A visão reducionista sobre o criacionismo

A discussão criacionismo x evolucionismo é muito viciada.

Primeiro, porque a argumentação evolucionista contra o criacionismo é muito pobre, e sempre bate em uma única tecla: criacionismo é religião.  Com isso, foge da discussão dos argumentos científicos pró-criacionistas – sim, eles existem, mas o público nunca fica sabendo disso.  Há cientistas muito sérios e respeitados que são criacionistas. Ora, se o criacionismo é contra a ciência, como isso é possível?

Segundo, porque o evolucionismo advoga em sua defesa que é científico.  Ao se auto-entitular científico, quer ser entendido também como verdadeiro. Ora, qualquer um que leu o clássico “A Estrutura das Revoluções Científicas” de Thomas Kuhn sabe que a ciência não é tão verdadeira assim.

Terceiro, todo criacionista é evolucionista.  De fato, a evolução é fato científico comprovado. Nenhum criacionista nega.  O que está em debate é o alcance da evolução.  A evolução comprovada cientificamente é aquela que demonstra uma certa adaptação dos seres vivos ao ambiente. Os criacionistas chamam isso de microevolução.  Mas não existe comprovação científica de que uma espécie se transformou em outra. Mostrar semelhanças entre fósseis é, para os evolucionistas, provar que a espécie B surgiu da espécie A; para os criacionistas isso só prova que tanto A e B tem origens comuns.  E por aí vai.

Não sou criacionista.  Mas acho muito triste a redução tão comum de que criacionismo=fé e evolucionismo=ciência.  O próprio título do artigo revela isso: de um lado, a ciência, que está com o evolucionismo, e do lado antagônico, a fé, que está com o criacionismo.

Sim, o modelo evolucionista é o mais aceito no meio científico.  Sim, o modelo criacionista tem forte influência de concepções religiosas.

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Mas tratar um como totalmente ciência, e outro , como totalmente fé, é empobrecer muito a questão.

O link do youtube postado, que é bem antigo, daquela ótima e saudosa série Diálogos Impertinentes, que na época acho que nem tinha esse título ainda, demonstra a enorme, senão impossível, dificuldade de diálogo. De um lado, um biólogo evolucionista despejando chavões de que a evolução é ciência e insinuando que criacionismo é religião, de outro lado um geólogo criacionista despejando um monte de informação científica incompreensível para o ouvinte comum.

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