha, e bombeiros tentavam controlar um incêndio em um prédio do governo no centro da cidade, a Assembléia do Povo, que foi incendiada por manifestantes. 

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