Após críticas sobre ausência em reunião, chanceler destaca sua importância em viagem aos EUA

Eduardo, filho de Bolsonaro, foi o único integrante da comitiva a participar de reunião com Trump

Foto: Agência Brasil/Isac Nóbrega/PR
do HuffPost
Após críticas sobre ausência em reunião, chanceler destaca sua importância em viagem aos EUA
por Isabel Fleck Grasielle Castro

O chanceler Ernesto Araújo convocou, nesta quarta-feira (20), uma coletiva de imprensa em Brasília para defender decisões tomadas por Jair Bolsonaro em Washington nos últimos dias. O ministro, no entanto, fez uma longa introdução para, basicamente, ressaltar a sua importância dentro do governo Bolsonaro e para a organização da viagem aos EUA.

O movimento se deu depois da repercussão negativa para o Itamaraty da participação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, na reunião entre o pai e Donald Trump, no Salão Oval. As críticas foram no sentido de que, se alguém além do presidente brasileiro tivesse que participar do encontro a portas fechadas, esse alguém deveria ser o chanceler.

Nesta quarta, um dia depois da reunião na Casa Branca, Araújo destacou todo o seu trabalho junto a interlocutores americanos, como o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, antes da viagem.

“Eu pessoalmente fiz um grande esforço para mostrar que era orientação do presidente [mudar a relação com os EUA]”, disse. “Isso é um processo, que se foi construindo, ao longo de milhares de horas de reuniões, palestras, telefonemas… não é uma coisa que cai do céu.”

Segundo o chanceler, os resultados alcançados em Washington se deveram a um trabalho seu e do Itamaraty nos meses anteriores.

“Existe uma conexão entre as minhas ideias e o resultado que queríamos com os EUA. Isso que eu queria falar”, disse.

“Chegamos a um ponto em que as coisas se materializaram porque havia um terreno em que foi plantado. Não só por mim, isso é outra coisa. Houve um trabalho de equipe tanto dentro do Itamaraty quanto em outros órgãos. Isso é algo que muita gente não percebe porque não sabe o que é trabalhar em equipe.”

O chanceler ainda relembrou toda a trajetória que o levou a ser escolhido chanceler, num aparente exercício de afirmação.

“No meu ponto de vista [essa relação] começou em setembro de 2017 quando escrevi um artigo sobre Trump e Ocidente onde cabalei sobre uma perspectiva que ninguém no Brasil estava analisando”, afirmou. “Ele [Bolsonaro] conhecia essas minhas ideias e achava que eu era a pessoa talvez qualificada para implementar as ideias dele… a minha visão coincide com a dele nessa dimensão.”

Araújo ainda aproveitou para mandar um recado a quem tem feito críticas ao seu trabalho: “Gosta dos resultados com os EUA, então tá. Então, reconheça que parte são do que eu venho falando, das minhas ideias. Achar que foi excelente resultado, mas continuar dizendo que minhas ideias não tem nada a ver, não tem lógica nisso”.

Quando questionado especificamente sobre o episódio com Eduardo, o chanceler negou que tenha ficado incomodado com a participação do filho do presidente na reunião com Trump.

“Nada do que se falou em alguns setores, que eu tenha tido qualquer problema com isso [é verdade], muito pelo contrário”, disse.

“Me senti distinguido pela participação do deputado Eduardo lá porque ele comunga das mesmas ideias e visões que eu. Achei excelente que ele pudesse participar. Fiquei muito feliz que ele pudesse participar.”

Ele afirmou que Eduardo Bolsonaro, que foi apontado recentemente presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o “ajudou muito na construção dessa parceria”.

Araújo destacou ainda que, como o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, não estava nos EUA, e, portanto não poderia participar do encontro, foi natural que o chanceler brasileiro não fosse convocado ao Salão Oval. “Sou contraparte do secretário de estado, não teria por que eu participar se ele não participou da reunião.”

O fato, no entanto, é que, Eduardo tem funcionado como um “para-chanceler” desde antes do início do governo do pai, viajando ao exterior (inclusive aos Estados Unidos) como representante informal – mas influente – de Bolsonaro.

E mesmo com 7 ministros – incluindo o chanceler – presentes na comitiva, foi Eduardo quem sentou no sofá do Salão Oval.

A programação inicial era de que participassem do encontro apenas os dois presidentes e os seus tradutores. Do lado de Trump, acabaram ficando na sala o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, e Kim Brier, do Departamento de Estado dos EUA. Do lado de Bolsonaro, apenas seu filho.

É comum – e assim ocorreu em outras visitas, como a de Lula a Obama em 2009 – que os presidentes se encontrem reservadamente primeiro e depois façam uma reunião estendida, essa então com a presença de ministros e secretários.

Na noite de terça, Eduardo disse à Folha que foi Trump quem o chamou para ficar na sala. “Ele disse ao Jair: ‘chame seu filho para entrar’”, afirmou.

Logo depois do encontro, em coletiva de imprensa no Rose Garden da Casa Branca, Eduardo recebeu um elogio público de Trump. “O trabalho que você fez durante tempos difíceis foi simplesmente fantástico”, disse o presidente americano, após pedir que o deputado se levantasse.

Nas redes sociais, depois, Eduardo celebrou, e disse que a deferência de Trump foi a “toda a sua família, principalmente ao Carlos, que esteve a maior parte do tempo ao lado do JB durante o período difícil que o presidente dos EUA mencionou”.

Horas antes, Carlos havia defendido o irmão em sua conta no Twitter. “Meu irmão @BolsonaroSP vem construindo essa relação entre Brasil e EUA há muitos anos. O parabenizo nesta ocasião nesta oportunidade!”

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