Agora, o MEC quer testar a rapidez da leitura das crianças

Nova prova de fluência seria efetuada no final de 2020; ministério também pretende reformular programa do livro didático e premiar professores por desempenho.

O Ministro da Educação, Abraham Weintraub. Foto: Pedro França/Agência Senado

Jornal GGN – O Ministério da Educação quer medir a alfabetização das crianças com a realização de uma avaliação de fluência, pesquisando quantas palavras por minuto são lidas pelos alunos do segundo ano do ensino fundamental.

Documento obtido pelo jornal O Estado de São Paulo diz que a “fluência em leitura é um dos mais fortes indicadores de sucesso na alfabetização”. A avaliação cogitada pelo ministério deve mensurar se a criança lê com “bom ritmo, precisão e velocidade”. Testes de fluência são usados por redes de ensino ou educadores que acreditam que a leitura é uma decodificação e são mais ligados ao método fônico de alfabetização, em que há ênfase para os sons das letras.

Contudo, existem grupos que criticam tal avaliação por considerarem uma pressão desnecessária à criança, na faixa etária de oito anos de idade, e que a velocidade de leitura não demonstra que ela compreende aquilo que lê.

A ideia é que a avaliação ocorra por meio de uma gravação da leitura da criança, ao fm de 2020. Tal registro seria encaminhado a uma entidade ligada ao MEC, que faria a medição e daria o resultado. A prova aconteceria em redes estaduais e municipais que aderirem ao programa batizado de Tempo de Aprender – programa que o Ministério pretende lançar antes do Carnaval.

Além disso, o documento em questão fala em reformular o programa de livro didático, dando prioridade a materiais alinhados a vertente que o MEC pretende seguir, excluindo outras, como a construtivista, além de dar prêmios a professores por desempenho ao ensinar a ler e escrever, e não cita em momento algum a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) aprovada em 2017 e que é a referência para currículos das escolas do País desde então.

4 comentários

  1. Com a palavra os educadores…
    existe alguma vantagem em uma criança ler 20 linhas em 1 minuto e levar 5 minutos para explicar o que leu? 90% de leitura desperdiçada ou prova de que ler rápido não é o mesmo que ler bem?

    no popular: bê-á-bá é igual a beaba?

    em verdade o que eu queria dizer mesmo é que isso aí parece coisa de torturador da década de 50, de colégio militar, por ser uma agressão ao cérebro e aos olhos das crianças que ainda por cima podem ser comparadas em capacidade com uso de informações que variam naturalmente de criança para criança

  2. Beleeeeza……
    Assim temos certeza de formar “ótimos analfabetos funcionais”, super rapidões…………gente que decodifica e não entende nada do que leu……..Tomo a liberdade de propor autores……Kant talvez…
    Duas bem simples:
    1-“A nossa época é a época da crítica, à qual tudo tem que submeter-se. A religião, pela sua santidade, e a legislação, pela sua majestade, querem igualmente subtrair-se a ela. Mas então suscitam contra elas justificadas suspeitas e não podem aspirar ao sincero respeito, que a razão só concede a quem pode sustentar o seu livre e público exame”
    2-“É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas idéias.”

  3. É só mais um passo para a imbecilização das nossas crianças e jovens. O outro será o ensino religioso, direcionado, evidentemente, nas escolas.

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