Ação da GCM e da PM deixa feridos na favela do Moinho

Ação policial ocorreu na tarde desta quinta-feira, e deixou uma criança cadeirante e um adolescente de 18 anos com ferimentos

Favela do Moinho, em São Paulo. Foto: Reprodução

Jornal GGN – Uma ação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo e da Polícia Militar deixou uma criança e um adolescente feridos na Favela do Moinho, localizada na região central da cidade.

A ação supostamente buscava por drogas no local. Segundo informações do portal UOL, policiais disseram à Comissão de Direitos Humanos da OAB que, ao ver a ação policial, um jovem caiu da laje de sua casa e machucou a mão direita.

Contudo, moradores questionam tais relatos: a irmã do jovem declarou que um grupo de quatro policiais invadiu a casa onde moram e um deles, sem identificação e usando touca ninja, atacou o jovem com uma faca – e ele sofreu um corte profundo na mão ao se defender. Ele passará por cirurgia, e existe o risco de que perca a mobilidade da mão.

O depoimento dos moradores coincide com o relato publicado nas redes sociais da Comissão de Direitos Humanos da OAB, que foram ao local após alerta do Núcleo de Ações Emergenciais da CDH (Comissão de Direitos Humanos).

“Ao chegarmos, o clima era tenso e hostil, nos apresentamos aos policiais, fizemos as perguntas essenciais, ao mesmo tempo se forma uma aglomeração revoltada”, diz o relato de Arnobio Rocha, do Núcleo de Ações Emergenciais e Direitos Ameaçados da OAB/SP e que esteve no local. “Um dos policiais chegou a dizer, “vou prender essa aí por ofensa”. Ele se referia a uma jovem revoltada com o ferimento grave do garoto e pela presença violenta deles. Tentamos acalmar de todas as formas, ao mesmo tempo pedíamos aos Policiais que encerrassem a “operação”, pois o clima de revolta aumentou muito”.

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A tensão aumentou quando um garoto cadeirante foi trazido pela mãe, aos prantos por ter sido mordido por um cão farejador. O menino tem 10 anos, sofre de paralisia cerebral e foi mordido no braço que consegue mover melhor. Ele foi atendido em um pronto-socorro e está em casa.

“Nós não dávamos conta de segurar a multidão, a PM ficou entre a linha do trem, nós e os moradores. Ao sinal de vinda do trem, os PMs foram para o outro lado”, diz Arnóbio em seu relato. “Alguns jovens jogaram pedras, em direção ao outro beco, a resposta foi violenta, muitas bombas de gás, spray de pimenta (…) Ficamos acuados a PM jogou mais bombas, saíram e os jovens subiram à rua do viaduto”.

A ideia de invadir a comunidade só foi dissuadida depois que o ouvidor da PM Elizeu Soares chegou à comunidade, ouviu os moradores sobre o incidente, e entrou em contato com o comando da PM para que a ação fosse desmobilizada.

(com informações do UOL e O Estado de São Paulo)

 

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