A tragédia dos que trocam o que tem valor pelas efemeridades

A tragédia dos que trocam o que tem valor pelas efemeridades – (para o post “Luis Roberto Barroso precisa dar exemplo de transparência, por Luis Nassif”

O sujeito tem tudo da vida (inclusive seu esforço, que deve ser reconhecido como um dos fatores…) para chegar a um ponto raro da existência: a possibilidade de imortalizar seu nome e encher de orgulho seus descendentes, realizando ações dignas, efetivas, transformadoras de seu país. O ministro Barroso se insere nesse “poderia ter sido…”.

Tem conhecimento jurídico de sobra, é articulado e uma forma de se comunicar muito calma, que seduz as pessoas. O “conjunto da obra” lhe foi e é favorável em relação às pessoas medianas. Mas como tantos outros, optou nos momentos mais cruciais de sua vida, aqueles que se tornam “os divisores de água”, que definem de modo irreversível o que seremos, pela COVARDIA DO SER. É a opção que resta aos que renunciam ao único caminho que pode trazer glória verdadeira à vida: abraçar a verdade, a justiça, como um chão do qual não nos afastamos, CUSTE O QUE CUSTAR.

Na vida pública, num país corrompido, raso, conservador e reacionário como o Brasil, requer caráter determinado e coragem! Aquela fibra moral de quem se incomoda com a miséria, a injustiça, as indignidades de vida do povo, os privilégios, a concentração de renda perversa, as ideologias farsescas vendidas pela grande mídia. Pessoas que tiveram TUDO para abraçar esse caminho, fizeram justamente o oposto: Fernando Henrique Cardoso, Roberto Freire, Cristóvão Buarque, enganam-se os que pensam que “era um destino certo se tornarem os velhacos cínicos e medíocres que se tornaram”. Esses homens tiveram momentos diferentes em seu passado, expuseram ideias, participaram de causas absurdamente diferentes dos homens que vieram a ser com o passar do tempo. Venderam o melhor de suas almas, seduzidos pelas fraquezas mais comuns nos homens de baixo caráter: o medo e a vaidade!

Lembro que em uma oportunidade Roberto Jefferson fez um discurso tão sincero e honesto no Congresso, tão absurdamente genial, provando de maneira IRREFUTÁVEL que era totalmente possível sermos um país rico, solidário, com distribuição de renda, justiça, saúde, etc. etc., que alguns deputados e senadores atônitos lhe perguntaram: “esse seu discurso é histórico, poucas vezes ouvimos algo tão brilhante… Porque o senhor não se tornou ESSE congressista, porque não lutou por esses ideais?” – E, meio envergonhado, ele saiu pela tangente, porque é óbvio que a resposta honesta seria: “porque eu ESCOLHI esse caminho, o do poder, da grana, da corrupção, do cinismo…..”

Tendemos ao erro primário de olhar o homem no tempo presente, achando de certo modo que “ele sempre foi assim, tinha que dar nisso….” – por exemplo, se vemos um velho indigente nas ruas, bêbado, largado, um futuro morto a ser enterrado numa cova pública qualquer. Esquecemos que um dia um homem normal habitou aquela decadência ambulante. Sempre há o primeiro passo, o primeiro desvio de rota, a primeira noite na rua, até que “o hábito veste e domina o monge”.

Barroso, FHC, Roberto Freire e assemelhados são como esse indigente de rua. Um dia tiveram um passado, potencialidades, possibilidades de grandeza nacional genuína, digna….. Optaram pelos holofotes da Globo, os tapinhas nas costas das elites sociais, o dinheiro, pela CONFORMAÇÃO de suas potencialidades ao que o sistema do poder vigente esperava deles. Entre o povo e suas necessidades dramáticas, a verdade, o justo, o digno, e o caminho fácil de se deixar levar pelos medos, as covardias e as vaidades narcísicas das recompensas imediatas, escolheram o que Mefistófeles lhes ofereceu.

Poucos têm a grandeza de um Lula, um Darcy Ribeiro, um Brizola, um Mário Covas, uma Dilma, que jamais transigiriam com alguns de seus objetivos políticos-sociais, transformados em razão de suas vidas.

O pior tipo de indigência é esta: o homem que tendo o potencial de fazer diferença em sua vida e avida da sociedade em que vive, perde-se de si mesmo, tornando-se um pária, uma caricatura farsesca, um nada……

O ministro Barroso é só mais um que fez essa escolha.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora