A última chance da transição climática, por Martin Wolf

Para articulista, será preciso um salto tecnológico considerável - além de uma cooperação internacional sem precedentes - para se preservar o único lar que temos

Jornal GGN – Duas figuras em especial se destacaram na última edição do Fórum Econômico Mundial: a ativista sueca Greta Thunberg, e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Ambos foram opostos em suas mensagens: pânico confrontado com indiferença.

Contudo, não se pode dizer que eles sejam hipócritas. “Thunberg não finge que estamos fazendo algo relevante; Trump não finge que se importa”, diz Martin Wolf, comentarista-chefe de economia do jornal britânico Financial Times, em artigo traduzido e publicado no jornal Folha de São Paulo. “A maioria dos participantes no debate sobre o clima, porém, finge que se importa, finge agir, ou ambos. Para que algo seja feito, isso precisa mudar”.

Para o articulista, é preciso voltar as atenções do mundo para a luz solar incidente – energia solar e eólica – em conjunto com a energia nuclear. Porém, a questão não está relacionada apenas a manter os padrões de vida elevados, mas sim preservar o único lar que conhecemos. “É evitar um experimento irreversível com o clima de nosso planeta. Até agora, entretanto, apesar de décadas de conversas, as tendências das emissões continuam na direção errada”.

Depois de participar do Fórum de Energia de Oslo, Wolf explica que as conclusões são simples: o mundo não vai parar de depender dos combustíveis fósseis escolhendo o empobrecimento universal, mas também não se pode parar de usá-los cedo o suficiente, dado o ritmo extremamente lento na redução das emissões por unidade de produção.

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Por isso, o articulista diz que é preciso acelerar maciçamente o progresso tecnológico no sentido oposto à queima de combustíveis fósseis. “Se conseguirmos isso, o tamanho de nossa economia deixa de ser o problema: por maior que se torne a economia, ela deixa de emitir gases do efeito estufa. Mas note: para alcançar isso até 2050, o ritmo de redução das emissões por unidade de produção precisa dar um salto enorme”.

O articulista diz que isso é possível de um ponto de vista tecnológico, mas sempre existe uma inércia enorme ao se fazer mudanças para novas tecnologias. Isso vai exigir uma cooperação em escala global jamais vista, por meio de uma combinação de regulamentos, incentivos e pesquisa e desenvolvimento apoiados pelos governos. “Temos muito a fazer em um tempo muito curto. Para termos êxito em conter a mudança climática, precisamos mudar de rumo agora”.

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