Ação Popular não se envolveu na luta armada, diz sobrevivente que vai interpelar Bolsonaro

Padilha está em contato com ex-colegas de militância e advogados para apresentar uma queixa-crime contra Bolsonaro por calúnia, no Supremo Tribunal Federal

Jornal GGN – Jair Bolsonaro disse que a Ação Popular era um dos grupos mais sanguinários da resistência à ditadura militar, mas isso não é verdade. “A AP nunca esteve envolvida em luta armada”, diz o cientista social e sobrevivente dos anos de chumbo, Anivaldo Padilha, 79.

Segundo a jornalista Monica Bergamo, Padilha está em contato com ex-colegas de militância e advogados para apresentar uma queixa-crime contra Bolsonaro por calúnia, no Supremo Tribunal Federal.

“Nestes tempos de fascismo, de destruição do inimigo, de ódio, ele [Bolsonaro], com suas mentiras, nos coloca em risco. Nos deixa vulneráveis a agressões e ataques”, afirmou Padilha.

Segundo Padilha, que viveu exilado em Genebra, na Suíça, os militares não se importavam em distinguir quem estava na luta armada e quem não estava. “Tanto que dizimaram o Partido Comunista, que era contra a luta armada”, comentou, lembrando que dirigentes da Ação Popular também foram presos, torturados, mortos ou exilados.

No começo da semana, Bolsonaro disse que Fernando Santa Cruz, pai de Felipe Santa Cruz, hoje presidente nacional da OAB, fazia parte da Ação Popular, que era um dos grupos mais “sanguinários” de Pernambuco, e que tinha um braço armado no Rio de Janeiro.

Bolsonaro disse que Fernando foi alvo de “justiçamento” dos militantes de esquerda, e não dos militares. A informação do presidente contraria documentos públicos que mostram que Fernando foi executado nas mãos de agentes do Estado.

1 comentário

  1. Vejam um homem duro de morrer:

    Antônio Lourenço, vítima de suposto ‘justiçamento’, home duro de matar:

    “Em 1969, um militante da AP participou do sequestro do embaixador Americano Charles Burke Elbrick, em apoio ao MR-8. Em 1971, à noite, uma militante da AP atraiu Antônio Lourenço (“Fernando”), também da AP, para uma emboscada; “Fernando” recebeu vários tiros de rifle 44 e de revólver e foi trucidado a porretadas até a morte; o “justiçamento” ocorreu em Pindaré-Mirim (MA) e foi planejado pelo Comitê Seccional de Santa Inês, subordinado ao CR-8 (Coordenador das atividades da organização no Maranhão e no Piauí)”.

    O sujeito é alvo de vários tiros de rifle 44 e de revólver e só vem a morrer a porretadas. Será que as balas que atingiram o Antonio Lourenço (“Fernando”) eram de festim?

    Essa estória faz lembrar de um quadro do Casseta e Planeta, no qual os Militares apresentam o cadáver de uma de suas vítimas e informa que ele se suicidou. Detalhe: seu corpo estava crivado de balas. Assim, alguém pergunta ao Militar:

    – Mas como ele pode se suicidar com tantos tiros?

    O Abacate diz ao Perguntador:

    – Espera aí que eu vou já te mostrar como é que alguém se suicida crivando seu corpo de bala

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