Abraji se manifesta contra ataques de Eduardo Bolsonaro a jornalista da Folha de S. Paulo

Repórter foi ofendida com comentários machistas e misóginas durante CPMI das Fake News. Eduardo reproduziu os insultos em seu perfil no Twitter

Ex-funcionário de empresa de disparos em massa na CPMI das Fake News. | Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

Jornal GGN – A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) saiu em defesa da jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, alvo de insultos reproduzidos nas redes sociais pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).  

Durante depoimento à CPMI das Fake News no Congresso, Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa via WhatsApp, ofendeu a repórter com comentários “machistas e misóginos”, segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). 

Após os insultos no plenário, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) reproduziu em seu Twitter, nesta terça-feira, 11 de fevereiro, às difamações contra a jornalista. Confira nota de repudio na íntegra.

Abraji repudia ataques de Eduardo Bolsonaro a jornalista da Folha de S. Paulo

A jornalista Patricia Campos Mello (Folha de S. Paulo) voltou a ser alvo de ofensas machistas e misóginas nas redes sociais, nesta terça-feira (11.fev.2020), depois que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) reproduziu, em sua conta no Twitter, difamações contra a repórter por parte de um depoente à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News e mais tarde repetiu em manifestação no plenário da Câmara as alegações. A Folha apresentou documentos que refutam o depoimento.

A nova rodada de agressões à jornalista se intensificou depois que Eduardo Bolsonaro replicou insinuações do depoente Hans River do Nascimento, em tom jocoso, em seu perfil no Twitter. O ex-funcionário da empresa Yacows afirmou à CPMI que a jornalista da Folha de São Paulo se insinuou para ele sexualmente em troca de informações para uma reportagem, veiculada em outubro de 2018, sobre disparos em massa de mensagens via Whatsapp, durante a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro à presidência. Não satisfeito em reproduzir as alegações nas redes sociais, o deputado mais tarde as reiterou no plenário da Câmara:

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– Então, só para destacar esse ponto, eu fiquei aqui perplexo de ver, mas eu não duvido, que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) repudia a ação do deputado, que repercutiu para milhões de seguidores alegações difamatórias. É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia. Além disso, esta é mais uma ocasião em que integrantes da família Bolsonaro, em lugar de oferecer explicações à sociedade, tentam desacreditar o trabalho da imprensa.

Não é a primeira vez que a jornalista Patrícia Campos Mello é alvo de assédio direcionado nas redes sociais. Tais ações tiveram início logo após a publicação da reportagem “Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp”, assinada por ela, na Folha de S.Paulo, ainda durante a campanha eleitoral de 2018. Centenas de usuários da rede social fizeram comentários agressivos, tentando manchar a credibilidade da repórter. Na época, a Abraji emitiu nota de apoio à jornalista.

Campos Mello é uma das mais respeitadas jornalistas do país. Repórter experiente, premiada, cobre relações internacionais, economia e direitos humanos há décadas. No ano passado, foi uma das vencedoras do International Press Freedom Award do Comitê de Proteção de Jornalistas (CPJ, sigla em inglês), ao lado de jornalistas da Índia, da Nicarágua e da Tanzânia que, assim como ela, sofreram ameaças e agressões em decorrência de seus trabalhos. Patrícia também faz parte da atual diretoria da Abraji.

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Diretoria da Abraji, 11 de fevereiro de 2020.

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1 comentário

  1. O que falta para entrar com um impeachment contra este canalha?
    Tem muito camundongo virando ratazana, tornando cada vez mais dificil o saneamento do congresso.
    Tirar este sujeito será bom para o legislativo pois é um pária como o pai e, de repente, entra alguem produtivo, já que, tal como o pai, os filhos não apresentam nada, nenhum projeto, servindo apenas como meio de difamação covarde de pessoas honradas.
    O Brasil precisa da reação dos organismos garantidores da lei, pois está a um passo do caos total.

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